segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ALINE CALIXTO



tudo o que acontece
nasce
fora do eu

THE HOURS - PHILIP GLASS

PRODUÇÃO SUBJETIVA MIDIÁTICA

O jornalismo é uma bomba aspirante-premente que, recebidas de todos os pontos do globo,  cada manhã, são, no mesmo dia, propagadas a todos os pontos do globo no que elas têm ou parecem ter de interessante ao jornalista, tendo em vista o objetivo que ele persegue e o partido de que é a voz. Suas informações, em realidade, são impulsos gradativamente irresistíveis. Os jornais começaram por exprimir a opinião, inicialmente a opinião local de grupos privilegiados, uma corte, um parlamento, uma capital dos quais reproduziam os mexericos, as discussões, os discursos; acabaram por dirigir e modelar a opinião quase a seu bel-prazer, impondo aos discursos e às conversações a maior parte de seus temas cotidianos.
Não se saberá, não se imaginará jamais até que ponto o jornal transformou, enriqueceu e nivelou ao mesmo tempo, unificou no espaço e diversificou no tempo as conversações dos indivíduos, mesmo dos que não lêem jornais, mas que, conversando com leitores de jornais, são forçados a seguir a trilha de seus pensamentos de empréstimo. Basta uma pena para pôr em movimento milhões de línguas (...)


Gabriel Tarde - do livro A opinião e as massas

SOBRE PSICODRAMA - parte 2

SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

As equipes técnicas em saúde mental tendem a adotar uma atitude de reverência passiva em torno do psiquiatra, mesmo que este seja um completo idiota. O que etá em jogo é o papel  técnico-profissional e o lugar de poder exercidos como dado natural. As consequências do  fato para a pesquisa sobre a loucura e na relação de atendimento ao paciente, são desastrosas, para dizer o minimo. As origens desta excrecência institucional  são evidentes. Basta pensar um pouco à respeito...

Antonio Moura

ÁFRICA, POR QUE?

CAUSA E EFEITO

Sobre este espelho - e o nosso intelecto é um espelho - passa-se qualquer coisa de regular, sempre uma certa coisa se segue a outra - é o que chamamos, quando o percebemos e queremos dar-lhe um nome, causa e efeito, insensatos que somos! Como se tivéssemos compreendido e pudéssemos compreender qualquer coisa! Não temos senão imagens de causa e efeitos!  E esta representação imaginada impede justamente de perceber uma relação  mais essencial do que a sucessão!

F. Nietzsche - do livro Aurora

MARCELA BELLAS - Bloco do prazer

A LINHA DO RISCO

Devir é  expandir-se,    diferenciar-se.  Não  há,  contudo,  um suporte  institucional    para tais  ações.  Elas  arriscam  no  vácuo  o recado   de  uma    novidade  incerta. O   paciente   sem   rosto,   a   vida subjetiva    se  mostrando    às  micro-sensibilidades   que  circulam    entre o  paciente  e  o psiquiatra.  Escutar,  escutar    não  sob     uma  grade   edipiano-cerebral,   mas  à    espreita   do  novo,  do inesperado,  do  indeterminado, do  bizarro.  O  acontecimento  é  uma   linha  de perigo  e   também  a passagem.  Examinar  um  paciente  é  encontrá-lo  no seu  mundo, por mais  longínquo   que  seja.  Isso   exige    tempo,  paciência  e acima  de tudo,  ótimas  condições  de trabalho [1].  Uma  ética do  Encontro  precede   toda  técnica. A  desnaturalização  do  paciente  é  correlata ao  desaparecimento  do  eu-psiquiatra [2].  Este se torna  outra  coisa à  serviço  da  diferença,  uma  dobra existencial  que  se  desdobra  em  outra,  em outras,  em  outros (...)   

Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria

[1] Referimo-nos às organizações capsianas,  tanto  à  nível das  condições  materiais  quanto às  salariais.
[2] O  que  não  significa   o desaparecimento  da  psiquiatria...  ao contrário,  falamos de  “outra”  psiquiatria.

O PAPA DE VELÁZQUEZ - 1750

FRANCIS BACON e o Papa

Esta é uma reprodução (1952)  do quadro de Diego Velazquez - 1750 - Papa Inocêncio X.
Bacon realizou uma vasta coleção de reproduções através das quais estudou profundamente o quadro.
Fez questão de não conhecer o original...
PINTAR AS FORÇAS

Tudo está, então, em relação com forças, tudo é força. É isso que constitui a deformação como ato de pintura: ela não se deixa reduzir a uma transformação da forma, nem a uma decomposição dos elementos. E as deformações de Bacon são raramente coagidas ou forçadas, não são torturas, apesar do que se diz: ao contrário, são as posturas mais naturais de um corpo que se reagrupa em função da força simples que se exerce sobre ele, vontade de dormir, de vomitar, de se virar, de ficar sentado o mais tempo possível, etc.

G. Deleuze - do livro Francis Bacon - lógica da sensação

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CELSO FONSECA - VOZ E VIOLÃO

PRODUÇÃO  DE  CONSUMO

O circuito do capital compreende a produção e o consumo de produtos (mercadorias)  como linhas  de montagem amalgamadas em subjetivações incessantes. Isso implica em dizer que  produção e consumo vivem juntos.   Um exemplo simples é o dos psicofármacos. A produção de psicofármacos necessita do consumo de psicofármacos. Ora, quem os consome? O paciente, óbvio. Então, produzir o consumo,  produzir o paciente, ou mais precisamente, produzir uma subjetividade-paciente é essencial para manter o circuito de troca em permanente funcionamento. Existe uma saída?

Antonio Moura