terça-feira, 21 de outubro de 2014

ARTE 

Falamos da arte como composição de linhas subjetivas que  buscam  expressar e criar um mundo. É possível captar essas forças no Encontro com o paciente. A psiquiatria capta outras forças, é bem verdade, as do organismo físico-químico adoecido pelas condições em que  vive. Isso significa fabricado por múltiplas determinações que escapam ao controle do eu. Escapam também ao enquadre linear causa-efeito. Contudo, o que  o paciente diz sentir é o que  importa. A arte, surge, então, como resistência às situações  existenciais  adversas. Nesse sentido ela está fora da psiquiatria, não havendo encontro possível. A linguagem da arte é inseparável da sensação, pura sensação que constitui a subjetividade como semiótica a-significante.Ou seja, não sendo submetida à consciência (“eu, enquanto indivíduo”), a produção da arte é uma produção de singularidades que retira matéria viva do caos.Na psiquiatria atual, no lugar da produção,o produto é capturado (e  imobilizado)  por exames  de imagem. Sob controle.

A.M. in Trair a psiquiatria

CHET BAKER - Estate


CANTAR, BRINCAR

Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.

Eduardo Galeano

Ultrapassagem de Dilma no Datafolha potencializa supremacia do marketing

Vivemos atrás do significado maior de qualquer coisa que resuma uma época, seja a propagação do vírus Ebola ou a conversão da água do volume morto do Cantareira em drink-ostentação. Os brasileiros do futuro talvez elejam 2014 como um ano histórico. Dirão que foi o ano em que a política ingressou de vez na Idade Mídia, tornando-se um mero ramo da publicidade.
(...)
Fonte: Blog do Josias de Souza, 21/102014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ONDE

onde anda a política
que muda?
onde  anda a muda
que floresce?

A.M.
Dizem que quando o Criador criou o homem, os animais todos em volta não caíram na gargalhada apenas por uma questão de respeito.

Millôr Fernandes
A REPRESENTAÇÃO

Quanto menos se conhece alguém, mais corremos o risco de construir a sua imagem de maneira distorcida, aumentando-a ou diminuindo-a. Através desse mecanismo, muitos carrascos viraram heróis ao longo da história, e muitos heróis se transformaram em carrascos na mente das futuras gerações. Preenchemos a falta de elementos que definem a personalidade de uma pessoa com fantasias, imaginações, superstições.

Carl Jung

CHARLES LEICKERT


A maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade.

Nelson Rodrigues

domingo, 19 de outubro de 2014

O PROJETO

Assegurar-se contra os inimigos, ganhar amigos, vencer por força ou por fraude, faze-se amar a e temer pelo povo, ser seguido e respeitado pelos soldados, destruir os que podem ou devem causar dano, inovar com propostas novas as instituições antigas, ser severo e agradável, magnânimo e liberal, destruir a milícia infiel e criar uma nova, manter as amizades de reis e príncipes, de modo que lhe devam beneficiar com cortesia ou combater com respeito, não encontrará exemplos mais atuais do que as ações do duque.
(...)
Maquiavel

DESCARGA


HUMOR COMO EFEITO

A psiquiatria oficial, atual e estabelecida como "verdade científica" inventou a doença "transtorno do humor". Ora, em psicopatologia clínica, o HUMOR é um elemento que resulta de múltiplos fatores: orgânicos, cerebrais, culturais, sociais, psíquicos, morais, etc. A lista é praticamente infinita. Conforme a CID-10 (Bíblia dos diagnósticos) o Humor é causa, origem. Dizemos o contrário: o HUMOR é efeito, consequência. Desse modo, na compreensão das patologias mentais, o critério para se chegar à REALIDADE do paciente é analisar um a um os diversos fatores e tentar conectá-los num agenciamente de forças que permita dizer: "essa pessoa está doente e precisa de ajuda". Se ausente uma metodologia transdisciplinar ficamos atolados no pensamento único da biomedicina, ou, o que é pior, serão aniquiladas as potências de vida daquele que sofre. Mais grave ainda é o diagnóstico errado, não porque haja um outro diagnóstico melhor, mas porque simplesmente NÃO HÁ DIAGNÓSTCO que dê conta da complexidade do quadro. Somos todos multiplicidades singulares. Esta é uma clínica (da diferença) que traz muito trabalho ao técnico em saúde mental. Em contra-partida, a sua inserção prática sobre a vida do paciente imprime a marca de uma adesão incondicional aos seus devires existenciais. Mas, quem suporta tal radicalidade?

A.M.
VERDADE ?

Só os inimigos dizem a verdade. Amigos e amantes, apanhados na teia da obrigação, mentem sem parar.

Stephen King

MPB4 - Velho Ateu