Como identificar um fascista ?
Na experiência fascista está embutida a questão da verdade. Sob condições sócio-históricas e politicas muito amplas, isso conduz o destino de milhões: o Estado, a Nação, o Povo, o Poder, o Capital.. A clínica psicopatológica diz: o fascismo não parece um delírio, ele é um delírio que organiza o próprio juízo ( para não perdê-lo) e ajuda o seu portador a produzir um sentido para a realidade atual do mundo. O fascista, servo-devoto da pulsão de morte e executante do método fascista, é vizinho do paranóico, habitando o universo clínico da psiquiatria sem ser notado. Suas funções cognitivas estão intactas. Ao exame de sanidade mental, doença zero. Então, identificá-lo talvez passe por categorias psiquiátricas, mas necessita ir além, onde as linhas desejantes confluem em certezas densas ou verdades absolutas. A forma-Religião traz afetos profundos e fixa uma crispação egóica. Eu sou Deus. O fascista se reconhece como identidade poderosa e qualifica a si mesmo como portador de uma mensagem de salvação política. Nas dobras da alma e na superfície da prática social, a tal identidade torna-se a verdade de cada um, ou seja, do indivíduo, ainda que o mais frágil ou por isso mesmo. Pseudo-poder, universo privado, mundinho do eu. Assim se fecha o circuito da verdade fabricada como território de sentido: isso é a vida, dir-se-ia... Caso ela desmorone, virá a tona a face suicidária do sentimento fascista, como se evidencia nas guerras dos estados suicidários, exemplo da Alemanha na segunda-guerra.
A.M.