quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mundo em nós


Espinosa, Nietszche, Marx, Deleuze, Guattari e Foucault: seis pensadores que tem algo em comum, ao modo explícito e ao mesmo tempo secreto. O que seria?

A ligação com o mundo, ligação direta com o mundo. 

Para além da fenomenologia.


A.M.


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 

 Xeque-mate


Quando menos se espera, já são horas.

A dama de espadas perde o gume

e o pássaro pousado vai embora. 


Quando menos se espera, o que se anuncia

não é a sorte grande, a estrela Aldebarã

ou a sagração da primavera.

São tempos de abutre

e o coração, músculo bélico, fraqueja. 


De repente, já é sábado,

há uns assuntos desagradáveis para resolver

e, sobre a pele confusa da alma,

uma densa crosta de óxido e desalento.


Quando menos se espera, o rei está em xeque,

e é dezembro.

Há uma complicação de trânsito

na avenida

uma artéria que não dá passagem.

Quando menos se espera, já é tarde.


Carlos Machado

sábado, 5 de setembro de 2026

Ser de  esquerda - 3 ( em 10 linhas)


1-Considerar a "irreversibilidade do tempo" um conceito chave para compreender e fazer surgir a novidade;  o tempo é criação ou não é nada ( Bergson ).

2-Nas práticas político-institucionais (igrejas, escolas, empresas, prisões, etc) usar a camuflagem como função guerreira. Não viver na sombra , mas "ser a sombra".

3-Deixar-se levar por uma poética em mil fluxos emaranhados na linguagem (banal) do cotidiano.

4-Escrever, escrever pelos que não escrevem, mas gritam. Não representá-los mas tecer alianças entre almas errantes: o coletivo em nós, a extradição do eu.

5-Observar linhas ínfimas na forma de uma pessoa, de modo que não seja mais uma pessoa, senão acontecimento; o verbo no infinitivo: "amar"  ao invés de "amor".

6-Não discutir com fascistas, neofascistas, supremacistas, nazistas, em suma, extremistas de direita. Usar o silêncio como um estrondo.

7-Recusar qualquer sentimento de idolatria, mesmo em relação a figuras humanas de muitíssimo valor e produtividade coletiva.

8-Execrar e expulsar a sentimentalidade burguesa atuante nos estratos capitalísticos e principalmente em nós mesmos.

9-Abandonar o uso dos termos "direita" e "esquerda", ainda que os guarde como tijolos para o ato de pensar.

10 -Experimentar modos empáticos em subjetividades ditas  "estranhas" :  indígenas, transsexuais, paranormais, místicos,"freaks", autistas, esquizos...


A.M.


domingo, 30 de agosto de 2026

 

A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido.


H.P. Lovecraft

no coração da Terra 

pulsa outro coração 

abaixo desse  


outro coração

e mais outro

ao infinito


Lovecraft

cravou o signo

das criaturas

da Terra


que o homem exterminou


A.M.








sábado, 29 de agosto de 2026

 

 O Capitalismo Mundial Integrado (CMI)

Para Guattari, o capitalismo contemporâneo é mundial e integrado porque ele ultrapassou as barreiras das fábricas e das fronteiras físicas. O CMI não coloniza apenas territórios; ele coloniza a subjetividade humana, transformando desejos, culturas e modos de vida em mercadorias serializadas. Ele exige uma homogeneização global para que o mercado funcione sem fricção.

IA /2908/2026

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

COMO  FAZER A DIFERENÇA?


(...) Tirar a diferença de seu estado de maldição parece ser, assim, a tarefa da filosofia da diferença. Não poderia a diferença tornar-se um organismo harmonioso e relacionar a determinação com outras determinações numa forma, isto é, no elemento coerente de uma representação orgânica? Como "razão", o elemento da representação tem quatro aspectos principais: a identidade na forma do conceito indeterminado, a analogia na relação entre conceitos determináveis últimos, a oposição na relação das determinações no interior do conceito, a semelhança no objeto determinado do próprio conceito. Estas formas são como que as quatro cabeças ou os quatro liames da mediação. Diz-se que a diferença é "mediatizada" na medida em que se chega a submetê-la à quadrupla raiz da identidade e da oposição, da analogia e da semelhança. A partir de uma primeira impressão (a diferença é o mal), propõe-se "salvar" a diferença, representando-a e, para representá-la, relaciona-la às exigências do conceito em geral.

(...)

Gilles Deleuze in Diferença e Repetição

sábado, 22 de agosto de 2026

Subjetividade nazi - fascista à brasileira


Pensar a formação histórico-patriarcal brasileira inscrita na Realidade é condição para compreender a subjetividade (ou subjetivação) atual.

Subjetivar o mundo objetivo e objetivar linhas subjetivas. Isso se equivale. É que não existe o indivíduo com um ser isolado, autônomo. 

Existem processos (linhas) existenciais com expressão prática  sócio-desejante.  Mil afetos.

Vêm da Itália ( 1922) e da Alemanha (1933) processos existenciais de base política que eram chamados de fascismo e nazismo. 

Apesar do fascismo e do nazismo terem sido derrotados na segunda guerra, os sentimentos que eles evocam sobrevivem. 

Com máscaras. 

Tais sentimentos se abrigam na chamada direita ou mais precisamente na extrema direita. Mas ninguém, óbvio, quer ser chamado de fascista e/ou nazista.

Eles habitam a Cloaca Brasileira: católicos, evangélicos, religiosos, espiritualistas, liberais, empresários, conservadores, pessoas "normais" e outros menos votados.


A.M.

O  QUE  É  O  QUE  É?

(respondendo a Miguel) :

1- O QUE É CAPITALISMO? 

O capitalismo é um sistema econômico, político, social e cultural. Sua origem remete ao século XIV e XV na Europa, "evoluindo" a uma forma industrial em meados do século XIX e no século XX, o chamado capitalismo financeiro. Em tempos atuais, ao colonizar e  habitar a Terra, configura um sistema integrado (global) de dominação e constroe a  "sua" realidade, mundo do  capital como realidade natural. Para isso, mais que "econômico", ele produz subjetividades (almas)  convertidas, seduzidas ao seu modo de produção da vida e da existência. A divisão de classes, o horror econômico, a busca insana pelo lucro, a competição individual, o consumo desenfreado, a ética de destruição da natureza, a ética do "cada um por si", o financiamento científico-industrial das guerras, enfim, "tudo está demente no sistema". É, pois, muito difícil combater o capitalismo, já que ele nos constitui "por dentro" como habitantes do planeta, servos do seu poder e cliente dos seus valores, códigos, serviços e projetos.  Mas, será possível uma saída? Sim, claro.  A História continua e o tempo é irreversível. 


A.M.