sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Quando eu era pequeno, meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Aí passaram a me bater todo dia, para ver se eu parava com aquilo.

Woody Allen

OS PARALAMAS DO SUCESSO - Lanterna Dos Afogados


CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA - 1

A produção capitalística, em tempos atuais, se dá em escala planetária: a devastação da Terra. Por isso Félix Guattari criou o conceito de Capitalismo Mundial Integrado. O CMI significa a produção subjetiva e portanto material, ou o contrário, a produção material e portanto subjetiva. "Só existe o desejo e o social". Neste sentido, infere-se que o sistema capitalístico se afirmou e se afirma em tão amplas proporções por que domina e controla os indivíduos por dentro, produzindo subjetividades robotizadas (modos de pensar, sentir, perceber e agir) que giram em torno do valor-dinheiro como abstração concretizada em bens de consumo. A servidão imunda, consentida e querida: consome-se todo tipo de produto, incluindo sentimentos, valores, religiões, notícias, doenças, conhecimentos, assistencialismos, espiritualidades, etc. Ora, em tal universo, o sentido é produzido sem cessar como o mundo mais desenvolvido, mais avançado já alcançado pelo Homem, o que é atestado pela tecnologia científica. Sob tais condições, torna-se difícil pensar diferente, ou apenas pensar! Porque não há (aparentemente) um fora do capitalismo. O sistema abarcou tudo, tomou tudo, invadiu tudo até as estruturas do inconsciente. Estamos de fato num mundo delirante (Marx destaca o "fetichismo miraculante" da mercadoria no início de "O Capital"). A Crença é para todos. Atravessa países, cidades, continentes: uma busca enlouquecida pela felicidade no exercício diário do consumo faz do homem moderno uma engrenagem plástica (só há uma cultura...) da máquina do capital. Como resistir a tal insânia normatizadora, a religião do capital, a verdade revelada?


A.M.


Obs. : texto republicado
Uma prece pelos rebeldes de coração enjaulados.

Tennessee Williams

POR QUE?


Qualquer amor há de sofrer uma perseguição concreta e assassina. Somos impotentes do sentimento e não perdoamos o amor alheio. Por isso, não deixe ninguém saber que você ama.


Nelson Rodrigues
EFEITO  NOCEBO

Em 2003, um experimento com 100 homens demonstrou como o cérebro nos engana. Todos eles sofriam de uma doença coronária, e todos eram tratados com o betabloqueador Atenolol. Um terço deles não sabia o que estava tomando. Outro terço foi informado sobre o nome do medicamento e para que servia. O terceiro grupo foi advertido sobre o risco de sofrer disfunção erétil. No primeiro grupo, só um dos pacientes efetivamente sofreu problemas de ereção; no segundo grupo, foram cinco. Já entre os que conheciam o efeito secundário, um terço (11 indivíduos) acabaram realmente enfrentando esse transtorno. Os cientistas chamaram isso de efeito nocebo, o contrário do placebo.

“Nocebo se refere a qualquer efeito negativo resultante de um tratamento simulado. Pode ser a piora de um sintoma ou a aparição de efeitos secundários”, diz a pesquisadora Alexandra Tinnermann, da Clínica Universitária de Hamburgo-Eppendorf (Alemanha). A cada pesquisa sobre esse fenômeno, 1.000 outras são feitas a respeito do efeito placebo. Além de agravar o estado de muitos doentes, o efeito nocebo está atrapalhando boa parte da pesquisa e gera dilemas na prática médica.
(...)

Miguel Ángel Criado, El Pais, 13/10/2013, 15:37 hs

GILLES DELEUZE

Um pensador da vida

ela só  me chega
sem imagem
sem rosto
sem nada
e  ao mesmo tempo
tão  dentro de tudo
tão dentro  de mim


A.M.

CAETANO VELOSO - Mora na Filosofia


FICÇÃO REAL


O cérebro mente porque a superposição mentecérebro é uma ficção. A mente não é visível. O cérebro é visível, ainda que por representações de imagens de laboratório.A mente, que preferimos chamar de subjetividade ou modo de subjetivação, é formada por processos do desejo-produção que se imiscuem no corpo e em sua alegria sustentada no nada.O cérebro, parte do corpo, é o próprio espírito, se chamarmos espírito de pensamento. Pensar é constituído de desejo,prenhe de desejo, materialidade de um corpo movido por intensidades múltiplas. Ninguém sabe o que pode um corpo, já dizia Espinosa. Ora, o corpo não é o organismo. Daí, a sua potência de viver e criar irradia-se para além do que a consciência, o eu, a razão, o indivíduo, o bom senso e o senso comum pretendem.Tais premissas fazem funcionar a proposta de uma clínica da diferença.Significa dizer que o próprio técnico em saúde mental está inscrito no trabalho da diferença, como cuidado de si voltado à expressão de singularidades. É que estamos sempre num dado contexto. Seja um Caps. Mais do que nunca, aí é onde o cérebro mente, pois no seu cotidiano pululam as heranças macabras do antigo manicômio. Hoje, travestidas em imagens, mas não menos ativas, sobrevivem enquanto arcaísmos clínicos.

A.M.

Obs. - Texto republicado e ampliado.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

JEAN MIRÓ


CARTA AOS REITORES

Basta de jogo de palavras,
de artifícios de sintaxe,
de malabarismos formais;
precisamos encontrar – agora –
a grande Lei do coração,
a Lei que não seja uma Lei, uma prisão,
senão um guia para o espírito perdido
em seu próprio labirinto.
Além daquilo que a ciência jamais poderá alcançar,
Ali onde os raios da razão se quebram contra as nuvens,
esse labirinto existe,
núcleo para o qual convergem todas as forças do ser,
as últimas nervuras do espírito.
(...)

Antonin Artaud 
Despertar

O telefone é um susto.
Do outro lado da linha
Alguém articula um bom-dia
rouco de pedra.
Engano
Eu não moro mais aqui


Eudoro Augusto

DORIVAL CAYMMI - O Vento