sábado, 30 de julho de 2016

DELEGAÇÃO ALEMÃ CHEGA AO RIO!


PARA ALÉM DOS PSICOFÁRMACOS

Há uma crítica do senso comum médico ao uso de psicofármacos em excesso, à associação de vários psicofármacos num único paciente, ao perigo dos efeitos colaterais e/ou adversos, à prescrição do psicofármaco errado, à iatrogênese psicofarmacológica, enfim, todas críticas pertinentes, mas superficiais. Elas não atingem o cerne do problema. Qual é? Ora, o problema são problemas. Todos eles confluem para a questão do diagnóstico psiquiátrico, já que este, implícitamente, diz conhecer o transtorno de que é portador o paciente. No entanto, o transtorno não é doença e sim um sintoma, e o paciente não é escutado, exceto como possível linha subjetiva de confirmação da grade nosológica. É que o diagnóstico psiquiátrico (que nada tem de científico, ao contrário) é precedido por relações institucionais (de poder) que trazem embutida a marca e o efeito da moral vigente. Assim, somente criticar o uso inadequado, desastrado, incompetente e até mesmo violento dos psicofármacos, é conceitualmente raso porque se restrige à técnica psiquiátrica, passando ao largo de um pensamento ético-político, única via para se chegar ao paciente como singularidade.

A.M.

RICARDO SILVEIRA - Outro Rio


Não sou cristão, nem judeu,
Nem mago, nem muçulmano.
Não sou do Oriente, nem no Ocidente,
Nem da terra, nem do mar.
Não sou corpo, não sou alma.
A alma do Amado possui o que é meu.
Deixei de lado a dualidade,
Vejo os mundos num só.

Rumi
MATANÇA COMO ESPETÁCULO

Nas últimas cinco horas de sua vida, enquanto cometia o maior massacre a tiros da história recente dos Estados Unidos, que deixou 49 mortos e 53 feridos na boate gay Pulse, em Orlando, o americano Omar Mateen sacou várias vezes o celular e buscou, no Facebook, as expressões “shooting” (tiroteio) e “Pulse Orlando”. Mateen queria medir a repercussão de seu espetáculo sangrento, ainda em curso, nas redes sociais e na internet. Enquanto mantinha vítimas em cativeiro, ele também telefonou para uma emissora de televisão e chamou a polícia. Mais do que uma consequência, a transformação do massacre em um show de horror, que alcançasse imediatamente o maior número de pessoas possíveis, foi deliberadamente perseguida pelo terrorista.
(...)
Època, 30/07/2016,30/07/2016, 00:14 hs

