O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
quarta-feira, 27 de maio de 2026
sábado, 23 de maio de 2026
A MEDICALIZAÇÃO SEM FIM
Fenômeno típico da sociedade industrial capitalística "avançada", a medicalização corresponde a expressão da medicina no campo social.
Tal afirmação soa rasa e superficial se se limitar à medicina como ramo da ciência atrelado aos ideais iluministas ( a razão científica) e humanistas ( o homem como medida das coisas).
Ao contrário, a medicalização da vida social é uma instituição. E como toda instituição, só funciona em conexão com outras instituições, no caso, o Estado, a Ciência, a Mídia, a Política, a Economia, etc.
Desse modo ela desenvolve a função de ocultar (ou maquiar) a divisão de classes. Isso é constitutivo do Capitalismo Mundial integrado (F. Guattari, 1981) e alavanca seus valores e códigos às custas de uma subjetividade-do-capital atualizada via internet.
Mas não se trata aqui de uma afirmação idealista calcada no pensamento de Marx, e sim de uma percepção do real em si mesmo, o que existe.
O que existe são imagens de imagens de imagens circulando enlouquecidas rumo a um lucro capitalístico infinito. Então, para que serve o real se ele foi "anexado" à loucura como o fim último da produção?
Não existe mais o "social", a socialidade. O capital abarcou tudo, engoliu tudo.
Assim, de volta à medicalização da vida social que é a "vida do capital": ela é esse "infinito" expresso na luta entre os virus e as vacinas, entre as bactérias e os antibióticos, entre a doença e a saúde, entre a morte e a vida... tudo pela expansão metastática do lucro.
A.M.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
terça-feira, 19 de maio de 2026
sábado, 16 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
sábado, 9 de maio de 2026
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Fundamentos políticos da inter-disciplinaridade
(...)
A transdisciplinaridade, como movimento interno de transformação das ciências, aberta para o social, o estético e o ético, não nascerá espontaneamente. A vida científica internacional fica, freqüentemente, presa a rituais formais, numa interdisciplinaridade de fachada. Seu aprofundamento implica numa permanente “pesquisa sobre a pesquisa”, uma experimentação de novas vias de constituição de agrupamentos coletivos de enunciação. Não apenas equipes pluridisciplinares devem funcionar, se necessário por períodos às vezes longos, ou de acordo com ritmos temporais apropriados, como a questão de sua implantação, de seus campos de investigação, da integração de sua atividade com o meio ambiente humano será freqüentemente discutida. Por exemplo, no domínio da cooperação com os países em via de desenvolvimento, os especialistas freqüentemente caíram de pára-quedas em terrenos sociais que não estavam preparados para recebê-los e que eles não estavam preparados para encontrar. Sob este aspecto, a análise dos fracassos seria bastante enriquecedora. O saber agrônomo, médico, ecológico, da arquitetura, deve ser, de alguma forma, reinventado a cada situação concreta. Daí, como corolário, a importância de se prepararem monografias traçando o percurso inicial de uma experiência, suas fases positivas e negativas, as bifurcações que caracterizam a formação do que chamei de agenciamentos coletivos de enunciação.
Não existe uma pedagogia geral com relação à constituição de uma transdisciplinaridade viva. Deve-se levar em conta a iniciativa, o gosto pelo risco, a fuga de esquemas pré-estabelecidos, a maturidade da personalidade (mesmo tratando-se de pessoas muito jovens). Ainda uma vez, teremos mais a ganhar ao nos referirmos neste depoimento ao processo de criação estética do que às visões padronizadas, planificadas, burocratizadas que reinam freqüentemente nos centros de pesquisas científicas, nos laboratórios e nas universidades.
Félix Guattari /1992
