domingo, 5 de abril de 2026

SER DE ESQUERDA ( em 10 linhas)


1- Considera a realidade em primeiro lugar como percepção do cosmos e do mundo. Tal percepção decresce até o eu, ou ao si mesmo. Daí,  adotar um anti-subjetivismo radical.

2-Estabelece uma visão coletiva e econômica: para viver, há que se cuidar da saúde, habitação, educação, emprego, segurança, justiça, salário... diversão... para todos.

3- Percebe as minorias sociais, não como valor quantitativo, mas como linhas do desejo esmagado, explorado, violentado, oprimido: os negros, as crianças, as mulheres, os indígenas, os gays,  os travestis, e tantos outros...

4- Sabe que  somos todos múltiplos, singularidades existenciais. E que o indivíduo é  produto do poder e não o contrário. Assim, promove um humor escrachado e livre.

5-Combate o modelo da subjetividade européia que colonizou o planeta: homem, hetero, branco, macho. Essa prática leva ao ser de esquerda um combate institucional.  E cotidiano.

6- Encara a geopolítica: esta se baseia numa política do Estado. Por isso resistir à brutalidade do Estado e ao cinismo do Mercado é um ato de liberdade. 

7- Contempla a natureza como produção incessante e inumana de sentido e não como paisagem romântica e bela, ainda que a beleza lhe constitua.

8 -Recusa a política partidária ( mesmo na democracia) quando se expressa como referência (enganosa) de igualdade social e fraternidade universal.

9 -Não acredita em poderes que ultrapassem a dimensão do humano ou os limites da Terra como a nossa morada e o nosso corpo.

10- Desconfia da linguagem erudita, acadêmica, estatal, técnica. Ela é portadora de estratégias de domínio inconfesso. Ao contrário,  exalta a arte como resistência ao poder, à infâmia e à morte.


A.M.



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