A ESCOLA DA SUBJETIVAÇÃO MEDICALIZADA
(...)A hiperatividade pode ser vista como expressão da inadequação do sistema de ensino às nossas crianças, refletindo a nível da escola os graves problemas sociais que vivenciamos. Ou, ainda à cristalização a nível do indivíduo (micro) das características injustas, autoritárias e inadequadas do sistema escolar (macro). Desta forma, o modelo clínico, ao definir o comportamento como sintoma de uma doença, ou uma disfunção cerebral, naturaliza ou ignora os conflitos a nível do sistema social. As propostas de medicalizar o problema, inclusive com tratamentos medicamentosos, constituem uma forma de controle social. Por outro lado, transfere-se a discussão do comportamento desviante do público leigo para o plano estritamente médico.
(...)
Ana Cecília S.L. Sucupira in Hiperatividade: doença ou rótulo?, 1985
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