O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
quinta-feira, 12 de março de 2026
A DIFERENÇA NA PSICOPATOLOGIA
(...)
Retornemos ao borderline: ele pode ser considerado como a instabilidade em pessoa concretizada em impulsos violentos e tão surpreendentes quanto danosos ao outro. Os afetos parecem vir em estágio bruto e numa corredeira sem freios. O encontro é com um chão movente. Não há um ou mais problemas, mas uma problematização contínua. Não se trata de um mero jogo de palavras. É toda a inserção no mundo, e mais, o seu mundo constituído que é o da instabilidade afetiva. Ao falar de si num tom de passado e no fulcro das relações afetivas, fica evidente o dado assombroso que é o da inexistência de um território onde enganchar a relação pessoal, um vínculo. Um vazio brutal lhe constitui. Um paciente afundado na solidão? Não é possível vê-lo desse modo, pois seria fincar a estaca da moldura humanista sobre uma alma em desgoverno. O encontro com a loucura não é um exame das funções psíquicas nem do comportamento observável. O encontro é um devir, aquilo que tenta captar do paciente fluxos do desejo. O paciente não se reduz ao eu, ainda que este esteja preservado. Ele consegue falar, dizer como está, conversar. Seu corpo oscila entre uma inexpressão e uma expressividade dramática. Contudo, a dramaticidade não é “fingida”. Assume seu discurso com se fosse ele próprio levado por uma onda de emoção. Adiante, sem que se lhe estimule, estanca o ritmo e se faz imóvel numa atitude que suscita dúvidas. Elas oscilam entre o que diz de si e o que se esconde em dobras subjetivas opacas. O borderline é um ser errante de difícil ajuda pelo aparelho biomédico. Talvez seja usado algum remédio químico. Aí ele se curva para além das dobras a que aludimos. Torna-se paciente de um cansaço adicional (a sedação) ante saídas difíceis da problemática. As linhas singulares estão fora das categorizações da CID-10 ou de outras classificações. Sob a ótica da diferença, o paciente é um mundo inexplorado e ainda não humanizado. Não há pureza nessa concepção. Trata-se de espreitá-lo tanto quanto se conseguir escapar do clichê médico. Examinar o borderline é se pôr fora das definições do que é ou não o limite, o corte, a fronteira entre a saúde e a doença, o anormal e o anormal, a potência e a impotência. Para isso ser possível, a experiência do contato com a loucura é essencial. Não é preciso ser louco ou ficar louco, mas sim entrar num devir-loucura, tornar-se loucura se o propósito é ajudar, acolher, criar. Tal disposição não costuma ser bem vinda nas organizações promotoras da fé numa racionalidade apaziguadora. Isso inclui a psiquiatria e suas agências de apoio à promoção de uma felicidade quimicamente induzida. No entanto, entramos num terreno onde a química não resolve, e pior, oferece a sedação como simulacro da morte. Desse modo, o encontro com a loucura precede o encontro com o paciente...
(...)
A.M. in Trair a psiquiatria
terça-feira, 10 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
Miguel aos 15
1
amigo sabedoria
da alegria
2
corrida de taxi
driver e música
3
lágrimas na chuva
blade runner
4
riso do batman
sumido e roubado
5
natureza mui bela
perigosa travessia
6
universo da fala
verso encantado
7
trilhas sonoras
a hora do sonho
8
altura e elegância
palavras doces
9
ovnis à mão cheia
no céu da boca
10
filosofias na pele
por toda a parte
11
êxtase no mistério
estrelas e planetas
12
jesus aqui agora
o que diria?
13
capitalismo for ever
nem pensar
14
amigos gregos
enigmas e luzes
15
potências da arte
tatuadas no desejo
A.M.
