domingo, 20 de dezembro de 2015

ACEITAR O BRASIL

Da mesma forma que devemos compreender alguém que possui alguma deficiência, tratando tal pessoa de maneira educada, inserindo no grupo e não cobrando coisas que ela não pode realizar, devemos aceitar o Brasil. Até porque, no fundo, todos têm defeitos. Nas análises dos economistas, em matérias e blogs, vê-se uma bonita esperança de sermos desenvolvidos em breve.

Ao menos nos próximos duzentos anos, dando um chute aproximado, não dá pra falar em desenvolvimento real por aqui. É que precisaríamos não só ficar educados e produtivos, mas também ver os dias atuais como um passado muito distante, sem qualquer influência, uma espécie de “pedra lascada” brasileira. Isso demora.

Para não ser pessimista, podemos viver sob outra perspectiva. Talvez esse país, apesar da coletividade sofrer, seja um dos lugares mais divertidos do mundo, com clima quente, festas, território grande e variado. Podemos ser muito felizes por aqui, talvez até mais do que os nativos dos países desenvolvidos. É só evitar ser assaltado.

O Brasil, se fosse uma pessoa, seria alguém não muito culto, até ignorante às vezes, mas bastante animado; todos chamam pra ir ao bar tomar uma cerveja. É uma pessoa em quem não se pode confiar, mas na maioria dos momentos é gente boa; bastante bonita também, apesar de insegura. É daquelas que um dia somem, e ninguém sabe qual foi o fim.

Do Blog Zensentidowordpress.com, 18/12/2015
Na Corte de Bolívar

“Existe um projeto de bolivarização da Corte. Assim como se opera em outros ramos do estado, também se pretende fazer isso no tribunal e, infelizmente, ontem tivemos mostras disso”.

A frase não é de um oposicionista (personagem, aliás, em extinção), contrariado com as manobras anti-impeachment do STF, perpetradas quinta-feira passada, mas de um ilustre integrante daquela Corte, de que já foi presidente, o ministro Gilmar Mendes.

De fato, o Supremo, ao se atribuir a prerrogativa, que não tem, de estabelecer o rito do processo de impeachment, que a Constituição atribui às duas casas do Congresso, bagunçou – e aviltou - ainda mais o quadro político-institucional do país.

Legislou, reinterpretou a Constituição e, ao final, ainda nas palavras de Mendes, ao “fazer artificialismos jurídicos para tentar salvar (a presidente)”, colocou “um balão de oxigênio em quem já tem morte cerebral”. Ou seja, deu sobrevida a um cadáver político e reduziu ainda mais a taxa de esperança do país.

O julgamento do recurso impetrado pelo PCdoB, que pedia (e obteve) a impugnação da sessão da Câmara, que deu início ao rito processual do impeachment, teve ares de pantomima.

Quando se soube que a relatoria caberia ao ministro Edson Fachin - um dos prováveis seis ministros a que a presidente Dilma aludiu recentemente como seus -, pensou-se que faria exatamente o contrário do que fez. Ele e Dias Toffoli são vistos como os mais identificados com o PT – e Fachin chegou a subir em um palanque, em 2010, para pedir votos a Dilma.

Pois bem: foram eles que, para surpresa geral, se opuseram com mais veemência às pretensões do PCdoB. Eles e Gilmar Mendes, só que aí não houve surpresa, já que Mendes não é da turma. Essa isenção inesperada deixou mais à vontade os menos suspeitos para a ação intervencionista/governista, que, embora não impeça, dificulta o desenrolar do processo.

Não é a primeira vez que o governo apela à sabotagem. Tentou-a antes no TCU, quando do julgamento das pedaladas, obtendo sucessivos adiamentos e fazendo do advogado geral da União, Luiz Inácio Adams, um lobista, no corpo a corpo com aqueles ministros. Não funcionou e a presidente foi condenada por unanimidade, dando lastro jurídico ao impeachment.

Na mesma quinta-feira em que o STF dava uma rasteira na Constituição, o TSE fazia sua parte: mandava arquivar representação contra a campanha eleitoral de Dilma Rousseff por uso indevido dos Correios na eleição do ano passado.

