sexta-feira, 2 de março de 2012

Félix Guattari -  1930-1992
DEVIR, O QUE È?

A vergonha de ser um homem:  haverá razão melhor para escrever? Mesmo quando é uma mulher que devém, ela tem de devir-mulher, e esse devir nada tem a ver com um estado que ela poderia reivindicar. Devir não é atingir uma forma (identificação, imitação, Mimese) mas encontrar a zona de vizinhança, de indiscernibilidade ou de indiferenciaçao tal que não seja possível distinguir-se de uma mulher, de um animal ou de uma molécula (...)

G. Deleuze- do livro Crítica e Clínica
Gilles  Deleuze- 1925- 1995

quinta-feira, 1 de março de 2012

JOGO DE CENA

A Academia costuma ter (e usar)  uma linguagem erudita,  douta, afetada  e  deslumbrada consigo mesma. Narcisismo erudito? Seus acólitos referendam  um  ato-processo de encantamento intelectual. Isto se dá em toda parte. Mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos fissurados pelo conhecimento anódino.Verifique: quase todos, quase todas  se acham acima da mundanidade da política e da arte. A Academia é a Pureza. O mundo burguês é o Sedutor. Desculpe o truísmo, mas  a Realidade impõe o real como redundância  efetiva. Todos obedecem ao Mesmo. Todos obedecem à Norma. No fim, o  mundo prossegue como dantes.  Alguém duvida?

Antonio Moura

LAMENTOS - Pixinguinha

a ferida está  com pus
a multidão
com o sus

ALINE CALIXTO - Gemada carioca

O POETA É O VIGIA DO TEMPO

Os versos são experiências ligadas a uma abordagem viva, a um movimento que se concretiza na seriedade e no trabalho da vida. Para escrever um único verso, é necessário ter esgotado a vida. Depois, a outra resposta: para escrever um só verso, é preciso ter esgotado a arte, ter esgotado a vida na busca da arte. Essas duas respostas possuem em comum a idéia de que a arte é experiência, porque é uma pesquisa,mas determinada  por sua indeterminação, e que passa pela totalidade da vida, mesmo que pareça ignorar a vida.

M. Blanchot - do livro O espaço literário

ELIS


Delírio

As crenças  existem  pró  eriçados  da  razão.   O capitalismo universal    é  a    vontade dos néscios da máquina. Todos a  servem com prazer.  A roda  da  fortuna premia os corretos. Não tenho mais  referências, exceto às  do oceano de   sangue  verde. Procurei diálogos abertos, francos, verdadeiros, com os  representantes   das  oligarquias  do pensamento. Não obtive  êxito, pelo contrário. O que  me  restou  foi  o   corpo exposto em linhas  da  arte do precipício. A medicina é uma mina  de dinheiro. Conversei  com médicos  cristãos. Eles até que  atenderam as  minhas  preces, desde que não se  tocasse   no essencial. O essencial é  a igreja. Tudo  é  vendável. Argumentei por  vielas escondidas  sobre  a carne dos  anjos. Nada  feito. Então me tornei um delírio de igualdade, coisa de  sonhos acordados: isso não se usa mais. Abortei a palavra  objetiva  e retornei a pequenas  crenças da noite. Ela( a  noite) me abrigou do nada,   como se diz: “venha ser um dos nossos”. Quando percebi, era já muito   tarde e a aurora se desfazia em cultos trágicos. Disse ao psiquiatra que ele enganara  a todos,   menos à  loucura,  testemunha sem código estável. E morreu aí.Não ele, mas a psiquiatria dos olhos opacos (...)

Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria

DESEJAR...

A ciência ocupa a singular posição de escuta poética da natureza.

I. Prigogine

CHEGA DE SAUDADE, JOÂO

CRER NO REMÉDIO 

O prazer  do  médico  pela   melhora  do paciente tem uma conexão íntima  com o “passar remédio”. Talvez seja uma obviedade dizer, mas na psiquiatria esse ato se reveste de um poder sobre a existência e/ou conduta  social de alguém.  Fazer uma prescrição é influir diretamente num organismo doente que precisa ser adaptado ao convívio social. A crença é a  de se estar promovendo  uma vida,  portanto, criando. Não se percebe o engano  embutido; o paciente não é redutível a um organismo visível,  sob pena de engessá-lo no circuito das  respostas prontas (...)

Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria

DELEUZE - Animal - parte 1