Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sábado, 23 de julho de 2022
QUEM MATOU MAIS? DEUS OU O DIABO?
Na Bíblia, dá Deus, de goleada. De acordo com os relatos do livro, o Todo-Poderoso é responsável por exatas 2 270 365 mortes, enquanto o coisa-ruim ostenta em seu currículo de maldades apenas 10 eliminados. Esse surpreendente levantamento foi feito pelo blogueiro americano Steve Wells, editor do site Skeptic’s Annotated Bible (“A Bíblia Anotada do Cético”), skepticsannotatedbible.com, que reproduz a Bíblia em versão online e comentada. Depois de vasculhar todas as mortes narradas no livro, Steve publicou os dados na internet.
Segundo ele, mais de 99% das mortes em nome do Senhor estão no Velho Testamento – a maior matança foi quando Deus destruiu todas as cidades nos arredores de Gerara, na Palestina, tirando a vida de 1 milhão de pessoas. No Novo Testamento, só 3 pessoas foram mandadas desta para a melhor pelas mãos do Criador: o rei Herodes, Ananias e sua esposa, Safira. Já o Diabo é responsável pela morte dos 10 filhos de Jó. Steve diz ainda que a lista de vidas tiradas tanto por Deus quanto pelo Diabo pode ser muito maior. “Só no dilúvio, quando Ele pediu a Noé para construir a arca, cerca de 30 milhões de pessoas teriam sido varridas do mundo. Mas, como é um total difícil de estimar, só somei as mortes cujos números são especificamente citados na Bíblia”, diz ele.
Para quem acha que Steve é um ateu incendiário, uma surpresa: ele é mórmon e diz que não quis causar polêmicas com o levantamento. “Sou um cara religioso e temo a Deus. Principalmente agora.”
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Operação no Complexo do Alemão (RJ) foi a quarta mais letal da história
A letalidade das forças de segurança do estado em comunidades do Rio de Janeiro vem crescendo. Somente nos últimos 14 meses, a capital fluminense registrou três das quatro operações mais letais de toda a história. Nesse período, foram 72 mortos em apenas três ações na cidade do Rio.
A mais letal entre todas as ações envolvendo agentes públicos aconteceu no Jacarezinho, na Zona Norte, em maio de 2021, quando 28 pessoas morreram. Um ano depois, em maio de 2022, 25 pessoas foram mortas durante uma operação policial na Vila Cruzeiro, também na Zona Norte.
Nesta quinta-feira (21), uma ação com policiais militares e civis resultou em mais 18 mortos durante a incursão no Complexo do Alemão, outro conjunto de favelas da Zona Norte do Rio. Entre os assassinados estão uma mulher, um policial e 16 suspeitos, segundo a PM.
Na sexta-feira, dia seguinte à operação, quando era mantido o reforço policial na região, mais uma moradora foi morta durante tiroteio.
As três operações organizadas por forças de segurança pública estão em destaque em uma lista que contabiliza mortes, mas que também retrata a rotina de quem vive em comunidades carentes na Cidade Maravilhosa.
G1, Rio, 22/0702022,atualizado há 1 hora.
quinta-feira, 21 de julho de 2022
PARA ALÉM DA CRÍTICA
A nossa crítica à psiquiatria não é uma crítica, é uma clínica. Ora, é comum à Crítica expressar um elemento paranóide que toma o seu objeto como perseguidor. Não é o caso. Além disso, sob as condições atuais do capitalismo axiomático aparentemente vencedor, a Crítica se torna um dispositivo social inofensivo e que adocica o discurso midiático em redundâncias sintáticas, semânticas e performáticas. Uma dominação semiótica se instala como verdade. Confira as ladainhas (reportagens) globais. Isso vai até o infinito...como efeito subjetivo. Mas há outros discursos mais pomposos. A universidade, por exemplo, traz uma verdade revelada e cauciona a psiquiatria oficial como transcendência do Conhecimento. Desse modo, aquieta paixões e resfria intensidades da prática clínica. Ao contrário, buscamos o avesso da história psiquiátrica canônica como ação de resistir aos biopoderes no interior da própria psiquiatria, da própria clínica, da psicopatologia agonizante.
A.M.
