Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sábado, 19 de novembro de 2016
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.
Manoel de Barros
O GRANDE DESMONTE
Dois presos na Operação Calicute têm potencial para causar problemas ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão: Hudson Braga e Wagner Jordão. Braga era o homem de confiança do atual governador no núcleo duro do governo de Sérgio Cabral. Ele era subsecretário de Pezão na Secretaria de Obras na gestão de Cabral. Quando Pezão deixou a secretaria, em setembro de 2011, foi Hudson Braga quem assumiu. Wagner Jordão, por sua vez, era conhecido, dentro do governo, como o “maleiro” de Braga. Na petição do Ministério Público Federal, os procuradores afirmam que Wagner Jordão recebia a “taxa de oxigênio” de Hudson. Ou seja, a propina.
Nonato Viega, Época, 18/11/2016, 10:54 hs
VIDA QUE SEGUE
O Sérgio Cabral aparece em fotos já no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Os registros mostram o ex-governador fazendo as poses padrão para todos os presos, com a camisa verde que é o uniforme do sistema penitenciário do Rio. Além disso, é possível ver que o cabelo dele está mais curto: Cabral teve os cabelos raspados ao dar entrada no complexo de Gericinó, informou a Secretaria estadual de Administração Penitenciária. Segundo o órgão, o procedimento é padrão para todos os detentos.
A Seap revelou ainda que Cabral divide com mais cinco internos, numa cela de nove metros quadrados. O cardápio no café da manhã foi pão com manteiga e café com leite. Durante a manhã desta sexta, o ex-governador não havia recebido visitas.
Já Anthony Garotinho está na Unidade de Printo Atendimento (UPA) Dr. Hamilton Agostinho de Castro Vieira, onde foi examinado. Ainda de acordo com a Seap, ele permanece na unidade individual intermediária de tratamento, com monitoramento cardíaco e está sendo acompanhado por um cardiologista da Secretaria.
Com relação às visitas para os dois, a Seap esclareceu que o prazo médio para cadastramento é de 15 dias. Mas eles podem receber uma visita extraordiária, caso ela sejam autorizada - a Secretaria ressaltou que esse procedimento é comum para todos os presos.
Cabral foi preso nesta quinta-feira, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Já Garotinho foi detido no dia anterior, no Flamengo, também na Zona Sul.
Extra, 18/11/2016,13:58 hs
É PROIBIDO PENSAR!
A "forma-universidade" é um conceito da Análise Institucional que faz pensar a universidade (qualquer uma) como forma de relação social oriunda da Idade Média e "vitoriosa" nos dias atuais. Falamos, pois, de uma subjetividade acadêmica. Quem ousa lhe contestar? Simples: sob o respaldo da verdade científica, ela legitima a Ordem Estabelecida, fingindo que a contesta em teses tão brilhantes quanto inúteis aos devires sociais. Ou seja, delicadamente ela escurraça metamorfoses imperceptíveis, realidades "reais", singularidades, saberes menores. Fabrica a diferença como maldição.E convence! Você já discutiu idéias com um pesquisador? E com um professor? Desista. Trata-se de uma representação esperta da realidade social agenciada pelo Estado-gerente, a dizer: não afirme nada, não arrisque nada, NÃO CRIE, aceite disfarçadamente o que a razão transcendente da Academia esparramou pelas partes mais íntimas do corpo erótico. Diga amém, mas seja doutor em alguma coisa, qualquer coisa. O apoio do ideal cristão, claro, é essencial ao progresso acadêmico. Afinal de contas, foi com e pelo cristianismo que a Universidade nasceu e floresceu.
A.M.
GOVERNANTES RICOS, GOVERNADOS POBRES
Além dos indícios de que os investigados estariam tentando destruir provas e esconder recursos ilícitos, a grave crise econômica do Rio de Janeiro sensibilizou o juiz Sergio Moro na hora de ele assinar os mandados de prisão contra o ex-governador Sergio Cabral e seus ex-assessores na 37ª fase da Operação Lava Jato. No despacho, Moro afirmou que seria uma “afronta” deixar em liberdade os investigados usufruindo do “produto milionário de seus crimes”, enquanto a população do Rio sofre com a “notória situação de ruína das contas públicas”. “Por conta de gestão governamental aparentemente comprometida por corrupção e inépcia, impõe-se à população daquele Estado tamanhos sacrifícios, com aumentos de tributos e corte de salários e de investimentos públicos e sociais. Uma versão criminosa de governantes ricos e governados pobres”, escreveu o juiz que conduz a Lava Jato em primeira instância em Curitiba. Aliado de Cabral, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) enfrenta dificuldades para aprovar na Assembleia Legislativa um pacote de arrocho para reequilibrar as finanças do Estado. Nesta quarta-feira, pela segunda vez em menos de um mês, o centro do Rio virou palco de confrontos entre o Batalhão de Choque da Polícia Militar e servidores públicos de diferentes áreas que protestavam contra as medidas.
(...)
Eduardo Gonçalves, Blog Maquiavel, 17/11/2016,12:49 hs
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