sábado, 3 de março de 2012

O PSIQUIATRA COMO REPRODUTOR DE ORDENS IMPLÍCITAS

Assim,  não só o louco é  convertido à categoria de doente  e  o não doente  convertido à categoria de louco,  mas  a psiquiatria   converte-se à   ciência e faz um  trabalho de rescaldo social.  O  que está em jogo    não é o psiquiatra-pessoa. Este obedece, só obedece  (mesmo  sem    saber). A questão  é outra.   São    as relações institucionais,   a   materialidade do ato clínico. O   eu-consciência  sustenta   a psicopatologia. Hoje, a   equação se  alarga.  Temos eu=consciência=cérebro,   base  ontológica    para se passar remédios.   Na ausência  de   uma teoria  psiquiátrica  da subjetividade,  quem responde ao psiquiatra é o “eu-consciência-cérebro”. Este  é  o  “sujeito”.    Eu-consciência para o manejo psicoterápico cognitivista. Cérebro para o  farmacológico, não necessariamente  nesta ordem (...)

Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria   

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