Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
quinta-feira, 21 de julho de 2016
DELAÇÃO CASADA
CURITIBA — O ex-marqueteiro do PT João Santana e sua mulher e sócia, a empresária Mônica Moura, assinaram termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR), documento que marca o início do processo formal de colaboração premiada. Presos em Curitiba há cinco meses, dessa vez o casal tenta fechar uma delação em dupla — no início de abril Mônica tentou acordo individual, mas os termos não foram aceitos pelos procuradores.
Desde 15 de junho deste ano o casal está preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Antes, ele estava detido no Complexo Médico Penal, na Região Metropolitana de Curitiba, e ela, em um presídio feminino. A transferência, realizada há mais de um mês, ocorreu a pedido dos advogados da dupla e com a anuência do Ministério Público, para facilitar as conversas com seus defensores. O acordo ainda está em fase de negociação, o que significa que os dois ainda não prestaram qualquer depoimento aos procuradores.
O termo de confidencialidade é uma espécie de pré-delação e antecede a assinatura do acordo com a Justiça. Nesta quinta-feira, os dois estarão pela primeira vez de frente com o juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, Sérgio Moro, que determinou a prisão do casal.
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Thiago Herdy, O Globo, 21/072016, 04:30 hs
ISSO É TODA HORA
O ex-namorado de Bianca Estevam, Douglas Fernandes, de 22 anos, é suspeito de ter matado a jovem asfixiada com um fio de telefone no final da tarde desta quarta (20) em Ramos, na Zona Norte do Rio, perto da saíde da Ilha do Fundão, segundo a Polícia Civil do Rio. A Divisão de Homicídios da Capital já realizou perícia no local.
De acordo com a polícia, o crime teria sido cometido pelo rapaz, que não aceitou o término do relacionamento. Segundo uma amiga da vítima, Douglas planejou o crime, pois sabia que Bianca estaria sozinha em sua casa e que sua mãe só chegaria do trabalho depois das 16h.
"Estava tendo muita briga e ela não estava aguentando mais. Ela deu um tempo até... e decidiu separar, não querer mais, entendeu? E ele dizia que amava muito ela. Ele perguntou se ela queria fazer isso mesmo... Aí ela: É. Aí, é o que aconteceu. Nunca pensei que ele ia fazer isso, entendeu, com ela. Nunca. Ah, meu Deus, não consigo falar”, disse a amiga, que não quis se identificar. O casal estava separado há apenas uma semana.
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Do G1 Rio. 21/07/2016,06:53 hs
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
O amor de agora é o mesmo amor de outrora
Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.
Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido
Que me causa a impressão de andar perdido
Em busca de outrem pela vida afora.
Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,
E em sua treva um ser de luz desperta.
E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,
Qualquer coisa de agora mas de eterno.
Dante Milano
quarta-feira, 20 de julho de 2016
MICROCÉREBROS NÃO MENTEM
O Brasil tem 1.709 casos confirmados de microcefalia, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira, 20, pelo Ministério da Saúde. Destes, 267 tiveram confirmação em laboratório para zika. O governo considera que houve infecção pelo vírus na maior parte das gestantes que tiveram bebês com a má-formação.
Também foram registradas 354 mortes por suspeita de microcefalia e/ou outra alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gravidez. O número representa 4,1% do total de casos notificados.
A região Nordeste tem a maioria dos casos confirmados de microcefalia (1.466), sendo que os Estados de Pernambuco, Bahia e Paraíba lideram em número de confirmações para a má-formação, com 371, 277 e 148 casos, respectivamente. Ainda estão em investigação 3.182 suspeitas de microcefalia.
Estadão, 20/07/2016, 17:33 hs
PARA ALÉM DO HOMEM
As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo...
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F. Nietzsche
VELOCIDADE E POLÍTICA
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DIPLOMATIQUE: O que preocupa o senhor são os limites do tempo humano?
