domingo, 5 de junho de 2016

A DÍVIDA 

Cerveró relata como ajudou a campanha da reeleição de Lula em 2006

"Eu fui nomeado como retribuição por ter solucionado a dívida do PT com a Schain de 50 milhões de reais, quando era diretor internacional, em 2007, através da contratação da Schain como operadora da sonda Vitoria 10000."

Thiago Bronzatto, de Brasília, Veja.com, 05/06/2016. 13:13 hs
Nunca use violência de nenhum tipo. Nunca ameace com violência de nenhum modo. Nunca sequer tenha pensamentos violentos. Nunca discuta, porque isto ataca a opinião do outro. Nunca critique, porque isto ataca o ego do outro. E o seu sucesso está garantido.
(...)
Mahatma Gandhi

GRANDES ESCRITOS


CLÍNICA (POÉTICA) DA DIFERENÇA 

Na clínica do Encontro, a sintaxe poética pode ser utilizada como expressão do paciente e escuta/ intervenção do terapeuta. Isto porque a matéria do processo dito terapêutico é o desejo em todas as multiplicidades singulares. No entanto, linhas de destruição aprontam suas armas na cena da transferência. E não concebemos a transferência apenas no sentido freudiano, mas sim como um conceito ampliado para acessar estratos subjetivos que o mundo fincou no coração dos afetos: as instituições. Diante dessa ação anti-alegria, desse terrorismo afetivo, a tarefa essencial da clínica da Diferença passa a ser criar, inventar, fazer surgir, arriscar,mudar o jogo em prol de um contrajogo leve e dançante. Inglório o desafio, pois as forças conservadoras operam maciçamente com o fim de acusar, julgar e condenar a vida do jeito que elas fazem com uma criança. É preciso resgatar a poesia , mesmo sem sermos poetas e sem que o paciente o seja. Não importa. A poesia não precisa só de versos.O que ela expressa é o inexpresso, o não-dito, o sem-palavras, enfim, os desejos que surgem sem nome, os inomináveis. Talvez esteja próximo a esse movimento vital o que alguns mestres orientais chamam de "caminho da libertação".

A.M.

RABO PRESO


DECISÃO

Vocês são a favor ou contra?
Respondam sim ou não.
Decerto já pensaram no problema
Creio sinceramente que ele os tem preocupado.
Tudo na vida traz preocupações
Crianças mulheres insetos
Plantas nocivas, horas sem proveito
Paixões difíceis, dentes cariados
Filmes medíocres. E isto decerto os preocupa.
Sejam responsáveis e digam: Sim ou não.
A vocês é que cabe decidir.
Não lhes pedimos evidentemente que abandonem
Suas ocupações, que interrompam sua vida
O jornal preferido o bate-papo
No barbeiro os domingos ao ar livre.
Uma palavra só. Vamos, então:
Vocês são contra ou a favor?
Pensem bem: Eu fico à espera.


Manólis Anagnostákis 

(tradução de José Paulo Paes)
VIAGENS DE MIGUEL

Miguel é um dos meus amores. Tenho muitos, múltiplos, heterogêneos e imprevisíveis. Claro, Miguel é dos mais intensos e próximos. Ele me toca, afeta as "minhas" profundezas mais superficiais, ou seja, solicita mais pele, pele de pai, pele de companheiro, pele de amigo e cuidador. Miguel é belo e imprevisível. Sua natureza apolínea, e ao mesmo tempo dionisíaca, afronta as pulsões mais elementares. O Mundo é o seu mundo. Vive nos e dos paradoxos de uma infância brilhante e solar, sorri ao cosmos, cumprimenta os passantes, diz "oi" ao desconhecido, se faz notar. Ele é a pura expressão. Oh, Spinosa! Miguel antes me chamava de antonio e deu pra me chamar de pai. No entanto, gostaria de lhe dizer (e digo!) que não quero ser pai e sim uma partícula da natureza de onde ele, a Vida, veio. Sim, tudo é muito simples. Miguel é doce, sensível e ao mesmo tempo cruel nas exigências para agora e ontem. Assim, faço como posso (ou não...) para atendê-lo, estar com ele, amá-lo, enquanto consigo traçar formas de prudência do viver em sociedade. Que não é fácil...

A.M.

JONAS GERARD


Vivo nas estrelas porque é lá que brilha a minha alma.

