SER DE ESQUERDA ( em 10 linhas)
1- Considera a realidade em primeiro lugar como percepção do cosmos e do mundo. Tal percepção decresce até o eu, ou ao si mesmo. Daí, adotar um anti-subjetivismo radical.
2-Estabelece uma visão coletiva e econômica: para viver, há que se cuidar da saúde, habitação, educação, emprego, segurança, justiça, salário... diversão... para todos.
3- Percebe as minorias sociais, não como valor quantitativo, mas como linhas do desejo esmagado, explorado, violentado, oprimido: os negros, as crianças, as mulheres, os indígenas, os gays, os travestis, e tantos outros...
4- Sabe que somos todos múltiplos, singularidades existenciais. E que o indivíduo é produto do poder e não o contrário. Assim, promove um humor escrachado e livre.
5-Combate o modelo da subjetividade européia que colonizou o planeta: homem, hetero, branco, macho. Essa prática leva ao ser de esquerda um combate institucional. E cotidiano.
6- Encara a geopolítica: esta se baseia numa política do Estado. Por isso resistir à brutalidade do Estado e ao cinismo do Mercado é um ato de liberdade.
7- Contempla a natureza como produção incessante e inumana de sentido e não como paisagem romântica e bela, ainda que a beleza lhe constitua.
8 -Recusa a política partidária ( mesmo na democracia) quando se expressa como referência (enganosa) de igualdade social e fraternidade universal.
9 -Não acredita em poderes que ultrapassem a dimensão do humano ou os limites da Terra como a nossa morada e o nosso corpo.
10- Desconfia da linguagem erudita, acadêmica, estatal, técnica. Ela é portadora de estratégias de domínio inconfesso. Ao contrário, exalta a arte como resistência ao poder, à infâmia e à morte.
A.M.