DEVIRES DA CIÊNCIA
A imagem do progresso é poderosa (...) (...) Até a denúncia da arrogância ocidental, que se acreditou intrinsecamente distinta das outras culturas, não anula a diferença: somos nós que estamos em movimento, que fizemos sofrer e que agora nos tornamos capazes de reconhecer nossos exageros. Nenhuma conclusão "relativista" pode fazer esquecer que, racionalistas ou "relativistas", somos sempre nós que falamos (...)
I. Stengers - do livro A invenção das ciências modernas
Vamos falar de casos concretos: paciente diagnosticada com Transtorno de Humor toma ansiolíticos. Em terapia, relata problemas com a mãe, porque tem uma filha e está desempregada. A mãe é professora e sustenta tudo. As irmãs começam a cobrar dela um a postura mais ativa de se desmembrar da mãe, entretanto, ela está desempregada. A família não compreende o problema, a não ser a mãe, que se diz cansada, mas não se ausenta de ampará-la. A situação se prolonga por um tempo. Durante todo esse período, ela faz a terapia e toma as medicações. Com o tempo, tudo pesa no bolso e a mãe resolve abdicar da terapia e do psiquiatra. Nesse interstício, ela conhece um amor, conhece um rapaz ao estilo dela. Eles se apaixonam. Ele já tem um filho. Ela resolve morar com ele. Formam uma família: ele, o filho; ela, a filha. O que Acontece? Ela própria decidiu não mais tomar a medicação, está mais centrada e está trabalhando. Conversando com ela, não perdi a oportunidade de perguntar a influência da psiquiatria e da psicologia nessa mudança de vida. Ela me disse que apenas “segurava a onda” por um tempo. Mais ainda: é claro, meus caros, que a terapeuta não trabalhou com ela o “mito da sagrada família”, o “modelo familiar capitalista”, a relação entre o desemprego e a percepção das pessoas, formadas dentro do capitalismo. O problema era sempre dela, sempre, sempre, sempre, sempre. A terapia só contribuiu para que ela desabafasse, tivesse um espaço para colocar as angústias. Porém, com o passar da catarse, a terapeuta pontuava para ela “arrumar um emprego” ou “desgarrar-se da mãe”, como se ela quisesse permanecer nesse estado. Quanto ao psiquiatra, ela me disse textualmente: “só me passou o remédio”.
ResponderExcluirCompreendo que foram muitos detalhes de um caso em um Blog, nao seria melhor discutir o caso em grupo de estudo? Desculpe se estou sendo exagerada mas como terepeutas precisamos ter estes cuidados.
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