O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
sábado, 26 de setembro de 2026
SER DE ESQUERDA ( em 10 linhas)
1- Considera a realidade em primeiro lugar como percepção do cosmos e do mundo. Tal percepção decresce até o eu, ou ao si mesmo. Daí, adotar um anti-subjetivismo radical.
2-Estabelece uma visão coletiva e econômica: para viver, há que se cuidar da saúde, habitação, educação, emprego, segurança, justiça, salário... diversão... para todos.
3- Percebe as minorias sociais, não como valor quantitativo, mas como linhas do desejo esmagado, explorado, violentado, oprimido: os negros, as crianças, as mulheres, os indígenas, os gays, os travestis, e tantos outros...
4- Sabe que somos todos múltiplos, singularidades existenciais. E que o indivíduo é produto do poder e não o contrário. Assim, promove um humor escrachado e livre.
5-Combate o modelo da subjetividade européia que colonizou o planeta: homem, hetero, branco, macho. Essa prática leva ao ser de esquerda um combate institucional. E cotidiano.
6- Encara a geopolítica: esta se baseia numa política do Estado. Por isso resistir à brutalidade do Estado e ao cinismo do Mercado é um ato de liberdade.
7- Contempla a natureza como produção incessante e inumana de sentido e não como paisagem romântica e bela, ainda que a beleza lhe constitua.
8 -Recusa a política partidária ( mesmo na democracia) quando se expressa como referência (enganosa) de igualdade social e fraternidade universal.
9 -Não acredita em poderes que ultrapassem a dimensão do humano ou os limites da Terra como a nossa morada e o nosso corpo.
10- Desconfia da linguagem erudita, acadêmica, estatal, técnica. Ela é portadora de estratégias de domínio inconfesso. Ao contrário, exalta a arte como resistência ao poder, à infâmia e à morte.
A.M.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
MIL SABERES
Um trabalho transdisciplinar na Clínica começa com o devir, ou seja, com o encontro (conteúdo desejante) entre os saberes. Isso significa antes de tudo a dissolução das fronteiras entre as disciplinas e os papéis profissionais.Um devir-loucura cria um espaço-tempo onde estão suspensas as certezas estabelecidas sobre o paciente, inclusive o conceito deste e as suas atualizações técnicas. A implicação do técnico com a clínica é parte dela mesma e motor-combustível à prática. Esta pode (e deve) ser também teórica, pois o pensamento define as linhas do real. Que tipo de real? O virtual, as virtualidades que formigam aqui e ali na produção do inconsciente. Desse modo, para além dos espaços fechados do organismo, o conceito de loucura estabelece compromissos éticos e clínicos.
(...)
A.M. in Trair a Psiquiatria
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
domingo, 13 de setembro de 2026
Qual psiquiatria?
Há na psiquiatria atual, hegemônica, uma clínica a ser inventada.
A clínica como lugar de resistência à violência simbólica ou real, aos manicômios da alma e à violência implícita do sistema do capital.
Para isso o trabalho da psiquiatria pode oferecer um sentido ao Encontro com a loucura dos pacientes. E com a nossa.
Para os multissintomáticos graves, gravíssimos, medicar com precisão e método, arte e intuição. Muito difícil, pois é uma jornada solitária.
O psiquiatra e os mil afetos no exame do paciente. E na construção do Cuidado.
Ser mais um técnico em saúde mental, buscar relações não hierarquizadas com os técnicos em saúde mental.
Usar o diagnóstico psiquiátrico como função terapêutica e não como estigma e controle moral.
Avaliar os sinais delicados da psicopatologia na inserção subjetiva da realidade social. A pergunta (ampla) : como você vive?
Sempre que possível, reagir às agressões farmacológicas antes sofridas. Tal atitude requer mudanças de prescrição e orientação técnica ao paciente, familiares ou terceiros.
Diante do paciente, evitar ocupar o lugar de juiz, policial, professor ou sacerdote, entre outros. Ser técnico já é muito.
Entrar no delírio (se for o caso) com o paciente, não no lugar dele. Não confirmar o delirio, mas aceitar o delirante.
Valorizar a psicoterapia, antes como atitude, arte e depois como técnica.
Valorizar a arte como estilo, modo de viver.
Fazer uma psiquiatria menor e sensivel aos fluxos do mundo.
A.M.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Xeque-mate
Quando menos se espera, já são horas.
A dama de espadas perde o gume
e o pássaro pousado vai embora.
Quando menos se espera, o que se anuncia
não é a sorte grande, a estrela Aldebarã
ou a sagração da primavera.
São tempos de abutre
e o coração, músculo bélico, fraqueja.
De repente, já é sábado,
há uns assuntos desagradáveis para resolver
e, sobre a pele confusa da alma,
uma densa crosta de óxido e desalento.
Quando menos se espera, o rei está em xeque,
e é dezembro.
Há uma complicação de trânsito
na avenida
uma artéria que não dá passagem.
Quando menos se espera, já é tarde.
Carlos Machado