VIRILIO: Sim, é preciso trabalhar sobre a natureza do poder da velocidade atualmente, porque a velocidade da luz é um absoluto e é o limite do tempo humano. Nós estamos no “tempo-máquina”; o tempo humano é sacrificado como os escravos eram sacrificados no culto solar de antigamente. Eu o digo, nós estamos num novo Iluminismo em que a velocidade da luz é um culto. É um poder absoluto que se esconde atrás do progresso, e é por isso que eu afirmo que a velocidade é a propaganda do progresso. Eu não tenho nada contra o progresso. Quando eu digo que é preciso “ir mais devagar”, alguns zombam de mim. Pensam que eu condeno a revolução dos transportes, dos trens, dos carros, dos aviões, que eu sou contra os computadores e contra a Internet. Não é nesse nível que as coisas estão em jogo…
DIPLOMATIQUE: O que o senhor combate é a aceleração do real que põe em questão a percepção das aparências sensíveis e daquilo que a fenomenologia chama de “ser-no-mundo”?
VIRILIO: Sim, o que a revolução dos transportes era para a aceleração da história e os movimentos migratórios, a revolução das transmissões instantâneas o é para a aceleração da realidade percebida. É um acontecimento alucinante, estupeficante. A velocidade é uma ebriedade. Uma embriaguez que pode ser “scópica” ou sonora – daí, aliás, a passagem do muro do som. Com as telecomunicações, utiliza-se a força de impacto da aceleração para fazer passar coisas que não estão na realidade pública, ou seja, no espaço real público, mas na realidade privada, ou antes transmitidas em tempo real por sociedades privadas. A tal ponto que a questão da imaginação, e aquela, filosófica, do “ser-no-mundo”, do aqui e do agora, tornam-se centrais. Nós estamos, assim, em plena crise da ciência, do que eu chamo de “acidente dos conhecimentos”, “acidente das substâncias” e “acidente das distâncias”. Essa questão da velocidade, desde Einstein, está no cerne da relatividade outrora especial, e hoje generalizada, que está em vias de se chocar contra um muro, o que eu chamo de “muro do tempo”. O que se passou em Wall Street me interessa muito porque as pessoas de Wall Street se chocaram contra o muro do tempo e o muro do dinheiro. É um fenômeno político maior no momento em que os algoritmos e os programas de computador dominam a vida econômica, e eu pretendo que a “relatividade especial” deveria ser um problema encarado pelo Estado. Se o século XX foi o século da conquista do ar e do espaço, eu penso que o século XXI deveria se questionar não somente sobre as nanotecnologias, mas, também, sobre as nanocronologias, isto é, sobre o tempo infinitesimal, sobre a conquista do “infinitamente pequeno do tempo”.
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Paul Virilio, trecho de entrevista ao L.M. Diplomatique Brasil, 03/06/2011
CADÁVERES GORDOS
A.M.
A psiquiatria biológica, versão século XXI, padece de uma condição de impossibilidade epistemológica e institucional para chegar ao paciente, ou, dito de outro modo, às multiplicidades que o constituem como Vivência. O fato de que ele, com seus problemas, suas doenças, seus transtornos, seus sintomas, por vezes melhorar, não invalida tal assertiva, ao contrário. Isto porque, "melhorar", na acepção biomédica, significa sobretudo adaptar-se às condições socio-institucionais estabelecidas. Normalizar modos singulares de subjetivação é tarefa dos aparelhos psiquiátricos exercida por meio de equipamentos de poder: o diagnóstico cidológico, o psicofármaco, o laudo neurocientífico, a semiologia comportamental, e, não menos importante, a aliança da psiquiatria com instituições presentes e atuantes na cena do exame: o direito, a polícia, a religião, a escola, a família, etc. Quase todo psiquiatra é um pouco juiz, policial, sacerdote, professor ou pai... Assim, ao não levar em conta os mil afetos (materialidade da vivência) e sim os sintomas que o paciente traz, a psiquiatria, sob a caução do positivismo neurocientífico, produz o aniquilamento consentido do desejo. Restam sinapses aflitas...
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