segunda-feira, 20 de junho de 2011

Havia torres naquele titânico cume montanhoso, horrendas torres abobadadas e incalculáveis fileiras e grupos diferentes de qualquer obra sonhável pelo homem; muralhas e terraços de espanto e ameaça, tudo minúsculo, escuro e distante contra a faraônica dupla coroa de estrelas que cintilava malevolamente no limite do alcance da vista. Coroando essa mais imensurável das montanhas havia um castelo que excedia qualquer pensamento mortal e nele brilhava a luz demoníaca. Randolph Carter soube então que sua procura havia chegado ao fim e que via acima de si a meta de todos os passos interditos e visões audaciosas, a fabulosa, a incrível morada dos Grandes no topo da desconhecida Kadath. 

H. P. Lovecraft - do livro " À procura de Kadath"
A terapia cognitivo- comportamental ...1-usa o ego do paciente como referência para ações cotidianas; 2-usa o ego do terapeuta para  mandos e comandos sobre essas ações cotidianas; 3-não considera os processos subjetivos enquanto multiplicidades, singularidades intensivas ; 4-é adaptativa ao meio e,  por consequência,   às relações sociais estabelecidas pelo capitalismo reinante. 5-adota únicamente o paradigma científico (teórico-experimental), desprezando a contribuição do pensamento filosófico e do pensamento artístico; 6-ignora a pulsação desejante a  qual "sustenta"  os sistemas de crenças das estruturas cognitivas; 7-faz conexão político-acadêmica com a psiquiatria biológica e farmacológica; 8- usa os próprios transtornos codificados pela psiquiatra neuro-biológica, tais com toc, t. do pânico, t. alimentatres, t. do humor, entre outros, para referendar  seus resultados terapêuticos;9-considera e parte(em seus trabalhos prático-conceituais) de uma Realidade irrefutável e eterna,  utilizada como Verdade e "inoculada" no paciente; 10-auto-intitula-se de  breve e assim eu   espero que seja no devir-histórico das escolas de psicoterapia.


Antonio Moura

domingo, 19 de junho de 2011

Quem pode manter a miséria e a  desterritorialização-reterritorialização das favelas, salvo polícias e exércitos poderosos  que coexistem com as democracias?  Que social-democracia não dá  a ordem de atirar quando a miséria sai do seu território ou gueto? 

Deleuze-Guattari - do livro "O que é a filosofia?"
                                                          
                                                                    Kandinsky
Em psiquiatria clínica, é possível usar poucas associações medicamentosas? Elas embotam o paciente e o psiquiatra. Nestes casos, um diagnóstico revelador do que se passa, costuma ser descartado. Se, além do mais, for difícil captar a vivência mórbida, ficar na espreita do acontecimento já é um ganho ético. Escutar o vento nas orelhas do paciente. Ou apenas contemplar o que ele diz e o que se vê. Isso basta para começar o trabalho de garimpagem dos signos. Percutir as linhas do desejo talvez faça surgir algo que não anseie por fármacos.

Antonio Moura - do livro "Trair a psiquiatria", a ser publicado
Aquele que tem muita alegria deve ser um homem bom: mas talvez não seja o mais inteligente, embora alcance aquilo a que o mais inteligente aspira com toda sua inteligência.


Nietzsche - O viajante e sua sombra
Dias depois chegou uma jovem psiquiatra que também foi cortar unhas no pátio feminino. Depois de um bom tempo a paciente lhe perguntou:
-Qual sua função aqui no hospital?
-Eu sou médica psiquiatra.
-Não pode ser, você me escuta!


(narrado por Antonio Lancetti no livro "Clínica peripatética") 

sábado, 18 de junho de 2011

Deixa-se psicanalisar, acredita-se falar e aceita-se pagar por essa crença. Mas não se tem a menor chance de falar. A psicanálise é toda ela feita para impedir as pessoas de falarem e para retirar todas as condições de enunciação verdadeira.


Gilles Deleuze e Claire Parnet - do livro "Diálogos"
Fiquem tranquilas as autoridades. No Brasil jamais haverá epidemia de cólera. Nosso povo morre é de passividade.


Millor Fernandes
                                                                  Van Gogh
Início de entrevista - o eu é um outro


-Por que você, apesar de ser psiquiatra,  critica a psiquiatria ?
-É o contrário: critico a psiquiatria  não apesar de ser,  mas  por ser psiquiatra.


-Dá para dizer qual é o principal problema da psiquiatria?
-Ela não tem problemas. Ela é um problema. Isso não é um mal, ao contrário.


-Qual a relação entre o pensamento e a psiquiatria?
-Nenhuma.


-Obrigado.
-Não há de que.





É preciso reconhecer então que a moral substituiu a religião como dogma e que a ciência tende cada  vez mais a substituir a moral.


G. Deleuze - Nietzsche e a filosofia

sexta-feira, 17 de junho de 2011

aviso 


caro colega
ao encontrar um  paciente
esteja certo:
            a loucura está  presente
sem remédio
identidade 
ou forma 

então pegue um vírus
atire no acaso
que você estará
curado




Antonio Moura
Minha hipótese : o sujeito como multiplicidade.


F. Nietzsche  em "A vontade de poder"
O remédio químico parece ser a saída dos males civilizatórios. Do admirável mundo novo aos dias atuais., a psiquiatria desponta como representante de um conservadorismo com ares de ciência exata. A capacidade de manobra política junto ao estado e ao mercado não deixa de impressionar. Há uma espécie de imbecilidade programada que circula como verdade. O paciente, situado na ponta dos efeitos subjetivos do capital, responde ok à fabricação de si mesmo. Uma tarefa do técnico em saúde mental se mostra, pois, um desafio impossível e lúcido.


Antonio Moura - do livro "Trair a psiquiatria", a ser publicado.