O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
domingo, 13 de setembro de 2026
Qual psiquiatria?
Há na psiquiatria atual, hegemônica, uma clínica a ser inventada.
A clínica como lugar de resistência à violência simbólica ou real, aos manicômios da alma e à violência implícita do sistema do capital.
Para isso o trabalho da psiquiatria pode oferecer um sentido ao Encontro com a loucura dos pacientes. E com a nossa.
Para os multissintomáticos graves, gravíssimos, medicar com precisão e método, arte e intuição. Muito difícil, pois é uma jornada solitária.
O psiquiatra e os mil afetos no exame do paciente. E na construção do Cuidado.
Ser mais um técnico em saúde mental, buscar relações não hierarquizadas com os técnicos em saúde mental.
Usar o diagnóstico psiquiátrico como função terapêutica e não como estigma e controle moral.
Avaliar os sinais delicados da psicopatologia na inserção subjetiva da realidade social. A pergunta (ampla) : como você vive?
Sempre que possível, reagir às agressões farmacológicas antes sofridas. Tal atitude requer mudanças de prescrição e orientação técnica ao paciente, familiares ou terceiros.
Diante do paciente, evitar ocupar o lugar de juiz, policial, professor ou sacerdote, entre outros. Ser técnico já é muito.
Entrar no delírio (se for o caso) com o paciente, não no lugar dele. Não confirmar o delirio, mas aceitar o delirante.
Valorizar a psicoterapia, antes como atitude, arte e depois como técnica.
Valorizar a arte como estilo, modo de viver.
Fazer uma psiquiatria menor e sensivel aos fluxos do mundo.
A.M.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Xeque-mate
Quando menos se espera, já são horas.
A dama de espadas perde o gume
e o pássaro pousado vai embora.
Quando menos se espera, o que se anuncia
não é a sorte grande, a estrela Aldebarã
ou a sagração da primavera.
São tempos de abutre
e o coração, músculo bélico, fraqueja.
De repente, já é sábado,
há uns assuntos desagradáveis para resolver
e, sobre a pele confusa da alma,
uma densa crosta de óxido e desalento.
Quando menos se espera, o rei está em xeque,
e é dezembro.
Há uma complicação de trânsito
na avenida
uma artéria que não dá passagem.
Quando menos se espera, já é tarde.
Carlos Machado
terça-feira, 8 de setembro de 2026
sábado, 5 de setembro de 2026
Ser de esquerda - 3 ( em 10 linhas)
1-Considerar a "irreversibilidade do tempo" um conceito chave para compreender e fazer surgir a novidade; o tempo é criação ou não é nada ( Bergson ).
2-Nas práticas político-institucionais (igrejas, escolas, empresas, prisões, etc) usar a camuflagem como função guerreira. Não viver na sombra , mas "ser a sombra".
3-Deixar-se levar por uma poética em mil fluxos emaranhados na linguagem (banal) do cotidiano.
4-Escrever, escrever pelos que não escrevem, mas gritam. Não representá-los mas tecer alianças entre almas errantes: o coletivo em nós, a extradição do eu.
5-Observar linhas ínfimas na forma de uma pessoa, de modo que não seja mais uma pessoa, senão acontecimento; o verbo no infinitivo: "amar" ao invés de "amor".
6-Não discutir com fascistas, neofascistas, supremacistas, nazistas, em suma, extremistas de direita. Usar o silêncio como um estrondo.
7-Recusar qualquer sentimento de idolatria, mesmo em relação a figuras humanas de muitíssimo valor e produtividade coletiva.
8-Execrar e expulsar a sentimentalidade burguesa atuante nos estratos capitalísticos e principalmente em nós mesmos.
9-Abandonar o uso dos termos "direita" e "esquerda", ainda que os guarde como tijolos para o ato de pensar.
10 -Experimentar modos empáticos em subjetividades ditas "estranhas" : indígenas, transsexuais, paranormais, místicos,"freaks", autistas, esquizos...
A.M.
domingo, 30 de agosto de 2026
sábado, 29 de agosto de 2026
O Capitalismo Mundial Integrado (CMI)
Para Guattari, o capitalismo contemporâneo é mundial e integrado porque ele ultrapassou as barreiras das fábricas e das fronteiras físicas. O CMI não coloniza apenas territórios; ele coloniza a subjetividade humana, transformando desejos, culturas e modos de vida em mercadorias serializadas. Ele exige uma homogeneização global para que o mercado funcione sem fricção.
IA /2908/2026
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
COMO FAZER A DIFERENÇA?
(...) Tirar a diferença de seu estado de maldição parece ser, assim, a tarefa da filosofia da diferença. Não poderia a diferença tornar-se um organismo harmonioso e relacionar a determinação com outras determinações numa forma, isto é, no elemento coerente de uma representação orgânica? Como "razão", o elemento da representação tem quatro aspectos principais: a identidade na forma do conceito indeterminado, a analogia na relação entre conceitos determináveis últimos, a oposição na relação das determinações no interior do conceito, a semelhança no objeto determinado do próprio conceito. Estas formas são como que as quatro cabeças ou os quatro liames da mediação. Diz-se que a diferença é "mediatizada" na medida em que se chega a submetê-la à quadrupla raiz da identidade e da oposição, da analogia e da semelhança. A partir de uma primeira impressão (a diferença é o mal), propõe-se "salvar" a diferença, representando-a e, para representá-la, relaciona-la às exigências do conceito em geral.
(...)
Gilles Deleuze in Diferença e Repetição
domingo, 23 de agosto de 2026
sábado, 22 de agosto de 2026
Subjetividade nazi - fascista à brasileira
Pensar a formação histórico-patriarcal brasileira inscrita na Realidade é condição para compreender a subjetividade (ou subjetivação) atual.
Subjetivar o mundo objetivo e objetivar linhas subjetivas. Isso se equivale. É que não existe o indivíduo com um ser isolado, autônomo.
Existem processos (linhas) existenciais com expressão prática sócio-desejante. Mil afetos.
Vêm da Itália ( 1922) e da Alemanha (1933) processos existenciais de base política que eram chamados de fascismo e nazismo.
Apesar do fascismo e do nazismo terem sido derrotados na segunda guerra, os sentimentos que eles evocam sobrevivem.
Com máscaras.
Tais sentimentos se abrigam na chamada direita ou mais precisamente na extrema direita. Mas ninguém, óbvio, quer ser chamado de fascista e/ou nazista.
Eles habitam a Cloaca Brasileira: católicos, evangélicos, religiosos, espiritualistas, liberais, empresários, conservadores, pessoas "normais" e outros menos votados.
A.M.