O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
sábado, 21 de fevereiro de 2026
EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS - 1
O campo das emergências psiquiátricas compreende situações em que o comportamento do paciente traz algum risco a si mesmo ou a terceiros. Tais situações são marcadas pelos códigos sociais que balizam e aplicam a moral vigente. Portanto, discutir (sem preconceito) tal tipo de emergência requer sair da ordem médica em prol de uma visão de saúde mental que priorize o paciente enquanto diferença. Isso não é fácil, notadamente em termos práticos. Alguém está agitado, o que fazer? Uma imagem-clichê costuma iluminar o olhar repressor que habita as consciências normais. Ora, se considerarmos que algo precisa ser feito em questão de minutos (ou segundos), que seja em nome do cuidado-ao-outro, e não pela manutenção da ordem racional vigente. Será, então, preciso discutir, caso a caso, o que a psicopatologia nos diz à respeito das emergências. Histeria, psicose, delírio paranóide, tentativa de suicídio, agitação psicomotora, dentre outros signos emergentes, o que se deve fazer estará inscrito no que se deve pensar à respeito. Antes de tudo, um conceito : o que é, de fato, uma emergência psiquiátrica?
A.M
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
TERAPIA, O NOVO
A clínica da diferença em psicoterapia constitui-se como uma superfície invisível onde se registram formas sociais. Não é, pois, um encontro interpessoal. É que as duas pessoas em jogo (terapeuta e paciente) são também formas sociais. Elas se misturam a mil outras formas que transversalizam o Encontro como um território-nexo entre multiplicidades. Este dado empírico condiciona a que afetos de alegria estabeleçam linhas de base que impulsionam o processo da metamorfose subjetiva. É o motor, a máquina, a energia (não metáforas) que consistem na materialidade do trabalho afetivo. Ainda que a terapia possa não avançar, não dê certo, não funcione, não atinja seus objetivos, enfim, fracasse, linhas intensivas de base e o conteúdo dos afetos fazem do agenciamento de forças uma aventura do novo, uma potência. Como diz Deleuze, não há potência má. Isso implica em se encarar o abismo do sem-eu e do caos como resposta ao desafio de produzir sentido à existência. Uns conseguem, outros não. De todo modo, uma clínica da diferença, ao contrário de psicoterapias auto-intituladas de científicas, não coloca panos quentes em sintomas próprios do mundo civilizadamente violento em que vivemos, nem usa técnicas de adaptação passiva e resignada a esse mesmo mundo.
A.M.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
SIGNOS EM ROTAÇÃO
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Em que sentido esta sincronização das emoções coloca a democracia em perigo?
A democracia é a reflexão comum e não o reflexo condicionado. Não existe opinião política sem uma reflexão comum. Mas hoje predomina não a reflexão, mas o reflexo. O próprio da instantaneidade consiste em anular a reflexão em proveito do reflexo. Quando me convidam para um debate na televisão, me dizem: “Que bom, você trabalha desde 1977 nos fenômenos da velocidade. Tem um minuto para explicar-me tudo isso”. Não é possível. Estamos diante de um fenômeno reflexo, mas a democracia reflexa é uma impossibilidade, não existe. A mesma coisa acontece com a confiança. As Bolsas estão em crise porque há uma crise da confiança. E por que há uma crise de confiança? Porque a confiança não pode ser instantânea. A confiança em um sistema político ou financeiro não é automática. A opinião também não pode ser instantânea. Então, os sistemas administrados pelos políticos, inclusive o sistema financeiro, são fenômenos que tendem para o automatismo. A automatização é o contrário da democratização.
Trecho de entrevista com Paul Virilio em 20/11/2010, concedida a Eduardo Febbro e publicada no site Instituto Humanitas Unisinos, acesso em 02/02/2026.