quarta-feira, 6 de julho de 2016

SINGULARIDADES

(...) (...)As linhas singulares da existência são a materialidade subjetiva do individuo, a qual compreende elementos visíveis e invisíveis; ela sempre acontece no plural. São muitas linhas singulares funcionando num movimento incessante. O organismo visível fornece o lastro concreto para uma subjetividade. Contudo, ele é composto por partes infinitamente divisíveis as quais chamamos corpo.O organismo não é o corpo. Este ultrapassa  os  limites do organismo de onde a medicina extrai a sua  mais-valia  de prestígio. As linhas singulares inscrevem-se num corpo não imediatamente visível nem tampouco separado do meio por uma linha de fronteira bem demarcada. Elas são antes de tudo micro-potências que impulsionam o funcionamento motor, cognitivo, intelectual, existencial, enfim, tudo que signifique produção incessante de vida. O paciente é composto por  elas e são elas que se expressam como sintomas. Um sintoma é uma linha singular, já que, apesar de ser signo de uma doença cadastrada  na CID-10, ao mesmo tempo é expresso como território existencial.”Eu sou meu  delírio”, “Eu sou minha tontura”, etc. 
(...)
A.M.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

ABISMO

Policiais federais estão nas ruas desde a madrugada desta segunda-feira (4) para cumprir mandados referentes à 31ª fase da Operação Lava Jato em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Foram expedidos 35 mandados judiciais, sendo quatro de prisão temporária, um de preventiva, 23 de busca e apreensão, além de sete conduções coercitivas, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento. A ação foi batizada pela PF de "Abismo".
Paulo Adalberto Alves Ferreira, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), é alvo do mandado de prisão preventiva, mas já estava preso pela Operação Custo Brasil. A PF também cumpriu um mandado de busca e apreensão contra ele, em Brasília.
A investigação desta fase desta fase, conforme a PF, tem o objetivo de apurar a fraude ao processo licitatório, o pagamento de valores indevidos a servidores da Petrobras e o repasse de recursos a partido político em virtude do sucesso obtido por empresas privadas em contratações específicas como, por exemplo, o projeto de reforma do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), estabelecido na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.
A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período ou até mesmo ser convertida para preventiva, que é quando o investigado não tem prazo determinado para deixar a prisão.
(...)
Adriana Justi,do G1 PR,04/06/2016, 07:18 hs

domingo, 3 de julho de 2016

Devemos a Graham Bell o fato de estarmos em qualquer lugar do mundo e alguém poder nos chatear pelo telefone.

Otto Lara Resende

NIKITA MANOKHIN


A CRISE NA CRISE

(...)
A crise atual acontece num momento de crise econômica, quebradeira do Estado, véspera de Olimpíada. Não há solução durável no horizonte. É por sentir essa sensação de aperto que olho para o smartphone com alguma expectativa. Por que desprezá-lo? O fato novo que propiciou é uma sociedade com uma extensa capacidade de se informar. O que significa também instrumentos para melhor se defender. É uma contingência. Não significa substituir o Estado, nem deixar de exigir serviços decentes. Apesar da quebradeira, o Estado ainda detém importantes instrumentos tecnológicos no seu centro de comando e controle. Poderia ser um grande parceiro nesse fluxo de informações, alertas, enfim entrar numa outra dimensão da luta pela segurança. Numa entrevista, José Mariano Beltrame me declarou que as UPPS eram apenas uma anestesia pois o projeto de recuperar socialmente os lugares ocupados não vingou. E o efeito da anestesia está passando.
Quando me atrevo a pensar em segurança, algo inevitável para quem trabalha na rua, sei que um abraço na tecnologia da informação não resolve os problemas de fundo. Mas é o velho dilema que nos persegue: o que fazer enquanto não se resolvem os problemas de fundo? Talvez seja prematuro refletir sobre isto antes da Olimpíada, quando se espera um alívio temporário. A Copa do Mundo já passou, e a vida continuou do mesmo jeito ou pior. Esses eventos não têm o condão mágico de resolver problemas.
Depois da Olimpíada, a realidade vai aparecer com toda a crueza. Quando começo a olhar para o telefone e a perguntar o que pode fazer por mim é porque a situação está brava ou, pelo menos, parece estar. Daí a necessidade de pensar cenários de crise, alguns remédios. A crescente violência urbana pode suscitar uma série de visões extremadas mas ao mesmo tempo atraentes pela sua simplicidade.
Depois do que aconteceu com a União Europeia, com a saída do Reino Unido, constatei mais uma vez que nem sempre uma posição mais racional triunfa, que a História não tem um script linear. O Brasil vive um período vulnerável. Estado falido, sistema político falido. De alguns políticos, com a ajuda da Lava-Jato, a sociedade está a caminho de se livrar. No entanto, não pode se livrar facilmente dos estragos que deixaram no seu rastro. É um grande desafio para ela: com a falência estatal precisa preencher parte das atribuições do governo. E ainda ter serenidade. Haja paciência.

