domingo, 5 de julho de 2020

O HORROR TRUMP

Embora a Casa Branca tenha por todos os meios tratado de impedir a publicação das memórias de John Bolton, assessor do presidente Donald Trump para a Segurança Nacional entre abril de 2018 e setembro de 2019, o livro, intitulado The Room Where It Happened (“a sala onde aconteceu”), acaba de sair nos Estados Unidos, logo depois de ser autorizado pelos juízes.

Trata-se de um grosso ensaio em que Bolton conta com riqueza de detalhes sua experiência de trabalhar um ano e meio com Trump e o critica com severidade, dando exemplos abundantes do que todos já sabíamos: que o presidente dos Estados Unidos carece do preparo mais elementar para ocupar o cargo que tem, e os erros e contradições que por essa mesma razão comete a cada dia, apesar da popularidade que obteve nos primeiros anos de seu governo e que parece ter perdido, a tal ponto que, segundo as últimas pesquisas, seria derrotado nas eleições de novembro pelo democrata Joe Biden.
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Mario Vargas Lhosa, El País,05/07/2020, 07:45 hs

HENRY ASENCIO


AMORES DUROS

Um mal incurável assola a civilização industrial. Possui nomes permutáveis conforme os  interesses em jogo. O portador de transtorno mental torna-se o protagonista da anticura. É etiquetado por diagnósticos extensos que se popularizam via mídia. O psiquiatra é chamado num programa de TV para sancionar veredictos que enchem o olho - telespectador. Ao fim, a verdade injetada publicamente em subjetividades em série constroe um plano de inserção da  clínica farmacológica. Tudo é muito natural e sensacional. Você assiste ao próprio eu se materializar em cores excitantes e sons maviosos. Como resistência (ato político) resta trair a psiquiatria e escapar do esquema pomposo das maquinarias engenhosas, inclusive o rosto da saúde perfeita. A cognição das formas sociais invasivas adota o feitio do controle consentido e incentivado. Controlo a mim, controlo a você. No interior dos hiper-laboratórios, o poder afunila seu ponto de aplicação mais visceral. A procura da alma dentro do cérebro é substituída pela procura do cérebro dentro da alma. Supõe-se certamente que ela exista desde sempre como a porção etérea não codificável. Chegou a vez de tratá-la como coisa séria, coisa de cientistas. O mais a psiquiatria divulga sem cessar. No entanto, resistir, resistir é traí-la sem retorno e virar pelo avesso as baterias do fármaco, até que o mundo caminhe sobre suas próprias pernas. Fazer arte, escutar o paciente. Simples: apague o diálogo interno. Castañeda, Reich, Drácula, Lovecraft, Bukowski, freaks, espaços lisos e libertários por toda parte.

A.M.
Dou voz liberta aos sentidos
Tiro vendas, ponho o grito
Escrevo o corpo, mostro o gosto
Dou a ver o infinito


Maria Teresa Horta

LULA E BOLSONARO


PANDEMIA E PANDEMÔNIO

Tentando pensar a saúde mental no contexto do covid, há várias linhas de análise. Uma delas, talvez a mais evidente, é do significante "morte". Posta como modelo do-vírus-que infecta, sobrevoa a todos como um fantasma. As tecnologias da imagem fazem disso um sentimento. Ora, se o que move os processos subjetivos é o sentimento ("sinto que vou viver", "sinto que vou morrer"), a Realidade é o que vem de fora, e mais, o próprio Fora. Impossível discutir "saúde mental" sem considerar esse Fora (o mundo) que é onde tudo começa e termina. Sob as condições atuais do covid, esse mundo traz o modelo da morte como objeto ou objetivo a nos abater, mesmo que o vírus, de acordo com as estatísticas, tenha uma baixa taxa de letalidade. Não importa. O essencial da informação/comunicação imagética é a chegada de uma certa representação da morte que contagia o psiquismo com efeitos diversos, entre eles, a paranóia, a depressão, a angústia e a fobia. Assistimos, então, a uma espécie de implante diário de uma vivência/percepção de que "estar vivo é estar morto". Esta seria uma formulação absurda se a Consciência, ou seja, se os elementos do bom senso comandassem as ações humanas, mormente no campo da política. Mas as coisas não funcionam assim, ao contrário.

A.M. 

sexta-feira, 3 de julho de 2020

O PAGADOR DE PROMESSAS

Leonardo Villar, ator de 96 anos, morreu na manhã desta sexta-feira (3) em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca. A informação foi confirmada ao G1 por familiares dele.
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Por G1, 03/07/2020, 16:50 hs, atualizado há uma hora
Não sou cristão, nem judeu,
Nem mago, nem muçulmano.
Não sou do Oriente, nem no Ocidente,
Nem da terra, nem do mar.
Não sou corpo, não sou alma.
A alma do Amado possui o que é meu.
Deixei de lado a dualidade,
Vejo os mundos num só.