domingo, 8 de março de 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
<iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/WZ_XaNVTHYY?si=R0V60zWTI_Y2jzhH" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
O ENCONTRO REAL
Quando se diz "relações interpessoais", está embutido o conceito de "pessoa humana" de origem intrinsecamente cristã. No entanto, ao se pensar o encontro entre duas pessoas, é possível agenciar o Encontro entre multiplicidades, aquele que remete ao movimento dos corpos (visíveis e invisíveis) enfiados no livre fluxo dos acontecimentos. Trata-se de uma torção do discurso, um desvio da fala banal em prol dos afetos e da potência de ser afetado. Silêncio! A chamada pessoa já não se sustenta, já não recolhe energia de uma suposta unidade de ação (o eu, a consciência...), exceto se estiver sob a égide dos códigos estabelecidos em dispositivos de controles tecno-burocráticos ou de despotismos morais. De todo modo, o Encontro real é composto por linhas de singularização que se ligam umas às outras, constroem territórios afetivos e ficam à espreita... Então, a coisa é assim: cada pessoa não é una, não é uniforme, mas múltipla, multiplicada e multiplicante por "n" mil. Seja o objeto de uma paixão. Não é o objeto o que importa ou o que faz funcionar o mundo e o universo, não é o que encanta e faz renascer a realidade a cada segundo, mas os signos que são enviados por ele (sem cessar) para o amante. Tampouco este é "uma pessoa", mas uma multiplicidade de linhas afetivas movidas à alegria em viagens de perdição. É o segredo revelado no cerne do Encontro real entre o Amante e o Objeto da sua paixão. Ou melhor seria dizer: o encontro com a paixão por seu objeto. Tudo passa, pois, pelos signos e pela força de sua expressão livre nos cantos e encantos de uma natureza impassível e esplendorosa. É a arte do encontro, um alumbramento.
A.M.
domingo, 1 de março de 2026
Gilles Deleuze sobre a Palestina (1978)
por Amálgama (08/01/2009)
Publicado originalmente no Le Monde (7/4/1978) e, depois, em Deux régimes de fous: Textes et entretiens, 1975-1995 (Minuit, 2003), org. de David Lapoujade. Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além […]
Publicado originalmente no Le Monde (7/4/1978) e, depois, em
Deux régimes de fous: Textes et entretiens, 1975-1995 (Minuit, 2003), org. de David Lapoujade.
Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
No conflito Israel-Palestina, as ações dos israelenses são consideradas retaliação legítima (mesmo que seus ataques sejam desproporcionais); e as ações dos palestinos são, sem exceção, tratadas como crimes terroristas. Um palestino morto jamais interessa tanto, nem tem o mesmo impacto, que um israelense morto.
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi ato de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de fato, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestina, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).
Um povo sem terra e sem Estado, como o palestino, é como uma espécie de leme, que dá a direção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio econômico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
Os militantes palestinos têm dito que teriam conseguido arrancar, no Líbano, alguma espécie de vitória. No sul Líbano, só havia grupos de resistência, que se comportaram muito bem sob ataque. A invasão israelense, por sua vez, atacou cegamente refugiados palestino e agricultores libaneses, população pobre, que vive da terra. Já se confirmou que cidades foram arrasadas e que civis inocentes foram massacrados. Várias fontes informam que se usaram bombas de fragmentação.
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelenses, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e atos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagam pelas estradas.
O Estado de Israel está usando, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está “palestinizando” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinos nasceram dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas. Não é por termos um relacionamento com o Líbano que dizemos: Israel está massacrando um país frágil e complexo. E há mais.
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.
A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos necessariamente levará a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.
Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.
Há marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução que o mandava sair dos territórios ocupados em direito de construir colônias!
Achou que seria excelente ideia manter uma força de paz no sul do Líbano… desde que essa força, em vez do exército israelense, transformasse a região em área militar, sob controle policial, um deserto em matéria de segurança.
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De fato, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.
Tradução a partir do inglês: Caia Fittipaldi.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
O ENGODO
O CMI (Capitalismo Mundial Integrado), sabemos, abarca tudo, abrange tudo, inclusive você que me lê e, óbvio, o futebol.
Pelo mundo afora, a Coisa captura clubes de massa.
Suas torcidas são usadas e manipuladas com o fim do lucro e da expansão infinita dos mecanismos de exploração do capital.
A vida é um grito de gol.
Mas o desejo sofre por ser interrompido.
O que os capitalistas não sacam (ou não conseguem) é que existe Torcida e torcida.
No grande negócio do City Footbaal Group com o Bahia a parte da Torcida ( gols, vitórias e títulos) não está sendo cumprida.
Há um cheiro de trapaça.
Não fique surpreso: milhões de bumerangues no seio da Torcida Tricolor podem ser disparados...
A.M.
