quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Dia 4 contra a barbárie dos racistas, homofóbicos, misóginos, supermacistas e neofascistas

 Dia 4 contra a barbárie da extrema direita

MIL  SABERES

Um trabalho transdisciplinar na Clínica começa com o devir, ou seja, com o encontro (conteúdo desejante) entre os saberes. Isso significa antes de tudo a dissolução das fronteiras entre as disciplinas e os papéis profissionais.Um devir-loucura cria um espaço-tempo onde estão suspensas as certezas estabelecidas sobre o paciente, inclusive o conceito deste e as suas atualizações técnicas. A implicação do técnico com a clínica é parte dela mesma e motor-combustível à prática. Esta pode (e deve) ser também teórica, pois o pensamento define as linhas do real. Que tipo de real? O virtual, as virtualidades que formigam aqui e ali na produção do inconsciente. Desse modo, para além dos espaços fechados do organismo, o conceito de loucura estabelece compromissos éticos e clínicos.  

(...)

A.M. in Trair a Psiquiatria

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Quem


O rosto da mulher
ausente
nasce nos becos
das almas errantes. 

Será ele
o romântico perdido
entre ruas
e ritmos?

 

A.M.

domingo, 13 de setembro de 2026

 

Qual psiquiatria?


Há na psiquiatria atual, hegemônica, uma clínica a ser inventada. 

A clínica como lugar de resistência à violência simbólica ou real, aos manicômios da alma e à violência implícita do sistema do capital.

Para isso o trabalho da psiquiatria pode oferecer um sentido ao Encontro com a loucura dos pacientes.  E com a nossa. 

Para os multissintomáticos graves, gravíssimos, medicar com precisão e método, arte e intuição. Muito difícil,  pois é uma jornada solitária.

O psiquiatra e os mil afetos no exame do paciente. E na construção do  Cuidado.

Ser mais um técnico em saúde mental, buscar relações não hierarquizadas com os técnicos em saúde mental.

Usar o diagnóstico psiquiátrico como função terapêutica e não como estigma e controle moral.

Avaliar os sinais delicados da psicopatologia na inserção subjetiva da realidade social. A pergunta (ampla) : como você vive?

Sempre que possível, reagir às agressões farmacológicas antes sofridas. Tal atitude requer mudanças de prescrição e orientação técnica ao paciente, familiares ou terceiros.

Diante do paciente, evitar ocupar o lugar de juiz, policial, professor ou sacerdote, entre outros. Ser técnico já é muito.

Entrar no delírio (se for o caso) com o paciente, não no lugar dele. Não confirmar o delirio, mas aceitar o delirante.

Valorizar a psicoterapia, antes como atitude, arte e depois como técnica.

Valorizar a arte como estilo,  modo de viver.

Fazer uma psiquiatria menor e sensivel  aos fluxos do mundo.


A.M.






quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mundo em nós


Espinosa, Nietszche, Marx, Deleuze, Guattari e Foucault: seis pensadores que tem algo em comum, ao modo explícito e ao mesmo tempo secreto. O que seria?

A ligação com o mundo, ligação direta com o mundo. 

Para além da fenomenologia.


A.M.


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 Xeque-mate


Quando menos se espera, já são horas.

A dama de espadas perde o gume

e o pássaro pousado vai embora. 


Quando menos se espera, o que se anuncia

não é a sorte grande, a estrela Aldebarã

ou a sagração da primavera.

São tempos de abutre

e o coração, músculo bélico, fraqueja. 


De repente, já é sábado,

há uns assuntos desagradáveis para resolver

e, sobre a pele confusa da alma,

uma densa crosta de óxido e desalento.


Quando menos se espera, o rei está em xeque,

e é dezembro.

Há uma complicação de trânsito

na avenida

uma artéria que não dá passagem.

Quando menos se espera, já é tarde.


Carlos Machado

sábado, 5 de setembro de 2026

Ser de  esquerda - 3 ( em 10 linhas)


1-Considerar a "irreversibilidade do tempo" um conceito chave para compreender e fazer surgir a novidade;  o tempo é criação ou não é nada ( Bergson ).

2-Nas práticas político-institucionais (igrejas, escolas, empresas, prisões, etc) usar a camuflagem como função guerreira. Não viver na sombra , mas "ser a sombra".

3-Deixar-se levar por uma poética em mil fluxos emaranhados na linguagem (banal) do cotidiano.

4-Escrever, escrever pelos que não escrevem, mas gritam. Não representá-los mas tecer alianças entre almas errantes: o coletivo em nós, a extradição do eu.

5-Observar linhas ínfimas na forma de uma pessoa, de modo que não seja mais uma pessoa, senão acontecimento; o verbo no infinitivo: "amar"  ao invés de "amor".

6-Não discutir com fascistas, neofascistas, supremacistas, nazistas, em suma, extremistas de direita. Usar o silêncio como um estrondo.

7-Recusar qualquer sentimento de idolatria, mesmo em relação a figuras humanas de muitíssimo valor e produtividade coletiva.

8-Execrar e expulsar a sentimentalidade burguesa atuante nos estratos capitalísticos e principalmente em nós mesmos.

9-Abandonar o uso dos termos "direita" e "esquerda", ainda que os guarde como tijolos para o ato de pensar.

10 -Experimentar modos empáticos em subjetividades ditas  "estranhas" :  indígenas, transsexuais, paranormais, místicos,"freaks", autistas, esquizos...


A.M.


domingo, 30 de agosto de 2026