Rumi

ANDRE KOHN


UMA CRIANÇA

Gilles Deleuze e Félix Guattari trabalham com três categorias teóricas em filosofia (O que é a filosofia? 1991). Elas lhe servem como linhas de afirmação das singularidades, ou mais amplamente, da própria diferença. São: O Conceito, o Plano de Imanência e os Personagens Conceituais. Nestes últimos, não podemos deixar de incluir a criança e a sua alegria "sem motivo", sua espontaneidade-criativa, sua produção incessante e infatigável de realidades múltiplas, seu choro não-trágico, seus jogos pela e na vida, sua vida desprovida de culpa e ressentimento, sobretudo seus erros fazendo parte dos acertos, enfim, uma beleza "espiritual" inscrita na velocidade da carne dos corpos lisos. No mais, só o cristianismo ( a doença entronizada) e a sua má vontade crônica contra tudo o que é terráqueo, político e poético, consegue "melar"o desejo como produção órfã, atéia e anarquista.

A.M.
Transição

ao tirar o sutiã soltava os peitos
o recheio todo feito de algodão
precisava ser mulher de qualquer jeito
o seu corpo foi fazer revolução

começou por arrancar aqueles pelos
que habitavam suas pernas sua cara
e deixou que lhe crescessem os cabelos
e vestiu roupa de flor — a que sonhara

já não era decassílabo o soneto
muito menos o heroico alexandrino
travestiu-se de mulher algo divino

caminhava pelos becos pelo gueto
como fosse a mais bela das rainhas
e ostentasse uma coroa com espinhos
relembranças e esquecimentos

raro o ano que mamãe não tinha filho
quatro meninas dois meninos duas meninas um menino
uma fileira de nove rebentos e o corpo acostumado
com criança dentro
:
velhinha mamãe tinha
criança dentro
violência

não tenho medo da vida não tenho medo da morte
tenho medo é da ferida — e da lâmina
e do corte


Líria Porto

quinta-feira, 2 de julho de 2020


INACREDITÁVEL

A imagem do presidente Jair Bolsonaro se mantém praticamente ilesa, apesar das turbulências que rondam sua gestão. É o que indica a mais recente pesquisa da consultoria Atlas Político, divulgada nesta quarta-feira, que reflete sobre um mês marcado pela prisão do motorista Fabrício Queiroz, suspeito de ser o operador do esquema de rachadinhas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro; batidas da Polícia Federal contra bolsonaristas e a nomeação frustrada de Carlos Alberto Decotelli, que, exposto por fraudar currículo, durou apenas cinco dias no Ministério da Educação. O levantamento ainda aponta uma consolidação na queda de popularidade de Sergio Moro e Paulo Guedes, que entraram para o Governo com status de superministros e tomaram rumos diferentes diante do agravamento da crise política em meio à pandemia de coronavírus.

De acordo com a pesquisa online, que ouviu 2.000 pessoas entre 27 e 30 de junho, com amostra que reflete a população brasileira adulta, a aprovação ao desempenho do presidente se estabilizou em 32%, após queda de 5 pontos percentuais entre abril e maio, e oscilou de 65% para 64%. A rejeição a seu Governo, ainda desaprovado pela maioria, também baixou de 58% para 56%, contra 25% de aprovação. Para o cientista político Andrei Roman, criador do Atlas Político, a pesquisa indica que Bolsonaro pode ter conseguido conter a sangria de popularidade que o abateu a partir da demissão traumática do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, agravada pela condução errática no controle da pandemia. “A saída do Moro foi um evento muito mais cataclísmico para a imagem do presidente que a prisão do Queiroz ou o constrangimento com o Decotelli”, afirma Roman. “Uma vez que ele consiga superar esse abalo, outras crises podem desgastá-lo, mas não na mesma magnitude do Moro.”
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Breiller Pires, El País, 01/07/2020, 14:30 hs

quarta-feira, 1 de julho de 2020

CICLONE BOMBA

Subiu para 10 o número de mortes causadas pelo fenômeno climático conhecido como "ciclone bomba" no Sul do país - nove mortes foram registradas em Santa Catarina e uma pessoa segue desaparecida no estado. Já no Rio Grande do Sul, um homem morreu soterrado.
Durante a madrugada desta quarta-feira (1º), os ventos chegaram a 90 km/h. Conforme o monitoramento da Celesc, 686,6 mil imóveis permaneciam sem luz até as 11h. Na terça-feira (30), a ventania causada pelo fenômeno e tempestades provocaram estragos em todas as regiões.
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Por G1 SC e NSC TV, 01/07/2020, atualizado há 24 min.