Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sábado, 2 de abril de 2016
A FALA DE JANAÍNA
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Há quem afirme que o que existe no pedido de impeachment é fraco, na medida em que vários fatos surgiram depois do documento ser redigido.
JANAÍNA PASCHOAL -
Nós estamos enfrentando uma situação tão grave no Brasil que toda semana tem uma novidade. O que tem lá (no pedido de impeachment) é mais do que suficiente. Sobram elementos. Muitas coisas estão sendo reforçadas agora. A delação do senador Delcídio do Amaral é um exemplo. Está escrito na nossa denúncia que, haja vista tudo que descortinou em relação à Petrobras, é impossível a presidente dizer que não sabia de Pasadena. Vem o senador Delcídio e afirma o quê? Que a presidente Dilma sempre soube.
É possível relacionar os desvios do dinheiro público e as pedaladas fiscais?
JANAÍNA PASCHOAL -
Se você tem tantos desvios de dinheiro público, tantas obras desnecessárias, tantas obras superfaturadas, num jogo de cartas marcadas envolvendo grandes empreiteiras, isso faz com que os recursos escoem. Na medida em que esses recursos escoam, o governo precisa fazer dinheiro de alguma maneira. E lançam mão desses expedientes financeiros (as pedaladas fiscais), mais difíceis de serem percebidos. O que me parece é que tudo isso faz parte de um todo. Fosse só as pedaladas fiscais já seria crime, fosse só a Petrobras já seria crime. São parte de um todo muito sério que não pode ficar impune.
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Isto É, 02/04/2016, 08:35 hs
SERÁ?
Tudo leva a crer que não haverá 342 votos na Câmara a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff. E, se por acaso houver, o impeachment não passará no Senado. Não será por falta de crimes de responsabilidade de Dilma. Sobram crimes da presidente que justifiquem sua renúncia ou sua queda. Crimes contra a economia popular, contra as finanças, contra a imagem do país, contra o meio ambiente, contra os desfavorecidos urbanos e rurais, contra os pobres e a classe média, contra crianças, jovens e velhos, contra os doentes, contra sua própria palavra, contra a ética e a moral. Não haverá impeachment não por falta de crimes de Dilma, mas porque não há uma Oposição legítima e forte.
O jogo interno de traições no PMDB, o partido mais fisiologista de nossa República e com imenso apetite pelo Poder, não permitirá a queda de Dilma. Os seis ministros peemedebistas que não tinham saído até esta coluna ser escrita provavelmente não deixarão a boquinha máxima do governo. Por que deixariam mesmo? Por amor ao vice eleito e reeleito na chapa de Dilma? Entre a liderança da Câmara e a do Senado, é evidente que os ministros preferem ficar abraçadinhos com Renan e seus privilégios.
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Ruth de Aquino, Época,01/04/2016, 19:32 hs
sexta-feira, 1 de abril de 2016
ANDRÉ VARGAS DELATOR
Condenado pelo juiz Sérgio Moro a 14 anos e 4 meses de cadeia, o ex-deputado petista André Vargas cogita se alistar na tropa de delatores premiados da Lava Jato. Ele tem o que dizer. Antes de se desligar do PT, foi secretário nacional de Comunicação da legenda, que o indicou para a vistosa poltrona de vice-presidente da Câmara.
Em notícia veiculada no jornal Valor, o repórter André Guilherme informa que investigadores da força tarefa da Lava Jato têm interesse em ouvir o que Vargas tem a dizer. Para que a delação resulte em prêmios como a redução de pena, o segredo a ser compartilhado precisa valer a pena. Não basta confirmar o que já foi descoberto.
O interesse em virar delator foi informado aos investigadores pela defesa de Vargas. Procurados, seus advogados preferiram não comentar o assunto. Vargas não é nenhum Delcídio Amaral. Mas sua eventual delação não será inofensiva.
Do Blog do Josias de Souza, 01/04/2016, 19:28 hs
COMO PENSAR?
As relações políticas são constituídas e funcionam segundo forças. Desse modo, o poder só existe como relação entre forças. Não existe O poder, e sim, como nos ensinou Michel Foucault, poderes que atravessam e produzem o tecido social, muitas vezes sem serem percebidos, pelo menos ao nível da consciência das chamadas pessoas comuns, todos nós. Ocorre que em situações-limite envolvendo poderes do Estado, instituições correlatas e imediatamente visíveis, as relações políticas "descem" ao nível das relações entre as pessoas, atualizando realidades que sempre estiveram aí, mas não eram notadas. Neste sentido, a conjuntura brasileira de hoje faz por escancarar posições de atores pessoais, egóicos, individuais, na construção da realidade comum. É desse modo que a política traz à luz cenas explícitas de fascismos à mão cheia em pessoas que "normalmente" não são fascistas. Tal é a linha de subjetivação que vai ligar a direita tradicional com a esquerda autoritária, numa deriva ensandecida e raivosa contra tudo que floresce: a vida. Fica muito difícil, quase impossível pensar a multiplicidade num universo violentamente binário. Oh Deleuze!
A.M.
QUEM DÁ MAIS?
No mercado persa que se instalou ao redor do pedido de impeachment de Dilma, a moeda que vigora é a fantasia, não o Real. Ganhará a guerra quem chegar à véspera da batalha final com a melhor pose de vencedor. Na fase atual, marcada pela compra e venda de votos, o político procura não parecer o que é. Faz isso porque o interlocutor pode não ser o que parece. Ou, enganação suprema, pode ser e parecer.
Um fato ocorrido na Câmara nesta quinta-feira ajuda a entender o que se passa. Membro do pelotão de resistência de Dilma, o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE) encontrou-se com o colega Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), que pega em lanças pelo impeachment. A dupla travou um diálogo elucidativo:
— Lúcio, meu velho, fico cada vez mais decepcionado com a política. Vou te contar uma coisa porque gosto de você. Mas peço que não comente com ninguém. Estou vindo do Planalto. Encontrei lá cinco malandros do PMDB querendo ser recebidos. Pediam que não lhes retirassem os cargos porque não votarão a favor do impeachment.
— Silvio, meu caro, diferentemente de você eu já nem me decepciono mais. Encontrei há poucos instantes dez malandros seus. Disseram que fingem ser contra o impeachment de Dilma para evitar que lhes tirem os cargos. Mas querem mesmo é conversar com o Michel Temer. Pediram para eu marcar o encontro.
Os dois gargalharam ao se dar conta de que, na aritmética do impeachment, o que conta são as frações ordinárias.
Do Blog do Josias, 01/04/2016, 04:32 hs
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