Manuel Bandeira
NÃO EXISTE TODO

(...) Bergson dizia: o todo não é dado nem pode vir a sê-lo (e o erro da ciência moderna, como da ciência antiga, era de se atribuir o todo, de duas maneiras diferentes). Muitos filósofos já haviam dito que o todo não era dado nem passível de ser dado; a única conclusão que tiravam disto era que o todo era uma noção desprovida de sentido. A conclusão de Bergson é muito diferente: se o todo não é passível de ser dado é porque ele é o Aberto e porque lhe cabe mudar incessantemente ou fazer surgir algo de novo; em suma: durar. "A duração do universo deve constituir uma unidade com a latitude de criação que nele pode haver." De tal modo que toda vez que nos encontramos diante de uma duração, ou numa duração, poderemos concluir pela existência de um todo que muda, e que é aberto em alguma parte. Sabemos muito bem que Bergson descobriu inicialmente a duração como idêntica a consciência. Mas um estudo mais aprofundado da consciência levou-o a mostrar que ela só existia abrindo-se para um todo, coincidindo com a abertura de um todo. Assim também para o vivente: quando Bergson compara o vivente a um todo, ou ao todo do universo, ele parece retomar a mais antiga comparação. E, no entanto, inverte completamente os termos. Pois se o vivente é um todo, portanto assimilável ao todo do universo, não é tanto porque seria um microcosmo tão fechado quanto o todo supostamente o é, mas, ao contrário, é enquanto ele é aberto para um mundo, e que o mundo, o próprio universo, é o Aberto. "Em todo lugar onde alguma coisa vive, existe, aberto em alguma parte, um registro onde o tempo se inscreve." 
(...)
Gilles Deleuze in Cinema: a imagem-movimento 
LINHA DO EQUADOR

O primeiro jogo sem titulares do trágico 7 a 1 contra a Alemanha não fez o bom futebol voltar à seleção brasileira. O Brasil empatou em 0 a 0 neste sábado com o Equador no jogo de estreia na Copa América Centenário, no Estádio de Rose Browl, na Califórnia. Apesar da maior posse de bola durante os noventa minutos e do relativo domínio no jogo, faltou à seleção transformar a grande quantidade de toques em oportunidades objetivas de gol.
A noite de estreia só não foi pior porque a arbitragem anulou um gol legítimo do Equador aos 21 minutos do segundo tempo. Em lance bisonho, o goleiro brasileiro Alisson deixou a bola entrar nas redes após uma tentativa de cruzamento realizada pelo atacante equatoriano Miller Bolaños. Para sorte da seleção brasileiro, o banderinha acreditou, erradamente, que a bola havia saído antes pela linha de fundo.
(...)
Da Veja.com, 05/06/2016, 01:31 hs

sábado, 4 de junho de 2016

MARCUS MILLER - Run For Cover


Agora só espero a despalavra: a palavra nascida para o canto-desde os pássaros. 
A palavra sem pronúncia, ágrafa. 
Quero o som que ainda não deu liga. 
Quero o som gotejante das violas de cocho. 
A palavra que tenha um aroma ainda cego. 
Até antes do murmúrio. 
Que fosse nem um risco de voz. 
Que só mostrasse a cintilância dos escuros. 
A palavra incapaz de ocupar o lugar de uma imagem. 
O antesmente verbal: a despalavra mesmo.

Manoel de Barros

A DELAÇÃO DA ODEBRECHT


NEGÓCIOS DO PODER

O conteúdo das últimas delações premiadas da Lava Jato —além das cenas da já conhecida promiscuidade nas altas esferas da política entre os que lutam para se firmar no Planalto e os que brigam para retornar— revela um cenário típico de guerra entre facções criminosas pelo controle dos negócios do poder.

Sérgio Machado, o delator do PMDB, disse ter repassado R$ 70 milhões roubados da Transpetro para Renan Calheiros (R$ 30 milhões), Romero Jucá (R$ 20 milhões) e José Sarney (R$ 20 milhões) —uma troica de cardeiais que Michel Temer afaga, para evitar que o roteiro do impedimento de Dilma desande no Senado.

Marcelo Odebrecht, o delator dos delatores, avisou que seu alvo mais reluzente será Dilma. Ele conta que as arcas da reeleição de madame foram abastecidas com dinheiro de propina. Algo que, aliás, a forca-tarefa da Lava Jato já havia farejado ao rastrear o envio de R$ 3 milhões da construtora Odebrecht para uma conta aberta na Suíça por João Santana, além do repasse de R$ 22 milhões em dinheiro vivo ao marqueteiro da reeleição.
(...)
Do Blog do Josias de Souza,04/06/2016, 04:51 hs