quarta-feira, 1 de julho de 2015

DESCENDO...

Aprovação do governo Dilma cai a 9%, aponta pesquisa Ibope

Entre aqueles que consideram o governo ruim ou péssimo, percentual subiu de 64% para 68%


Pesquisa Ibope divulgado nesta quarta-feira aponta que a aprovação da presidente Dilma Rousseff atingiu um novo recorde negativo. O governo é avaliado como ótimo ou bom por apenas 9% dos entrevistados. Em março, o percentual era de 12%.
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Fonte: Terra Brasil, 01/07/2015,10:52 hs
A VOLTA DO CÍRCULO

O sol ainda não viera. E sem lua nem sol ela estava sozinha no banheiro. Esta revelação a fez baquear um pouco. Meio tonta com a solidão e a brancura do momento. Trôpega, buscou apoio na extremidade da pia, que respondeu fria e asséptica ao pedido de ajuda. Olhou para a porta, e se então tivesse saído teria escapado. Mas ficou. Ferindo a si mesma e por si mesma sendo ferida. Com o pretexto de lavar as mãos, molhou os pulsos, sem admitir a tontura – que às vezes tinha esses pudores íntimos. 
"Não, meu bem, não adianta bancar o distante
lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Música antes de mais nada.

Paul Verlaine
SEM GRANDEZA

A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento. E, por certo, a estabilidade não é, nem de longe, tão espetacular como a instabilidade. E o fato de se estar satisfeito nada tem da fascinação de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de um combate contra a tentação, ou de uma derrota fatal sob os golpes da paixão ou da dúvida. A felicidade nunca é grandiosa.
(...)
Aldous Huxley

JOAN MIRÓ


domingo, 28 de junho de 2015

O FIO DA GNOSE

Trabalhar em saúde, e mais, em saúde mental, não deveria ser trabalhar para sobreviver (seja no público ou no privado, se bem que no público pagam-nos pelos impostos). Tampouco para enriquecer, amealhar patrimônios à luz do dia. Nada! Levo tudo isso mais a fundo e mais a sério. Nenhum assistencialismo ou cristianismo disfarçado. Me move tão só o trabalho em saúde por não saber o que é saúde , mais ainda por não saber o que é  "saúde mental", mais ainda por não saber o que é"mente". É verdade! Ainda de nada sei, não me contaram, sou o mais ingênuo e isso me empurra na direção de um plano existencial sem rumos e papéis fixos: para onde vai quem e o que não sou? Dos tempos da psicanálise e do psicodrama, até hoje ficou o registro do Encontro, para o bem e para o mal, mas sempre e inevitavelmente o Encontro com pessoas, narrativas, seres, coisas, situações, cidades, escolas, grupos, climas, cheiros, visões, etc. Quando percebo que as paredes do consultório são perfuradas pelas balas da moral e da política, busco na hora do Encontro, tecer uma existência menos conforme o senso comum e mais do que nunca buscadora da ética como potência de viver e da estética como beleza de criar. Toda essa percepção amplificada não impede que eu desça às masmorras do meu próprio exílio, e, em seguida rodopie sobre o corpo liso do pensamento, alçando o átimo de um desejo de alegria que se espraia pelos quatro cantos da terra brasílica devastada e humilhada.

A.M.
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

Fernando Pessoa

O PENSAMENTO VEM DE FORA


UMA NOVA IMAGEM DO PENSAMENTO

Todos os homens são capazes de sonhar, supõe-se. Se acaso houver uma exceção, trata-se de um caso patológico, ou pelo menos de uma originalidade. Todos os homens são capazes de amar e de sofrer. Se acaso houver uma exceção, trata-se de um caso patológico, ou pelo menos de uma estranha originalidade. Quanto ao pensamento, não é tão certo, não é tão evidente, que todos os homens sejam capazes de pensar. Se acaso houver aqueles incapazes para o pensamento, não poderemos considerar uma exceção ou mesmo uma originalidade. Do mesmo modo, quase todos os homens são capazes de falar, e daqueles que não o conseguem, sabemos, – temos certeza -, trata-se de uma questão neurológica ou de uma questão histérica. Mas falar e pensar não são sinônimos; não são equivalentes, porque o ato de fala tem a função explícita de materializar as nossas opiniões. E, entre a opinião e o pensamento, a diferença é tão grande quanto o infinito. As opiniões, as nossas opiniões, associam-se às nossas percepções e às nossas afecções, e estas, percepções e afecções, são reguladas pelos nossos interesses e pelos nossos hábitos. Acrescentando-se, de imediato, que o pensamento não expressa hábitos ou interesses; e, até mais do que isto, o pensamento não é manifestação de sentimentos pessoais, de estados vividos; ou seja, nada tem a ver com a personalidade de cada um. O pensamento é como uma potência, uma força, no âmago de cada sujeito, de cada ser humano: mas inteiramente independente das propriedades do sujeito, do eu pessoal. É como se fosse possível dizer que o pensamento é uma terra estranha, um bosque, um pântano, numa geografia que nos constitui. Quando se fala de pensamento, distingue-se – é preciso distingui-lo -, de outras faculdades do sujeito humano, como o sonho, a percepção, o sentimento. O pensamento é impessoal, e, por ser impessoal, independe da vontade do pensador. Isto é: não começamos a pensar a partir da solicitação da nossa vontade; ou melhor, o ato de pensar não implica uma solicitação pessoal; mas implica a presença de forças de fora; forças que não pertencem ao próprio pensamento, forças que não pertencem ao pensador; forças externas, que forçam o pensamento a pensar. Estranha figura esta, que pressupõe alguma coisa que faz o pensamento pensar.
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Claudio Ulpiano, extraído do site "Centro de Estudos Claudio Ulpiano"
Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre… 
Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida 
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida… 
Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito 
é o mesmo que cravar uma faca no peito. 
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais: 
não amar é sofrer; amar é sofrer mais!

Menotti del Picchia

CELSO FONSECA - Samba é Tudo


INTENSIDADES

O verdadeiro estado amoroso supõe um estado de semiloucura correspondente, de obsessão, determinando uma desordem emocional que vai da mais intensa alegria até à mais cruciante dor, que dá entusiasmo e abatimento, que encoraja e entibia; que faz esperar e desesperar, isto tudo, quase a um tempo, sem que a causa mude de qualquer forma.
(...)
Lima Barreto
HISTÓRIAS

O historiador julga o passado com sua sensibilidade moderna. A sua interpretação, forçosamente falsa, pouco nos ensina. O menor conto, romance, quadro, monumento da época considerada, encerra um ensinamento mais exato.
(...)
Gustave Le Bon