O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
domingo, 13 de setembro de 2026
Qual psiquiatria?
Há na psiquiatria atual, hegemônica, uma clínica a ser inventada.
A clínica como lugar de resistência à violência simbólica ou real, aos manicômios da alma e à violência implícita do sistema do capital.
Para isso o trabalho da psiquiatria pode oferecer um sentido ao Encontro com a loucura dos pacientes. E com a nossa.
Para os multissintomáticos graves, gravíssimos, medicar com precisão e método, arte e intuição. Muito difícil, pois é uma jornada solitária.
O psiquiatra e os mil afetos no exame do paciente. E na construção do Cuidado.
Ser mais um técnico em saúde mental, buscar relações não hierarquizadas com os técnicos em saúde mental.
Usar o diagnóstico psiquiátrico como função terapêutica e não como estigma e controle moral.
Avaliar os sinais delicados da psicopatologia na inserção subjetiva da realidade social. A pergunta (ampla) : como você vive?
Sempre que possível, reagir às agressões farmacológicas antes sofridas. Tal atitude requer mudanças de prescrição e orientação técnica ao paciente, familiares ou terceiros.
Diante do paciente, evitar ocupar o lugar de juiz, policial, professor ou sacerdote, entre outros. Ser técnico já é muito.
Entrar no delírio (se for o caso) com o paciente, não no lugar dele. Não confirmar o delirio, mas aceitar o delirante.
Valorizar a psicoterapia, antes como atitude, arte e depois como técnica.
Valorizar a arte como estilo, modo de viver.
Fazer uma psiquiatria menor e sensivel aos fluxos do mundo.
A.M.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Xeque-mate
Quando menos se espera, já são horas.
A dama de espadas perde o gume
e o pássaro pousado vai embora.
Quando menos se espera, o que se anuncia
não é a sorte grande, a estrela Aldebarã
ou a sagração da primavera.
São tempos de abutre
e o coração, músculo bélico, fraqueja.
De repente, já é sábado,
há uns assuntos desagradáveis para resolver
e, sobre a pele confusa da alma,
uma densa crosta de óxido e desalento.
Quando menos se espera, o rei está em xeque,
e é dezembro.
Há uma complicação de trânsito
na avenida
uma artéria que não dá passagem.
Quando menos se espera, já é tarde.
Carlos Machado
terça-feira, 8 de setembro de 2026
sábado, 5 de setembro de 2026
Ser de esquerda - 3 ( em 10 linhas)
1-Considerar a "irreversibilidade do tempo" um conceito chave para compreender e fazer surgir a novidade; o tempo é criação ou não é nada ( Bergson ).
2-Nas práticas político-institucionais (igrejas, escolas, empresas, prisões, etc) usar a camuflagem como função guerreira. Não viver na sombra , mas "ser a sombra".
3-Deixar-se levar por uma poética em mil fluxos emaranhados na linguagem (banal) do cotidiano.
4-Escrever, escrever pelos que não escrevem, mas gritam. Não representá-los mas tecer alianças entre almas errantes: o coletivo em nós, a extradição do eu.
5-Observar linhas ínfimas na forma de uma pessoa, de modo que não seja mais uma pessoa, senão acontecimento; o verbo no infinitivo: "amar" ao invés de "amor".
6-Não discutir com fascistas, neofascistas, supremacistas, nazistas, em suma, extremistas de direita. Usar o silêncio como um estrondo.
7-Recusar qualquer sentimento de idolatria, mesmo em relação a figuras humanas de muitíssimo valor e produtividade coletiva.
8-Execrar e expulsar a sentimentalidade burguesa atuante nos estratos capitalísticos e principalmente em nós mesmos.
9-Abandonar o uso dos termos "direita" e "esquerda", ainda que os guarde como tijolos para o ato de pensar.
10 -Experimentar modos empáticos em subjetividades ditas "estranhas" : indígenas, transsexuais, paranormais, místicos,"freaks", autistas, esquizos...
A.M.
domingo, 30 de agosto de 2026
sábado, 29 de agosto de 2026
O Capitalismo Mundial Integrado (CMI)
Para Guattari, o capitalismo contemporâneo é mundial e integrado porque ele ultrapassou as barreiras das fábricas e das fronteiras físicas. O CMI não coloniza apenas territórios; ele coloniza a subjetividade humana, transformando desejos, culturas e modos de vida em mercadorias serializadas. Ele exige uma homogeneização global para que o mercado funcione sem fricção.
IA /2908/2026
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
COMO FAZER A DIFERENÇA?
(...) Tirar a diferença de seu estado de maldição parece ser, assim, a tarefa da filosofia da diferença. Não poderia a diferença tornar-se um organismo harmonioso e relacionar a determinação com outras determinações numa forma, isto é, no elemento coerente de uma representação orgânica? Como "razão", o elemento da representação tem quatro aspectos principais: a identidade na forma do conceito indeterminado, a analogia na relação entre conceitos determináveis últimos, a oposição na relação das determinações no interior do conceito, a semelhança no objeto determinado do próprio conceito. Estas formas são como que as quatro cabeças ou os quatro liames da mediação. Diz-se que a diferença é "mediatizada" na medida em que se chega a submetê-la à quadrupla raiz da identidade e da oposição, da analogia e da semelhança. A partir de uma primeira impressão (a diferença é o mal), propõe-se "salvar" a diferença, representando-a e, para representá-la, relaciona-la às exigências do conceito em geral.
(...)
Gilles Deleuze in Diferença e Repetição