Como identificar o fascismo? parte 4
Há 100 anos (Itália, 1922) nascia o fascismo de Mussolini.Ao seguir na história, esse movimento político inspirou outros regimes e plagas (Alemanha, Portugal, Espanha, etc) tornando-se referência até para a dita esquerda. No entanto, à medida em que a sociedade industrial avança , e com ela a tecnologia da imagem, o fascismo se fez diferenciar do totalitarismo. Para obter a dominação e o controle de milhões, formas sociais (instituições) passaram a utilizar métodos com micro-efeitos nas populações, no que Félix Guattari chama de microfascismos. Sem esse nível de “persuasão mental” o controle dos corpos e mentes se revelaria ineficaz. Dominar de modo explícito cede lugar ao controle sobre sujeitos sem que estes saibam que estão sendo controlados e mais, que gostem de ser controlados. Óbvio que dominar “por dentro” sempre existiu, ainda que pelo terror induzido na mente dos supliciados. Mas falamos de outra coisa. 100 anos de fascismo foram suficientes para a produção em série (escala planetária) de pessoas humanas que adotam o capital com ponto hegemônico de subjetivação e desejem isso não só para si mas para todos, ou seja, para o restante da população mundial. Um processo “natural” é induzido por agências de controle, mormente os Estados nacionais e o grande sistema internético com suas mídias afiadas num plantão ad aeternum. Não falar de fascismo? Sim, pois é difícil identificá-lo no coração das pessoas de bem. Se este sentimento de “viva a morte” se instaura e age à revelia do seu portador, a possibilidade de auto-eliminação existencial surge como pressuposto subjetivo. “Que eu morra, mas que permaneçam os valores em que acredito”. Tal é o refrão macabro (inconsciente) do cidadão comum para guerras modernas promovidas pelo Estado. Uma linha suicidária passa a ser o dado natural da vida. Morrer pela pátria equivale a morrer pela família, pela escola, pela religião, pela medicina, por todas as formas sociais, enfim, de transcendências ( o além da vida). Isso credita e legitima a existência das sociedades sempre regidas pelo capital, este não só como categoria de lucro econômico, mas como fábrica de imagens para um gozo paranóico. O sentimento fascista se interiorizou a um ponto tal que terá deixado de existir? Estaremos num universo linguístico de redundâncias? Na linha de montagem da subjetividade, parece irreal e fantasioso o parto de um outro mundo no interior deste. É proibido pensar.
A.M.
quarta-feira, 20 de julho de 2022
CLÍNICA E TECNOLOGIA DA IMAGEM - III
Numa acepção deleuziana, o acontecimento pode ser definido como um encontro de corpos, humanos e/ou inumanos, no qual e do qual emerge o Sentido. Assim. o sentido nunca é dado, nunca é "um estar lá", mas sim produzido no próprio ato do Encontro. É possível notar que a realidade virtual substituiu a realidade do Encontro (daí, a dos corpos) pela realidade da imagem, profusão de imagens sobre imagens, realidade descarnada, mas Realidade subjetivamente assimilada como Verdade. Dissemos que a tecnologia da imagem não é um mal em si, mas um signo de poder acelerado a uma velocidade não captada pela Consciência. A velocidade é quem (sujeito) captura a consciência. Um encontro de corpos fica, então, descartado em prol da verdade da imagem, inclusive a imagem de si. Segue-se o empreendimento desejante de um profundo estilhaçamento do eu, beirando a psicose ou nela se instalando. Tempos esquizofrênicos, como previu Guattari. Ora, para uma psiquiatria atravessada por tais fluxos, há duas opções ético-políticas: 1- Encolher-se sob o discurso epistemológico das neurociências, detentor de uma verdade reificada, reificante e erguer o manto acadêmico como anti-autocrítica. 2-Abrir-se, estender-se sobre o campo social em suas formações discursivas caóticas e inventar clínicas à altura do horror dos tempos que correm. Fazer o acontecimento.
A.M.
UM SONHO
Sonhei, entre visões da noite escura,
com a alegria morta, mas meu sonho
de vida e luz me despertou, tristonho,
com o coração partido de amargura.
Ah! que não vale um sonho à luz do dia
para aquêle que os olhos traz cravados
nas coisas que o rodeiam e os desvia
para tempos passados?
Aquêle santo sonho, sonho santo,
enquanto o mundo repelia o pária,
deu-me o confôrto, como luz de encanto
a conduzir uma alma solitária.
E embora a luz, por entre a tempestade
e a noite, assim tremesse, tão distante,
que poderia haver de mais brilhante
no claro sol da estrela da Verdade?
Edgar Allan Poe
(tradução - Oscar Mendes)
A DREAM
In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed —
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.
Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?
That holy dream — that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.
What though that light, thro' storm and night,
So trembled from afar —
What could there be more purely bright
Edgar Allan Poe


