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| Félix Guattari - 1930-1992 |
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sexta-feira, 2 de março de 2012
DEVIR, O QUE È?
A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever? Mesmo quando é uma mulher que devém, ela tem de devir-mulher, e esse devir nada tem a ver com um estado que ela poderia reivindicar. Devir não é atingir uma forma (identificação, imitação, Mimese) mas encontrar a zona de vizinhança, de indiscernibilidade ou de indiferenciaçao tal que não seja possível distinguir-se de uma mulher, de um animal ou de uma molécula (...)
G. Deleuze- do livro Crítica e Clínica
quinta-feira, 1 de março de 2012
JOGO DE CENA
A Academia costuma ter (e usar) uma linguagem erudita, douta, afetada e deslumbrada consigo mesma. Narcisismo erudito? Seus acólitos referendam um ato-processo de encantamento intelectual. Isto se dá em toda parte. Mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos fissurados pelo conhecimento anódino.Verifique: quase todos, quase todas se acham acima da mundanidade da política e da arte. A Academia é a Pureza. O mundo burguês é o Sedutor. Desculpe o truísmo, mas a Realidade impõe o real como redundância efetiva. Todos obedecem ao Mesmo. Todos obedecem à Norma. No fim, o mundo prossegue como dantes. Alguém duvida?
Antonio Moura
O POETA É O VIGIA DO TEMPO
Os versos são experiências ligadas a uma abordagem viva, a um movimento que se concretiza na seriedade e no trabalho da vida. Para escrever um único verso, é necessário ter esgotado a vida. Depois, a outra resposta: para escrever um só verso, é preciso ter esgotado a arte, ter esgotado a vida na busca da arte. Essas duas respostas possuem em comum a idéia de que a arte é experiência, porque é uma pesquisa,mas determinada por sua indeterminação, e que passa pela totalidade da vida, mesmo que pareça ignorar a vida.
M. Blanchot - do livro O espaço literário
Delírio
As crenças existem pró eriçados da razão. O capitalismo universal é a vontade dos néscios da máquina. Todos a servem com prazer. A roda da fortuna premia os corretos. Não tenho mais referências, exceto às do oceano de sangue verde. Procurei diálogos abertos, francos, verdadeiros, com os representantes das oligarquias do pensamento. Não obtive êxito, pelo contrário. O que me restou foi o corpo exposto em linhas da arte do precipício. A medicina é uma mina de dinheiro. Conversei com médicos cristãos. Eles até que atenderam as minhas preces, desde que não se tocasse no essencial. O essencial é a igreja. Tudo é vendável. Argumentei por vielas escondidas sobre a carne dos anjos. Nada feito. Então me tornei um delírio de igualdade, coisa de sonhos acordados: isso não se usa mais. Abortei a palavra objetiva e retornei a pequenas crenças da noite. Ela( a noite) me abrigou do nada, como se diz: “venha ser um dos nossos”. Quando percebi, era já muito tarde e a aurora se desfazia em cultos trágicos. Disse ao psiquiatra que ele enganara a todos, menos à loucura, testemunha sem código estável. E morreu aí.Não ele, mas a psiquiatria dos olhos opacos (...)
Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria
CRER NO REMÉDIO
O prazer do médico pela melhora do paciente tem uma conexão íntima com o “passar remédio”. Talvez seja uma obviedade dizer, mas na psiquiatria esse ato se reveste de um poder sobre a existência e/ou conduta social de alguém. Fazer uma prescrição é influir diretamente num organismo doente que precisa ser adaptado ao convívio social. A crença é a de se estar promovendo uma vida, portanto, criando. Não se percebe o engano embutido; o paciente não é redutível a um organismo visível, sob pena de engessá-lo no circuito das respostas prontas (...)
Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria
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