sexta-feira, 24 de outubro de 2014

EM SAÚDE MENTAL

A DIFERENÇA NA CLÍNICA

Trabalhamos a clínica da diferença em psiquiatria usando os conceitos de rizoma, devir e multiplicidade, entre outros. "Rizoma" diz respeito a pesquisa de linhas existenciais (molares,nômades e de fuga) entrelaçadas umas nas outras, e no entanto passíveis de uma espécie de "descolagem" com o fim de afirmar o desejo. Quanto ao "devir", trata-se, conforme Deleuze-Guattari, do conteúdo do desejo. Ora, isso funciona de vários modos, em toda parte, sempre constituíndo territórios móveis, sempre fluindo, escapando. O tempo do Encontro clínico passa, então, a ser (ou deveria ser) a fábrica do Novo inscrito num sofrimento humano não cristão, inumano, trágico. Não trabalhamos, pois, com a concepção de pessoa humana (conceito cristão, por excelência) mas com um desejo inconsciente, nômade e anarquista. Por fim, o conceito de "multiplicidade"se estabelece na atualização da loucura não-patológica experimentada como linha multiplicada e multiplicante das potências de cada paciente tornado im-paciente, não-paciente. 

A.M.

O HOMEM DUPLICADO de Denis Villeneuve, 2014


ESTUDANTE ABRE FOGO EM ESCOLA DE SEATTLE, EUA

Um estudante abriu fogo nesta sexta-feira (24) em uma escola secundária no Estado de Washington, oeste dos Estados Unidos, ferindo várias vítimas antes de se matar com uma arma, afirmou o jornal Seattle Times.
(...)
Fonte:iG São Paulo, 24/102014, 17,40 hs
OS APAIXONADOS

Estranho, sim. As pessoas ficam desconfiadas, ambíguas diante dos apaixonados. Aproximam-se deles, dizem coisas amáveis, mas guardam certa distância, não invadem o casulo imantado que envolve os amantes e que pode explodir como um terreno minado, muita cautela ao pisar nesse terreno. Com sua disciplina indisciplinada, os amantes são seres diferentes e o ser diferente é excluído porque vira desafio, ameaça.
Se o amor na sua doação absoluta os faz mais frágeis, ao mesmo tempo os protege como uma armadura. Os apaixonados voltaram ao Jardim do Paraíso, provaram da Árvore do Conhecimento e agora sabem

Lygia Fagundes Telles

HERBIE HANCOCK


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Do livro "Infância inventada"

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

NEDERLANDS DANS THEATER - Déjà vu


SEMIÓTICAS DO PODER

A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. (...)Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.
(...)
Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

BRASIL NO TOPO

Brasileiro pode ser recordista entre serial killers, diz criminologista

Caso se confirmem as 39 mortes confessadas em Goiânia, segundo a polícia, pelo vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, o brasileiro estará entre os serial killers mais letais da história moderna. É o que afirma o professor de criminologia americano Scott Bonn, da Universidade Drew, em Nova Jersey (EUA).

A polícia de Goiânia diz que Rocha, de 26 anos, cometeu os crimes a partir de 2011. Entre suas vítimas estão moradores de rua, homens gays e jovens mulheres. Rocha foi preso na semana passada numa operação policial.

"Isso [o total de vítimas] o colocaria no topo do ranking, ao lado dos mais prolíficos serial killers da história moderna", disse Bonn à BBC Brasil.
(...)
Fonte: BBC  Brasil Alessandra Corrêa 22/10/2014

BERTHE MORISOT


CÓPIAS

Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa.

Fernando Pessoa
Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos.

Jean-Paul Sartre

Arte poética

Bem no fundo da biblioteca
morava horrível poeta mongolóide.
Rimava fungo com resmungo
mofo com estofo
podridão com escuridão.
Guardava seus poemas numa lata velha.
Esquentava a sopa numa lata velha.
Amava, quando amava, uma puta velha.

Sebastião Nunes
DROGAR-SE

O verdadeiro Amor como qualquer outra droga forte que cause dependência, não tem graça. Assim que a fase do encontro e descoberta se encerra, os beijos se tornam surrados e as carícias cansativas... exceto, é claro, para aqueles que compartilham os beijos, que dão e recebem as carícias enquanto cada som e cada cor do mundo parecem se aprofundar e brilhar em volta deles.
Como acontece com qualquer outra droga forte, o primeiro amor verdadeiro só é realmente interessante para aqueles que se tornam seus prisioneiros. E como acontece com qualquer outra droga forte que cause dependência, o primeiro amor verdadeiro é perigoso. Os que estão sob o domínio de uma droga forte - heroína, erva-do-diabo, verdadeiro amor - frequentemente se veem tentando manter um precário equilíbrio entre discrição e êxtase, enquanto avançam na corda bamba de suas vidas. Manter o equilíbrio numa corda bamba é difícil até mesmo no estado mais sóbrio; fazer isso num estado de delírio é praticamente impossível. A longo prazo, é completamente impossível.

Stephen King