Uma decisão estarrecedora, já que desconsiderou confissão do próprio réu – no caso, os Correios. As acusações do PSDB contra os Correios basearam-se em vídeos; portanto, em evidências.

Num deles, registra-se uma reunião com dirigentes dos Correios em Minas Gerais, em que o deputado estadual petista Durval Ângelo, na presença do presidente daquela estatal, Wagner Pinheiro, afirma que Dilma só chegou a 40% das intenções de votos no estado porque "tem dedo forte dos petistas dos Correios".

E pede a Wagner Pinheiro que informe à direção nacional do partido sobre "a grande contribuição que os Correios estão fazendo" nas campanhas – mencionando também a de Fernando Pimentel, hoje governador de Minas e investigado pela Polícia Federal.

O TSE considerou, vejam só, que o vídeo não deixa claro qual é a "grande contribuição" que os Correios estariam fazendo. De fato, um enigma. Por aí, assunto encerrado. Resta ver como o TSE avaliará os aportes de dinheiro roubado do Petrolão, que, segundo delações premiadas (isto é, confissões) de empreiteiros, nutriram a campanha de Dilma. Espera-se que haja clareza nesse quesito.

No caso do STF, não havendo a quem apelar, já que se trata da Corte Suprema, resta aguardar que os dois fatores que escapam ao controle palaciano – economia e Lava Jato - façam sua parte.

A economia acaba de sofrer mais um revés, com novo rebaixamento do país por uma agência de avaliação de risco, acrescida da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. E a Lava Jato efetuou mais uma operação, de nome Catilinárias, esta semana, cercando gente graúda do PMDB e do governo.

Como não há oposição parlamentar – à exceção de meia dúzia de voluntariosos -, o cenário político transformou-se numa corrida de gato atrás do rato. Os gatos são os camburões da Polícia Federal, e os ratos os que chamam impeachment de golpe.

Ruy Fabiano, do Blog do Noblat, 19/12/2015, 01:10 hs

sábado, 19 de dezembro de 2015

PHOENIX

Direção de Cristian Petzold, 2014

VELOCIDADE E PODER

DIPLOMATIQUE: O que preocupa o senhor são os limites do tempo humano?

VIRILIO: Sim, é preciso trabalhar sobre a natureza do poder da velocidade atualmente, porque a velocidade da luz é um absoluto e é o limite do tempo humano. Nós estamos no “tempo-máquina”; o tempo humano é sacrificado como os escravos eram sacrificados no culto solar de antigamente. Eu o digo, nós estamos num novo Iluminismo em que a velocidade da luz é um culto. É um poder absoluto que se esconde atrás do progresso, e é por isso que eu afirmo que a velocidade é a propaganda do progresso. Eu não tenho nada contra o progresso. Quando eu digo que é preciso “ir mais devagar”, alguns zombam de mim. Pensam que eu condeno a revolução dos transportes, dos trens, dos carros, dos aviões, que eu sou contra os computadores e contra a Internet. Não é nesse nível que as coisas estão em jogo...
(...)
Trecho da entrevista de Paul Virilio concedida ao Le Monde Diplomatique Brasil em 15/06/2011

BILL EVANS - Peace Piece


 GUERRA

Sou espada
sou abebé

sou flor amarela
que desabrocha
para dentro

eu tenho
uma sutileza
de explosão.


Daniela Galdino
COMÉRCIO DE AR

Pela segunda vez em menos de um mês, a China está em alerta vermelho por causa da poluição. A previsão é que de sábado até a próxima terça-feira o índice de poluição em Pequim pode chegar a mais de 500 – quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que não passe de 25.
Uma grande área vai ser atingida, do centro até o leste do país. As escolas vão ter que suspender as aulas, as fábricas vão ter que diminuir a produção e caminhões vão ter que ser retirados das estradas.
A revista “The Economist” disse que respirar o ar de Pequim pode causar o mesmo estrago que fumar quarenta cigarros por dia.
Por isso, tem gente até vendendo ar. Um restaurante foi pego cobrando taxa de ar puro na conta. O dono instalou um filtro de ar e começou a cobrar o equivalente a cinquenta centavos pelo "serviço". As autoridades disseram que a cobrança é ilegal. Mas os chineses tentam de tudo.
Uma dupla vende garrafas de alumínio com ar puro comprimido das montanhas canadenses. Elas custam de R$ 40 a R$ 200. Os donos disseram que os chineses acabaram com os seus estoques e ainda fizeram uma lista de espera.
Essa não é a primeira vez que alguém lucra vendendo ar. Em 2013, um empresário chinês ficou milionário vendendo ar em latinhas de refrigerante. Em apenas dez dias, ele vendeu dez milhões de latas por R$ 3, cada.

