O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sábado, 24 de outubro de 2026
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Quando ouvi o astrônomo erudito
Quando ouvi o astrônomo erudito,
Quando as provas, os números foram enfileirados diante de mim,
Quando me foram mostrados os mapas e diagramas a somar, dividir e medir,
Quando, sentado, ouvia o astrônomo muito aplaudido, na sala de conferências,
Senti-me logo inexplicavelmente cansado e enfermo,
Até que me levantei e saí, parecendo sem rumo
No ar úmido e místico da noite, e repetidas vezes
Olhei em perfeito silêncio para as estrelas.
Walt Whitman
terça-feira, 20 de outubro de 2026
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Como identificar um fascista ?
Na experiência fascista está embutida a questão da verdade. Sob condições sócio-históricas e politicas muito amplas, isso conduz o destino de milhões: o Estado, a Nação, o Povo, o Poder, o Capital.. A clínica psicopatológica diz: o fascismo não parece um delírio, ele é um delírio que organiza o próprio juízo ( para não perdê-lo) e ajuda o seu portador a produzir um sentido para a realidade atual do mundo. O fascista, servo-devoto da pulsão de morte e executante do método fascista, é vizinho do paranóico, habitando o universo clínico da psiquiatria sem ser notado. Suas funções cognitivas estão intactas. Ao exame de sanidade mental, doença zero. Então, identificá-lo talvez passe por categorias psiquiátricas, mas necessita ir além, onde as linhas desejantes confluem em certezas densas ou verdades absolutas. A forma-Religião traz afetos profundos e fixa uma crispação egóica. Eu sou Deus. O fascista se reconhece como identidade poderosa e qualifica a si mesmo como portador de uma mensagem de salvação política. Nas dobras da alma e na superfície da prática social, a tal identidade torna-se a verdade de cada um, ou seja, do indivíduo, ainda que o mais frágil ou por isso mesmo. Pseudo-poder, universo privado, mundinho do eu. Assim se fecha o circuito da verdade fabricada como território de sentido: isso é a vida, dir-se-ia... Caso ela desmorone, virá a tona a face suicidária do sentimento fascista, como se evidencia nas guerras dos estados suicidários, exemplo da Alemanha na segunda-guerra.
A.M.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
sábado, 26 de setembro de 2026
SER DE ESQUERDA ( em 10 linhas)
1- Considera a realidade em primeiro lugar como percepção do cosmos e do mundo. Tal percepção decresce até o eu, ou ao si mesmo. Daí, adotar um anti-subjetivismo radical.
2-Estabelece uma visão coletiva e econômica: para viver, há que se cuidar da saúde, habitação, educação, emprego, segurança, justiça, salário... diversão... para todos.
3- Percebe as minorias sociais, não como valor quantitativo, mas como linhas do desejo esmagado, explorado, violentado, oprimido: os negros, as crianças, as mulheres, os indígenas, os gays, os travestis, e tantos outros...
4- Sabe que somos todos múltiplos, singularidades existenciais. E que o indivíduo é produto do poder e não o contrário. Assim, promove um humor escrachado e livre.
5-Combate o modelo da subjetividade européia que colonizou o planeta: homem, hetero, branco, macho. Essa prática leva ao ser de esquerda um combate institucional. E cotidiano.
6- Encara a geopolítica: esta se baseia numa política do Estado. Por isso resistir à brutalidade do Estado e ao cinismo do Mercado é um ato de liberdade.
7- Contempla a natureza como produção incessante e inumana de sentido e não como paisagem romântica e bela, ainda que a beleza lhe constitua.
8 -Recusa a política partidária ( mesmo na democracia) quando se expressa como referência (enganosa) de igualdade social e fraternidade universal.
9 -Não acredita em poderes que ultrapassem a dimensão do humano ou os limites da Terra como a nossa morada e o nosso corpo.
10- Desconfia da linguagem erudita, acadêmica, estatal, técnica. Ela é portadora de estratégias de domínio inconfesso. Ao contrário, exalta a arte como resistência ao poder, à infâmia e à morte.
A.M.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
MIL SABERES
Um trabalho transdisciplinar na Clínica começa com o devir, ou seja, com o encontro (conteúdo desejante) entre os saberes. Isso significa antes de tudo a dissolução das fronteiras entre as disciplinas e os papéis profissionais.Um devir-loucura cria um espaço-tempo onde estão suspensas as certezas estabelecidas sobre o paciente, inclusive o conceito deste e as suas atualizações técnicas. A implicação do técnico com a clínica é parte dela mesma e motor-combustível à prática. Esta pode (e deve) ser também teórica, pois o pensamento define as linhas do real. Que tipo de real? O virtual, as virtualidades que formigam aqui e ali na produção do inconsciente. Desse modo, para além dos espaços fechados do organismo, o conceito de loucura estabelece compromissos éticos e clínicos.
(...)
A.M. in Trair a Psiquiatria