ZDZISLAW BEKSINSKI


A SÍNDROME DO ESTÁDIO

Amigos, existe uma epidemia no ar.
Uma que a mídia esconde e não é transmitida por mosquitos.
Lembra a Síndrome de Estocolmo, quando o sequestrado cria um vínculo de afeto com o sequestrador.
Só que essa é mais grave. Ao invés de afeto, o ódio.
É a Síndrome do Estádio.
Importante você conhecer para se autodiagnosticar.
Se você já assistiu a um jogo do seu time num estádio de futebol vai reconhecer a metáfora.
Começa o jogo, time e torcida em lua de mel.
O zagueiro grotescamente chuta a bola para o alto.
– É isso aí, Uéslei! Bola pro mato que o jogo é de campeonato!
Todos riem da grossura eficaz do zagueiro.
O meio-campo tropeça, a torcida diz que o gramado está escorregadio.
O ataque não pega na bola, tamanha a marcação adversária.
Um sujeito ao lado diz:
– É só esperar um contra-ataque…
Aos 32”, de falta, o adversário mete um golaço.
Um torcedor ameaça:
– É, fio,… quem-não-faz… – mas não conclui o chavão lembrando que não tiveram nenhuma chance de gol.
A torcida puxa um grito de guerra para mostrar que não se abateu.
No intervalo, as primeiras críticas:
Um sujeito cospe pedaços de hot dog e garante:
– Porra…, tá muito lento. Tem que ligar mais rápido. Pá e bola.
– E o Joleno, pelamor… não sei porque insistem nesse sujeito.
O início do segundo tempo renova esperanças.
Mas aos 4”, sai o segundo gol. Dois a zero.
Aos 18”, pênalti para o seu time. É agora a reação.
A organizada abre o bandeirão, volta a batucada esquecida.
Joleno coloca a bola na marca e dá dois chutinhos na grama.
Toma pouca distância. Juiz autoriza.
Joleno caminha e manda a bola na direção de um satélite.
Versões da vogal “U” correm pela arquibancada, como uma ola.
Três minutos depois, Uéslei mete um gol contra.
– Uéslei, vai tirar sua mãe da ordenha! – um torcedor perde a elegância.
Daí para a frente, só piora. Com 0 a 3, jogando em casa,
está instalada a Síndrome do Estádio.
Agora é torcer contra.
Não são raros os casos em que gritam “Olé” contra o próprio time.
Se sair um gol de honra, vai ter torcedor gritando:
– Enfia esse gol na pitoba, Joleno!
Anotei em meus estudos: ”A Síndrome do Estádio é o mais profundo nível da decepção humana. É quando todas as esperanças estão perdidas.”
Num ato de desespero e sarcasmo, o sujeito passa a torcer contra si mesmo.”
Pois estou convencido que o Brasil sofre de Síndrome do Estádio. Você, eu, todo mundo.
Com raros casos de cidadãos imunes, conhecidos como “otimistas”, a grande maioria da população parece ter
sido contaminada.
Frases como “eu quero ver o circo pegar fogo de uma vez” são comuns.
Quando equipes olímpicas se recusaram a morar na Vila que construímos com tanto carinho, teve gente que vibrou por dentro.
– Eita que agora vai! – gargalharam neuroticamente.
Cruzo com zumbis completamente entregues à Síndrome do Estádio.
– Torço para esse País afundar de vez! Só assim…
Pedem a falência do sistema.
Note que não são traidores.
Muitos foram caras-pintadas, outros fiscais do Sarney.
É triste vê-los assim, doentes.
Minha síndrome eu escondo.
Mas confesso que, quando o prefeito Eduardo Paes faz uma declaração, deixo escapar:
– Vai, Dudu. Fala mais, fala mais!

Mentor Neto, Isto É, 29/07/2016, 18:00 hs

ONU


sexta-feira, 29 de julho de 2016

SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes

PAUL VIRILIO

o pensador da velocidade

Uma prece pelos rebeldes de coração enjaulados.

Tennessee Williams
MAIS, AINDA

(...)
Otávio Azevedo repetiu para Moro o que dissera em delação para a força-tarefa da Lava Jato: em 2008, o grão-petista Ricardo Berzoini, então presidente do PT, pediu propina de 1% sobre todas as obras federais tocadas pela Andrade Gutierrez nos governos petistas —obras do passado, do presente e do futuro. Participaram da conversa Paulo Ferreira, então tesoureiro do PT, e João Vaccari Neto, que assumiria depois a gestão das arcas petistas. Embora considerasse as propinas como mero “custo comercial”, incluído no preço final dos empreendimentos, o executivo da construtora espantou-se.

A propina requisitada por Berzoini deveria incidir sobre “todos os projetos federais que a Andrade estaria executando e que já tinha executado de 2003 [quando Lula assumiu seu primeiro mandato] para a frente”, contou Otávio Azevedo ao juiz da Lava Jato. “Ou seja, projetos inclusive já terminados. E também dos projetos futuros. Eu realmente estranhei demais a colocação. […] Fiquei bastante constrangido pelo pedido de 1% de contribuição. Essa reunião foi […] extremamente desagradável. Foi uma reunião dura.”

Depois de um debate interno, a empreiteira cedeu ao assédio do PT. Excluiu do acerto apenas as obras pretéritas. Manteve os canteiros já abertos e os empreendimentos futuros. O acerto vigorou de 2008 até 2014. Nesse período, a Andrade Gutierrez borrifou na caixa registradora do PT algo como R$ 40 milhões em dinheiro surrupiado do Tesouro Nacional por meio da elevação dos preços das obras. Os pagamentos foram feitos em anos eleitorais e também nos anos em que não houve eleições. Segundo o delator, 99% da grana foi entregue ao partido, não aos comitês de campanha.
(...)

Do Blog do Josias de Souza, 29/07/2016. 09:23 hs

YANN TIERSEN - Porz Goret


É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido.

José Saramago
ENFIM

O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público e transformou em réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcidio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro Andre Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
(...)
Camila Bonfim, do G1, em Brasília, 29/07/2016,15:51 hs