O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
domingo, 16 de agosto de 2026
sábado, 15 de agosto de 2026
CLÍNICA E TECNOLOGIA DA IMAGEM - III
Numa acepção deleuziana, o acontecimento pode ser definido como um encontro de corpos, humanos e/ou inumanos, no qual e do qual emerge o Sentido. Assim, o sentido nunca é dado, nunca é "um estar lá", mas sim produzido no próprio ato do Encontro. É possível notar que a realidade virtual substituiu a realidade do Encontro (daí, a dos corpos) pela realidade da imagem, profusão de imagens sobre imagens, realidade descarnada, mas Realidade subjetivamente assimilada como Verdade. Dissemos que a tecnologia da imagem não é um mal em si, mas um signo de poder acelerado a uma velocidade não captada pela Consciência. A velocidade é quem (sujeito) captura a consciência. Um encontro de corpos fica, então, descartado em prol da verdade da imagem, inclusive a imagem de si. Segue-se o empreendimento desejante de um profundo estilhaçamento do eu, beirando a psicose ou nela se instalando. Tempos esquizofrênicos, como previu Guattari. Ora, para uma psiquiatria atravessada por tais fluxos, há duas opções ético-políticas: 1- Encolher-se sob o discurso epistemológico das neurociências, detentor de uma verdade reificada, reificante e erguer o manto acadêmico como anti-auto-crítica. 2-Abrir-se, estender-se sobre o campo social em suas formações discursivas caóticas e inventar clínicas à altura do horror dos tempos que correm. Fazer o acontecimento.
A.M.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
domingo, 2 de agosto de 2026
quinta-feira, 30 de julho de 2026
SER DE ESQUERDA - nº 2 ( em 10 linhas)
1- Combater o ressentimento como expressão anti-vida da cultura cristã.
2- Conceber o poder como "relação entre forças" ao modo foucaultiano.
3- Rejeitar toda forma de dominação dos corpos livres, operários do desejo.
4- Considerar a mulher sob o signo da criação desejante, natureza feroz e delicada. Amar os paradoxos.
5- Evitar o dualismo estéril direita/esquerda em prol das multiplicidades do viver.
6- Combater o fascismo e os micro-fascismos dos modos explícitos ou nos disfarces da língua.
7-Odiar a geopolítica, imperadores do mundo em cálculos genocidas.
8-Experimentar a delicadeza como estilo de viver a interpessoalidade.
9- Desconfiar do Estado nas patrulhas do desejo. Destruir suas metástases burocráticas.
10 - Usar a camuflagem como função guerreira em contextos institucionais adversos.
A.M.
domingo, 26 de julho de 2026
sábado, 25 de julho de 2026
quinta-feira, 23 de julho de 2026
domingo, 19 de julho de 2026
sábado, 18 de julho de 2026
REGIME DE DELÍRIOS
O termo "delírio" apresenta uma história atravessada pelo romantismo. Assim, quando se diz " delírio de amor", evoca-se uma intensidade afetiva na constituição do sujeito e do objeto da sua paixão. Há uma imagem que força a desejar e delirar.
Na psiquiatria clínica, orgânica, biológica, o delirio tem origem no cérebro em alguma disfunção ou numa lesão das estruturas neuronais. Até se convencionou chamar isso de " delírium" (do latim) para qualificar o sintoma "causado" pela alteração do estado da consciência. Esse estado percorre amplo espectro clínico, indo da consciência vigil ao coma ( apagamento da consciência).
Ainda na psiquiatria clínica, o delírio cursa com a psicopatologia e suas múltiplas expressões, tais como nas psicoses, esquizofrenias, transtornos do humor, transtornos da personalidade, histerias, etc... todo um universo semiológico delirante. Curioso é que esse tipo de delírio não leva uma causa orgânica, como é o caso do "delirium".
Fora do círculo normativo e clínico da psiquiatria , encontramos o delírio, ou mais precisamente, a experiência delirante por toda a parte: na arte, na literatura, na política, na filosofia, no espiritualismo, nas religiões em geral e até no cotidiano das relações sociais e pessoais...
Em toda as manifestações persiste a dificuldade em avaliar o que é o delírio e qual a sua origem. Restou a psiquiatrização mais tosca. É que sob uma égide moral, o delírio é visto como " erro " . Ele escapa ao controle institucional e racional, e por conseguinte desconcerta a prática de normalização dos indivíduos levada à efeito pela "necro" psiquiatria. É que a expressão delirante, para ser compreendida nos seus elementos históricos atuais, extrapola tal enquadre psicopatológico: o delírio do capital...
Desse modo é possível arriscar a hipótese teórica de que a modernidade produziu e produz em escala planetária condições sociais, políticas, culturais e tecnológicas para o desenvolvimento de um delírio não médico e não romântico. Aí está contida uma questão intrigante sobre a verdade.
E cada vez mais, movida a velocidades internéticas, tal questão se traduz em perguntas sem resposta: isso é verdade? qual a verdade? existe a verdade? para que serve a verdade? a quem serve?
A.M.
Obs. versão revisada.
