O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sábado, 21 de março de 2026
quinta-feira, 19 de março de 2026
segunda-feira, 16 de março de 2026
DA EROSÃO DO SENTIDO
O processo de dissolução dos códigos (linguagens) e territórios ( valores) é uma caraterística básica do movimento do capital. Isso está em Marx logo no início de "O capital" quando analisa o fetichismo da mercadoria. Fluxos incessantes de mercadoria fazem do capital um movimento em direção ao infinito. O lucro dos grandes capitalistas é infinito. O único modo de freá-lo ( segundo o sistema atual) é o de naturalizar e idolatrar a função do Estado, onde a abstração da vida nua ( o corpo servil do trabalhador) se dissolve e se confina na ordem instituída de um poder aparentemente eterno: a nação, o Estado-nação. Desse modo, a formação da subjetividade se desenha como fratura subjetiva de sentido: quem eu sou? Este dado se verifica de modo simples e direto na multiplicação das sexualidades não reprodutivas. Dir-se - ia: onde vamos parar? A perplexidade do senso comum assola mais intensamente a subjetivação da extrema direita, já que ela está colada a valores antigos, deteriorados. Tais valores sustentam o desejo como representação mental e substituem a Realidade. Tudo passa a ser imagem. Daí a angústia e o quase pânico do extremista de direita ( não que outros não vivenciem esse afeto) mas a experiência da direita, da ultradireita, e por fim, das mil religiosidades transcendentes que a sustentam pela fé, cola nos seus "militantes" verdades arcaicas como garantia de que estão vivos. Em nosso tempo de imagens instantâneas, o ato de pensar diluiu-se como bolha de sabão. No seu lugar, palavras de ordem organizam o planeta como lugar da dor e do sofrimento eterno (pobreza, miséria, fome, guerras etc) com ares de progresso científico. Em tal cenário de Apocalipse, a ultradireita cresce e se expande como oração atéia e violenta ao céu que nos protege.
A.M.
domingo, 15 de março de 2026
sábado, 14 de março de 2026
CLÍNICA DA DIFERENÇA EM PSIQUIATRIA : linhas vitais
1- Considera um corpo de afeto (desejo) misturado ao organismo físico-químico (sistema de órgãos).
2 - Tal corpo desejante (invisível) é acessado pela escuta.
3 - Um ou mais diagnósticos psiquiátricos: uso clínico como funções e não essências.
4 - O processo histórico-social é condição para a semiologia psicopatológica.
5 - Farmacoterapia e psicoterapia fusionadas num monismo pluralista (cf. Deleuze-Guattari).
A.M.
quinta-feira, 12 de março de 2026
A DIFERENÇA NA PSICOPATOLOGIA
(...)
Retornemos ao borderline: ele pode ser considerado como a instabilidade em pessoa concretizada em impulsos violentos e tão surpreendentes quanto danosos ao outro. Os afetos parecem vir em estágio bruto e numa corredeira sem freios. O encontro é com um chão movente. Não há um ou mais problemas, mas uma problematização contínua. Não se trata de um mero jogo de palavras. É toda a inserção no mundo, e mais, o seu mundo constituído que é o da instabilidade afetiva. Ao falar de si num tom de passado e no fulcro das relações afetivas, fica evidente o dado assombroso que é o da inexistência de um território onde enganchar a relação pessoal, um vínculo. Um vazio brutal lhe constitui. Um paciente afundado na solidão? Não é possível vê-lo desse modo, pois seria fincar a estaca da moldura humanista sobre uma alma em desgoverno. O encontro com a loucura não é um exame das funções psíquicas nem do comportamento observável. O encontro é um devir, aquilo que tenta captar do paciente fluxos do desejo. O paciente não se reduz ao eu, ainda que este esteja preservado. Ele consegue falar, dizer como está, conversar. Seu corpo oscila entre uma inexpressão e uma expressividade dramática. Contudo, a dramaticidade não é “fingida”. Assume seu discurso com se fosse ele próprio levado por uma onda de emoção. Adiante, sem que se lhe estimule, estanca o ritmo e se faz imóvel numa atitude que suscita dúvidas. Elas oscilam entre o que diz de si e o que se esconde em dobras subjetivas opacas. O borderline é um ser errante de difícil ajuda pelo aparelho biomédico. Talvez seja usado algum remédio químico. Aí ele se curva para além das dobras a que aludimos. Torna-se paciente de um cansaço adicional (a sedação) ante saídas difíceis da problemática. As linhas singulares estão fora das categorizações da CID-10 ou de outras classificações. Sob a ótica da diferença, o paciente é um mundo inexplorado e ainda não humanizado. Não há pureza nessa concepção. Trata-se de espreitá-lo tanto quanto se conseguir escapar do clichê médico. Examinar o borderline é se pôr fora das definições do que é ou não o limite, o corte, a fronteira entre a saúde e a doença, o anormal e o anormal, a potência e a impotência. Para isso ser possível, a experiência do contato com a loucura é essencial. Não é preciso ser louco ou ficar louco, mas sim entrar num devir-loucura, tornar-se loucura se o propósito é ajudar, acolher, criar. Tal disposição não costuma ser bem vinda nas organizações promotoras da fé numa racionalidade apaziguadora. Isso inclui a psiquiatria e suas agências de apoio à promoção de uma felicidade quimicamente induzida. No entanto, entramos num terreno onde a química não resolve, e pior, oferece a sedação como simulacro da morte. Desse modo, o encontro com a loucura precede o encontro com o paciente...
(...)
A.M. in Trair a psiquiatria
terça-feira, 10 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
Miguel aos 15
1
amigo sabedoria
da alegria
2
corrida de taxi
driver e música
3
lágrimas na chuva
blade runner
4
riso do batman
sumido e roubado
5
natureza mui bela
perigosa travessia
6
universo da fala
verso encantado
7
trilhas sonoras
a hora do sonho
8
altura e elegância
palavras doces
9
ovnis à mão cheia
no céu da boca
10
filosofias na pele
por toda a parte
11
êxtase no mistério
estrelas e planetas
12
jesus aqui agora
o que diria?
13
capitalismo for ever
nem pensar
14
amigos gregos
enigmas e luzes
15
potências da arte
tatuadas no desejo
A.M.
