O cérebro MENTE
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Em que sentido esta sincronização das emoções coloca a democracia em perigo?
A democracia é a reflexão comum e não o reflexo condicionado. Não existe opinião política sem uma reflexão comum. Mas hoje predomina não a reflexão, mas o reflexo. O próprio da instantaneidade consiste em anular a reflexão em proveito do reflexo. Quando me convidam para um debate na televisão, me dizem: “Que bom, você trabalha desde 1977 nos fenômenos da velocidade. Tem um minuto para explicar-me tudo isso”. Não é possível. Estamos diante de um fenômeno reflexo, mas a democracia reflexa é uma impossibilidade, não existe. A mesma coisa acontece com a confiança. As Bolsas estão em crise porque há uma crise da confiança. E por que há uma crise de confiança? Porque a confiança não pode ser instantânea. A confiança em um sistema político ou financeiro não é automática. A opinião também não pode ser instantânea. Então, os sistemas administrados pelos políticos, inclusive o sistema financeiro, são fenômenos que tendem para o automatismo. A automatização é o contrário da democratização.
Trecho de entrevista com Paul Virilio em 20/11/2010, concedida a Eduardo Febbro e publicada no site Instituto Humanitas Unisinos, acesso em 02/02/2026.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
ANJO MURITIBANO
sim, uma vez
vi um anjo
nada dos anjos
católicos
gabriéis
armados e vingativos
nada dos anjos
de Rilke
alemães terríveis
meu anjo
sem asa
e sem palavra
não foi visto num castelo
em Duíno
mas numa casa
chã e rasa
em Muritiba
era um anjo
pequenino
morto morto
placidamente morto
estava numa
caixa de sapatos
Carlos Machado
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
O OLHO DA DIFERENÇA - 1
O olho da diferença remete ao "olhar para a diferença". É um olhar cego: não vê coisas - formas estáveis - mas fluxos, intensidades, vibrações.
Enxerga só o movimento, linhas invisíveis e dobras da alma. Atravessa o labirinto, lugar dos encontros.
Para isso a camuflagem dos afetos se torna arte, função zen.
A.M.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
NEGRI E HARDT - O SECURITIZADO
Cada uma das quatro figuras da subjetividade move um afeto principal. O endividado sente-se culpado, o mediatizado está deslumbrado, o representado sempre desinteressado e o securitizado, amedrontado. O medo social generalizado produz o securitizado – sujeitos servis de uma sociedade prisional, que assumem ao mesmo tempo o papel de vigias e vigiados.
Olhe ao redor; veja as grades, os muros, as câmeras, os portões, as trancas, os cadeados, as lanças, os blindados, os cercos de arame farpado. Quando é que nós fomos encarcerados? Por onde passamos deixamos um rastro de medo. Nossa sociedade fareja muito bem o medo, ela vive deste sentimento.
“Passe pela segurança de um aeroporto, e seu corpo e sua bagagem serão lidos oticamente“. Usufrua de qualquer serviço (seja público ou privado) e todos os seus dados serão coletados e armazenados. Adquira algum bem e logo te empurrarão um seguro. “Por que você aceita ser tratado como um presidiário?“.
A questão é que já nem faz mais sentido falar em prisão quando a escola, o trabalho, a vida pública seguem a mesma lógica do sistema carcerário. Estamos todos internados e alistados num “regime difuso de segurança”. Vivemos em guerra pedindo por… paz? Não, vivemos com medo pedindo por mais segurança, muros mais altos, grades de mais alta tensão, arames mais farpados, senhas mais complexas. O securitizado abraça policiais militares em manifestações onde pede intervenção militar, sente seu coração disparar em cada esquina mal iluminada, anda rápido sem olhar para os lados e sempre dá duas voltas na fechadura.
(...)
Rafael Lauro, do site Razão inadequada, acessado em 29/01/2026
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
O TEMPO RASO
A perda da história significa que a imediatidade do presente tem primazia sobre o passado e sobre o futuro. Emerge assim a possibilidade de uma história “presentificada” que se denomina atualidade ou news. Encontra-se aqui a importância considerável da revolução das transmissões e do poder dos media. A história só se faz no presente..
O homem está inscrito nas três dimensões do tempo cronológico, o passado, o presente e o futuro. É evidente que a emancipação do presente – o tempo real ou o tempo mundial – corre o risco de nos fazer perder o passado e o futuro em benefício de uma presentificação, que é uma amputação do volume do tempo. O tempo é volume. Ele não é somente espaço-tempo no sentido da relatividade. É volume e profundidade de sentido, e a chegada de um tempo mundial único que vem liquidar a multiplicidade dos tempos locais é uma perda considerável da geografia e da história.
(...)
Paul Virilio, 2000
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
DO QUE SE TRATA
A psicofarmacoterapia é uma opção - muito válida - de tratamento em saúde mental. " Válida" no sentido de atenuar sintomas graves, bem como o de criar condições práticas para a autonomia do paciente.
O que não é válido, ao contrário, invalidante, é quando a psicofarmacoterapia é usada sem critérios diagnósticos precisos e desconsidera o vínculo médico/paciente como base da relação terapêutica.
Não falamos de psicoterapia, mas de psiquiatria clínica.
Outra psiquiatria, uma psiquiatria menor.
A.M.
domingo, 25 de janeiro de 2026
PENSAR O DELÍRIO
1 Se a questão da verdade é fundamental no delírio, todo delírio remete a uma crença ou a um conjunto de crenças (sistema).
2- Na formação subjetiva de cada indivíduo, a primeira crença é a do eu. Quem eu sou? Tal crença vem de fora. O cérebro, como base empírica da mente, processa as informações que lhe chegam. Sem elas ele não existiria.
3- Assim, a verdade é produzida por signos da família, da religião, da escola, do estado, do exercito, etc...
4- Todo delírio vem de fora; a sua forma de expressão vivencial, social, existencial, clinica, e tantas outras, vai depender das condições empíricas do organismo, incluindo-se nele um órgão singular: o cérebro.
5- Nas práticas sociais, obviamente expressas pela linguagem, é onde o delírio vai se afirmar como discurso e corpo; mais profundamente, o corpo como discurso, pois o corpo já é um discurso.
A.M.
