Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
SONHOS DO TÁLAMO
A atual concepção reificada e reificante da mente traduz o ideário psiquiátrico abastecido pela neuromania acadêmica. Assim como os políticos brasileiros são mestres irrepreensíveis na arte de Mentir,o cérebro é tornado Aparelho Neuronal multicolorido (vide imagens ressonantes) a ser consertado, mesmo que não se o diga em discursos exatos. Nem é preciso.Estamos, cidadãos, tão bem formatados pelas sociedades de controle, que a palavra-de-ordem, função da linguagem, passa a constituir o próprio tecido dos sonhos. Sonhos do tálamo. Interpretá-los, ao modo de Freud (A Interpretação dos sonhos, 1900) é injetar micro-doses de conformismo social regadas a neuro-transcendências.
A.M.
Verdadeiro eu chamo àquele que entra nos desertos vazios de deuses... Nas areias amarelas, queimadas de sol, sedento, ele vê as ilhas cheias de fontes, onde as coisas vivas descansam debaixo das árvores. Não obstante, a sua sede não o convence a tornar-se como um destes, habitantes do conforto; pois onde há oásis aí também se encontram os ídolos
Nietzsche
AD AETERNUM
Tendo o príncipe necessidade de saber usar bem a natureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto é preciso ser raposa, para conhecer as armadilhas e leão, para aterrorizar os lobos.
Maquiavel
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
SOBRE "CRIAR"
Um criador é alguém que cria suas próprias impossibilidades, e ao mesmo tempo cria um possível. Como McEnroe, é dando cabeçadas que se acha. É preciso lixar a parede, pois sem um conjunto de impossibilidades não se terá essa linha de fuga, essa saída que constitui a criação, essa potência do falso que constitui a verdade. É preciso escrever líquido ou gasoso, justamente porque a percepção e a opinião ordinárias são sólidas, geométricas (...) (...) O narcisismo dos autores é odioso porque não pode haver narcisismo de uma sombra.
G. Deleuze
Cinco dias antes, piloto disse que estava sem descanso
Cinco dias antes da tragédia com o jato no qual viajava o presidenciável Eduardo Campos, um dos pilotos que morreu, Marcos Martins, disse no Facebook que não estava tendo tempo para descansar, devido às viagens que vinha fazendo acompanhando as campanhas eleitorais.
"Cansadaço, voar voar e voar . E amanhã tem mais. Recife", postou no dia 8 de agosto, pelo Facebook. Em outra postagem, ele conta: "Cada lugar. Parece que ainda estou na África. Fim de mundo isto é Nordeste", referindo-se ao Centro de Arapiraca.
(...)
Fonte: Vera Araújo, O Globo
QUAL O NOVO CENÁRIO POLÍTICO?
As olheiras pronunciadas de Marina Silva ao falar da morte do companheiro de chapa, Eduardo Campos, ontem, não deixavam espaço para dúvidas. A tristeza é genuína para uma política que se notabilizou por trilhar seu próprio caminho, com uma história de vida tão sui generis como a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Analfabeta até os 16 anos, Marina, que nasceu em Rio Branco (Acre), no norte do país, superou a pobreza e trilhou uma carreira política que a fez ser vista como uma alternativa para o “Fla Flu” eleitoral entre PT e PSDB em 2010. Levou 20 milhões de votos, um resultado inesperado para qualquer analista político na ocasião.
A partir de agora, a ambientalista, que fundou o grupo político Rede Sustentabilidade, terá todas as atenções nacionais voltadas para ela, depois de optar por manter a discrição do cargo de vice ao lado de Campos.
(...)
Fonte:Carla Jiménez, El País
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
DE REPENTE
Que foi isso, de repente? Nada; dez anos se passaram. Não diga! Se somaram? Se perderam? Algumas relações se aprofundaram? Se esgarçaram? Onde estávamos? Onde estamos? E...aonde vamos? O tempo, em lugar nenhum e em silêncio, passa. É inegável - todos temos mais dez anos agora. Ainda bem, poderíamos ter menos dez. Tudo nos aconteceu. Amamos, disso temos certeza. E fomos amados - onde encontrar a certeza? Avançamos aqui materialmente, ali não, nos realizamos neste ponto, em outros queríamos mais, algumas coisas tivemos mais do que pretendíamos ou merecíamos - mas isso é difícil de reconhecer. Perdemos alguém - "Viver é perder amigos". No meio do feio e do amargo, no tumulto e no desgaste, tivemos mil diminutos de felicidade, no ar, no olhar, na palavra de afeto inesperado, que sei? Espera, eu sei. É a única lição que tenho a dar; a vida é pequena, breve, e perto. Muito perto - é preciso estar atento.
Millôr Fernandes
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