Do Globo.com, 18/12/2015,08:38 hs

EMIL NOLDE


POLÍTICAS  DO  EU

"Tudo é político": tal frase expressa, sobretudo, a inserção visceral dos modos de subjetivação nas relações de forças. Estas constituem o poder em suas faces múltiplas, desde as grandes representações sociais (por ex., o congresso nacional) até as linhas nem sempre perceptíveis que constituem a chamada "pessoa humana". Há, pois, uma política da subjetividade compreendendo  o que o ideário cristão chama de "mundo interior". Ora, o mundo interior é gestado de "fora", como nos ensina a formação da personalidade nas crianças. Assim, na prática cotidiana pode-se dizer que sempre nos deparamos, de algum modo, com o poder pois são forças em relação que se expressam em nós. Esta concepção de política tem suas bases em autores como Maquiavel, Marx, Nietzsche, Foucault, Deleuze, Guattari, Stengers, entre outros .O que importa, no fim das contas, é tentar fugir da FORMA cristã que retira o homem do mundo e promete recompensas no céu. Ao contrário, não há salvação.

A.M.

MARCHINHA DO JAPONÊS DA FEDERAL


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

ERRARUM  HUMANUM  EST

“Governo novo, ideias novas”, anunciava Dilma Rousseff na campanha de 2014. Decorridos os primeiros 12 meses do segundo mandato, as ideias ainda não apareceram. A presença de Joaquim Levy na Fazenda indicava que o novo seria a adoção da plataforma do adversário. Foi como se Dilma decretasse sua própria morte.
Pois bem. A substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa, cúmplice de pedaladas, revela que a presidente acredita em vida depois da morte. Mais: Dilma avalia que já está vivendo essa vida. Não é só: decidiu viver a vida pós-morte exatamente como a anterior: temerariamente. Errar é humano. Mas escolher planejadamente o mesmo erro, só mesmo Dilma.
(...)
Blog do Josias de Souza, 18/12/2015, 19:57 hs
Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.

Maquiavel

ANA CAÑAS - Urubu Rei


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

BLUES FÚNEBRES

Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.

Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.

É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.


W.H.Auden

OPERAÇÃO SANGUE NEGRO

PF NAS RUAS

Polícia Federal cumpre mandados em operação sobre a SBM e a Petrobras
Empresa holandesa já confessou propina em troca de contratos com a estatal.
Operação desta quinta-feira cumpre mandados no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (17) uma operação relacionada às investigações de um esquema de corrupção envolvendo a empresa holandesa SBM e a Petrobras. De acordo com as primeiras informações, há mandados sendo cumpridos no Rio de Janeiro.
A SBM atua como prestadora de serviços para empresas petrolíferas – oferece aluguel de plataformas, entre outros – e já confessou, durante as investigações da Operação Lava Jato, ter pago propina a funcionários da Petrobras em troca de contratos.
Em junho deste ano, o ex-representante da SBM no Brasil Júlio Faerman, suspeito de ser um dos operadores do esquema da Lava Jato, afirmou à CPI da Petrobras que garantiu “ganhos expressivos” à estatal brasileira enquanto atuava em nome da empresa holandesa.
Um mês antes, integrantes da CPI foram a Londres (Inglaterra) colher depoimento de Jonathan David Taylor, ex-diretor da SBM que denunciou supostas irregularidades em contratos assinados entre a companhia da Holanda e a Petrobras.
(...)
Camila Bonfim, da TV Globo, em Brasília,17/12/2015, 07:02 hs