sexta-feira, 17 de junho de 2011

As condições de um pássaro solitário são cinco:
Primeiro, que ele voe ao ponto mais alto;
Segundo, que não anseie por companhia, nem a de
                      sua própria espécie;
Terceiro, que dirija seu bico para os céus;
Quarto, que não tenha uma cor definida;
Quinto, que tenha um canto muito suave.


San Juan de la Cruz, Dichos de Luz e Amor
os revolucionários
estão mortos
as revoluções 
a postos


Antonio
Quando o poeta satírico percorre todos os graus da injúria, ele não permanece nas formas animais, mas empreende regressões mais profundas, dos carnívoros aos herbívoros, e acaba por desembocar numa cloaca, num fundo universal digestivo e leguminoso.Mais profundo que o gesto exterior do ataque ou o movimento da voracidade, há o processo interior da digestão, a besteira nos movimentos peristálticos, Razão pela qual o tirano não é apenas uma cabeça de boi, mas de pêra, de couve ou de batata.

Gilles Deleuze -  do livro   "Diferença e Repetição"
                                                
                                                                  Pollock

quinta-feira, 16 de junho de 2011











atores de brasília
pulhas em série
                       cáries  expostas


quem se ilude
A universidade tem uma forma universal. Ela se reproduz em subjetivações cristãs à espera do Bem Supremo do Conhecimento. O capitalismo comparece com a  Naturalidade das Coisas.   Não adianta falar que a psicose assombra os olhares. Quem  gosta da loucura? Concorde comigo:  em face da conjuntura inglória, é preciso  afirmar o menor,o traste.  Entretanto, algo  se rebate sobre o devir implacável do tempo.  Deleuze assombra  os mais espertos. Mesmo estes,  atados à dimensão mesquinha do eu  e  da consciência,   se ajoelham.  Uma sociedade de iguais, mesmo na heterogeneidade. Quem acredita? As sombras do delírio se avizinham  num destino cru.  Tudo se nivela. Quem não é louco é louco.
Na verdade, escrever não tem seu fim em si mesmo, precisamente porque a vida não é algo pessoal. Ou, antes, o objetivo da escritura é o de levar a vida ao estado de uma potência não pessoal.

G. Deleuze -  do livro "Diálogos"
O psiquiatra remedeiro  entende o   seu trabalho apenas   como  o de   passar remédios químicos para um cérebro avariado. Claro, ele não escuta o paciente. Isso  merece  uma descrição mais detalhada.  Há sub-tipos. Veremos  adiante...


Antonio
O cérebro mente porque ele costuma ser tratado como  Coisa (reificado, substancializado) em detrimento do que o precede: estímulos externos (dentro e fora do organismo). As consequências  dessa ótica (ou desse método)  fazem por tomar o mundo como  sendo  constituido  por  neurônios e sinapses.  É   o contrário. Os neurônios e as sinapses é que são constituídos pelo mundo. O mundo é o Coletivo enquanto multiplicidades de formas de vida.  

Antonio

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O que chamamos de humor, de afeto, não representa funções, com uma eventual localização em uma região encefálica dada, ou em várias. Não convém reificar a noção de afeto, humor. Optamos por concebê-los como qualidades das funções psíquicas.

Carol Sonenrheich, Giordano Estevão e Luis de Morais Attenfelder,  do livro "Psiquiatria, propostas, notas, comentários"
                                                                 Francis Bacon

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um sapato abandonado, um dente estragado, um nariz curto demais, o cozinheiro que cospe na comida dos patrões, estão para o amor como a bandeira está para a nacionalidade.
Um guarda-chuva, uma sexagenária, um seminarista, o cheiro de ovos podres, os olhos cegos de um juiz, são razões por onde o amor se alimenta.

G. Bataille,  do livro "O ânus solar".
O desejo não é em si mesmo desejo de amar, mas força de amar, virtude que dá e que produz, que maquina (porque: como poderia ainda desejar a vida o que está na vida? quem quereria chamar a isso de um desejo?). Mas é preciso, em nome de uma horrível Ananké, a Ananké dos fracos e dos deprimidos, a Ananké neurótica contagiosa, que o desejo se volte contra si, que ele produza  sua sombra ou seu macaco, e ache uma estranha força artificial de vegetar no vazio, no seio de sua própria falta.

D-G em "O anti-édipo".
A única verdade única é a do caos como reserva absoluta de complexidade.

F. Guattari
Este cérebro das conexões e das integrações definirá, não o cérebro nem o essencial da realidade cerebral, mas apenas um nível inferior dessa realidade. No seu nível superor, o cérebro definir-se-á, não por um poder recognitivo, mas como força criativa, faculdade criadora de conceiros(filsosofia), de sensações (arte), de funções (ciência) (...)(...). Nessa perspectiva, portanto, a criação consistirias  empre no traçado de novos circuitos neurobiológicos, na "abertura" no cérebro a  novas possibilidade intelectuais, afetivas, perceptivas...

Souza Dias, do livro "Lógica do acontecimento"