Fernando Gabeira, 03/07/2016

PARA ALÉM AQUI  MESMO

Uma psiquiatria materialista é a que "introduz o desejo na produção e a produção no desejo". Tal assertiva deleuze-guattariana implica em se fazer dessa especialidade médica um campo estilhaçado do conhecimento, usando a loucura como referência não médica, não codificada ( o que é isso?) para a produção de uma clínica das multiplicidades. Neste sentido, o saber médico compõe agenciamentos de desejo e discursos, sendo tão só um saber a mais, saber limitado, óbvio, e a depender, útil ou inútil e mesmo danoso à promoção da vida, que no fim das contas é o que interessa à ética da prática. Trata-se de um fio tênue por onde circula a política subjetiva das formas sociais. A psiquiatria torna-se outra coisa que torna-se outra, e assim por diante, em conexões infinitas, mas inseridas no Encontro com o paciente. Ser psiquiatra é tornar-se louco sem ser louco. Um paradoxo a ser explorado na clínica dos abismos cotidianos.

A.M.

TIRANIA DA RAZÃO


MERECEMOS


O Brasil merece uma Olimpíada?

Mais do que uma competição, os Jogos Olímpicos são fartos em simbologias.
Representam um gesto de união entre as nações.
Uma pausa nos conflitos, pela paz.
O esporte é só o veículo.
Tudo deveria ser grandioso numa Olimpíada, já que trata-se do mundo se unindo para celebrar a raça humana e suas conquistas, pela metáfora das superações de recordes.

É exatamente por isso que não deveríamos nos meter a hospedar uma Olimpíada.

Copa do Mundo podemos.
Ou melhor, devemos.
Afinal é um evento esportivo descaradamente comercial, corrupto, perfeito para um país como o nosso se tornou.

Mas não temos condição moral, como Nação, para hospedar um evento tão cheio de honra e dignidade.
Somos o lixo, a escória corrupta e violenta das nações.
Mais corrupta do que foi a União Soviética ou a China.
Mais violenta que as republiquetas africanas governadas por milícias.
Um país sujo, violento, incompetente, é o que viramos.

Seríamos uma piada pronta, se não fossemos um filme de horror.

The Late Show with Stephen Colbert é um talk show diário na CBS.
Está entre os mais fraquinhos dos Late Shows…mas convenhamos, tem uma audiência de aproximadamente 6 milhões de espectadores.
Mais os que assistem na CBS web.
Mais um milhão no Youtube.
Colbert gastou 4 minutos e meio rindo da sua cara e da minha esta semana.
Quatro longos minutos. E meio.

Está no YouTube: Colbert, Rio 2016.
Você não precisa entender inglês para compreender.
Tudo que ele diz, vira piada para sua platéia, que não entende que ele só está falando verdades.
A foto da polícia no aeroporto saudando os turistas com “Welcome to Hell”. A poluição. A epidemia de Zika. Os superfaturamentos. O atraso das obras. Rivaldo pedindo que os turistas não venham para o Brasil. E por aí vai.
A platéia ri, divertida com o pitoresco que são esses brasileiros.
Isso porque não sabiam da notícia de hoje:
Um corpo mutilado apareceu na praia de Copacabana há metros de onde será jogado o volei de praia.

Cansa ser brasileiro.
A gente não merece passar por isso.
E os Jogos Olímpicos não merecem esse Brasil.

Mentor Neto, Isto É, 30/06/2016, 11:33 hs

sábado, 2 de julho de 2016

VERDADE DOS SIGNOS

(...)
Quem procura a verdade é o ciumento que descobre um signo mentiroso no rosto da criatura amada; é o homem sensível quando encontra a violência de uma impressão; é o leitor, o ouvinte, quando a obra de arte emite signos, o que o forçará talvez a criar, como o apelo do gênio a outros gênios. As comunicações de uma amizade tagarela nada são em comparação com as interpretações silenciosas de um amante. A filosofia, com todo o seu método e a sua boa vontade, nada significa diante das pressões secretas da obra de arte. A criação, como gênese do ato de pensar, sempre surgirá dos signos. A obra de arte não só nasce dos signos como os faz nascer; o criador é como o ciumento, divino intérprete que vigia os signos pelos quais a verdade se trai. 
(...)
Gilles Deleuze in Proust e os Signos

BRUNA CARAM - Flor do Medo


RECORDES DA SAÚDE

RIO - À espera dos recursos federais, a área da saúde vive dias de agonia. O secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior, disse nesta sexta-feira que o setor está com “grande dificuldade” para manter unidades em funcionamento, e, sem a injeção de dinheiro, os serviços podem parar até durante os Jogos Olímpicos. Segundo ele, o quadro hoje é pior que o enfrentado em dezembro passado, quando emergências estaduais fecharam as portas:

— Se não tiver recurso novo e se não tiver garantia de custeio, é claro que sim (a situação de dezembro pode se repetir). Mas tenho a certeza de que o governo vai alocar recursos para que nada disso aconteça. Agora, se o governo não tiver recursos... A gente está sempre sob risco. Eu fiz, inclusive, um ofício ao governador explicando essa situação, o risco de paralisação dos nossos serviços.
(...)

Carina Bacelar, O Globo, 02/07/2016,09:26 hs