sábado, 3 de março de 2012

SOBRE O MÉTODO DA DIFERENÇA

A   loucura extrapola   os limites  do pensar  médico. Quais as  conseqüências  desse fato?  Ora, se   o   nosso  tema é  o  exame  do chamado portador de  transtorno mental,   nele se  misturam  linhas “normais” e  “anormais”  da subjetividade. O exame passa a ser um não-exame,  um Encontro.  Há,  pois,   que   percorrer  o “como  se  dá” do Encontro, ou seja,  expressar o  que  foge   ao  enquadre   da psiquiatria  científica. Ainda  assim,  não  formulamos   uma   crítica  ao  exame mental  clássico.  Este é apenas  o que é possível  ser. Mas  ele  “pertence” ao  Encontro e não  o contrário. Está  autolimitado pela visão  médica da  subjetividade. Bem  mais,    importa  afirmar um método e um estilo  de operar a clínica. O que fazer da   loucura   ou da angústia?  (...)

Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria

Um comentário:

  1. Dentro de uma questão política, os psicólogos ignoram o Capitalismo, porque pensam no "indivíduo", pensam "individualmente", ainda que falemos de Psicologia Social, por exemplo. Essa, para mim, é a questão central, a questão que faz com que, você, psicólogo, ou futuro psicólogo, não me entenda ou me odeie. Nisso, a produção do sujeito está completamente alienada. Como você irá tratar o sujeito se você ignora a sua produção? Agora, como você aprendeu a obedecer, passou por diversas instituições que lhe condicionaram a isso, já lhe é intrínseco o fato de que "a relação de dominação e sujeição" faz parte. Então, você procura um psicólogo para SUJEITAR-SE, e ele exerce um poder acalentador e sutil sobre você, ora paterno, ora materno, ora amistoso, em qualquer qualidade da transferência. Ora, a "transferência" não deve ser negada, pois as pessoas chegam DENTRO de uma cultura, ou seja, não como implementar uma filosofia de trabalho "contra-cultural" do dia para a noite. A questão é se perguntar: "O que há além da transferência? Ou o que há abaixo dela?" São vetores distintos. O primeiro parte para a potencialidade e o segundo, para a zona de desenvolvimento real. E, vocês, psicólogos, me perguntam: "Para que implantar uma filosofia contra-cultural?" Porque o problema, por mais ínfimo que seja, está no capitalismo. Foi ele que o criou. De alguma maneira ele esmagou desejos, sem perdão. É um moinho. A História está repleta de justificativas. Se vocês nunca leram A Origem do Capital, que leia. O celular que vocês usam adveio de muitas matanças. E, não se preocupem! Quando eles desgastarem, vão parar na África, como lixo tóxico.

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