sábado, 6 de fevereiro de 2016

QUESTÕES PSICOPATOLÓGICAS

No caps a psicopatologia expressa formas estranhas às taxonomias oficiais, o que faz da clínica um emaranhado de signos a-significantes. Ou seja, à pergunta “O que isso significa?” sucede um vazio de hipóteses diagnósticas preenchido pelo juízo moral das avaliações biomédicas. O lugar do psiquiatra biológico e, portanto, remedeiro, é mantido à disposição, mesmo que, a rigor, não haja quem o preencha. Não importa. Todos, ou quase todos os técnicos o preenchem, já que a psiquiatria biológica tem que “existir” para justificar e autorizar a ação dos dispositivos de controle sobre o paciente. Assim, uma clínica da diferença encontra dificuldades práticas importantes, na medida em que é uma peça constitutiva da psiquiatria clínica, mesmo que funcionando num sentido não homogeneizante. Do outro lado, que é o mesmo lado, há um território dado que é o da clínica que a psiquiatria instituiu de há muito. Nele, os movimentos da diferença (os devires) só brotam, só conseguem emergir na medida em que a psicopatologia funcione com elementos de fora da relação dual (técnico-paciente). Como foi dito, são os fluxos coletivos , as multiplicidades, o real em si mesmo que faz uma psicopatologia e não o contrário. Resumindo, a psicopatologia de um caps é urdida no socius. Do contrário, não será mais que a reprodução soft da forma-hospício.

A.M.

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