Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
O NOVO ANTIGO
A "forma-universidade" surgiu na Idade Média, mais precisamente em 1.150 na Itália (Bolonha). Apesar de muito antiga, ela conserva hoje linhas socio-institucionais que se adaptaram muito bem à sociedade industrial capitalística. Ou, mais que isso, a servem com peças subjetivamente objetivas do capital (produção-registro-consumo). É que o "pensamento", cujo suposto lugar seria o da própria universidade, tornou-se imagem do mundo e não o próprio mundo. Trata-se da fabricação em série de um universo, o universo da representação: a identidade no conceito, a oposição na determinação do conceito, a analogia no juízo, a semelhança no objeto (cf. Deleuze in Diferença e Repetição, 1968). Na prática, que é o que interessa ao viver, há um aquietamento intelectual dos devires sociais em prol da política dos grandes números, a política do Estado, atual modelo de realização semiótica do socius. Assim, uma subjetividade acadêmica constitui os que fazem da Academia uma extensa e autoritária linha conformista disfaçada de progresso do conhecimento. Qual? Para que?
A.M.
RIZOMA, UM MÉTODO
O modelo rizomático presta-se para mostrar que a estrutura convencional das disciplinas epistemológicas não reflete simplesmente a estrutura da natureza, mas sim que é um resultado da distribuição de poder e autoridade no corpo social. Não se trata da apresentação de um modelo que represente melhor a realidade, mas sim da noção, oriunda do antifundacionalismo, de que os modelos são ferramentas pragmáticas, e não ontológicas. A organização rizomática do conhecimento é um método para resistir a um modelo hierárquico que reflete, na epistemologia, uma estrutura social opressiva.
(...)
Do site Wikipédia, a enciclopédia livre, visitado em 12/01/2016, às 16:19 hs
Cerveró diz que Lula lhe deu cargo na BR Distribuidora por 'gratidão'.
Ex-diretor da Petrobras afirmou ter ajudado o PT em empréstimo fraudulento.
Ele também afirmou que participou de reuniões com políticos.
O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse em depoimento de delação premiada que foi alçado ao cargo de diretor da BR Distribuidora – subsidiária da estatal – devido a um ato de gratidão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ex-executivo, a troca foi feita pelo fato de ele ter ajudado o Grupo Schain a vencer uma licitação para o aluguel de um navio sonda para a Petrobras.
O negócio é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como uma forma de pagamento por parte do Partido dos Trabalhadores a um empréstimo de R$ 12 milhões feito para o pecuarista José Carlos Bumlai.
O dinheiro, repassado pelo Banco Schain, teria sido usado para pagar dívidas do PT. O negócio rendeu à Schain mais de R$ 1 bilhão. Em depoimento, o pecuarista confirmou a fraude, mas negou que o ex-presidente Lula tivesse conhecimento dos fatos. O caso levou Bumlai à cadeia, por suspeita de corrupção. Ele já responde a um processo sobre isso e permanece preso em Curitiba.
Na delação, Cerveró disse que conseguiu continuar na estrutura da Petrobras graças à intermediação desse negócio. Segundo ele, foi o próprio Lula quem decidiu indica-lo para o cargo na BR Distribuidora.
Ainda de acordo com o ex-diretor, coube a Lula garantir que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) tivesse acesso político à estrutura da BR Distribuidora, com a indicação de nomes para ocuparem cargos na empresa.
O ex-diretor também afirmou que, entre 2010 e 2013, participou de várias reuniões com políticos para tratar de propinas desviadas da Petrobras. Entre os nomes que citou estão, além de Collor, o também senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Nessas reuniões, disse Cerveró, eram discutidas as atribuições de diretores da BR Distribuidora para a angariação e distribuição das quantias junto às empresas que prestavam serviços para a empresa.
Cerveró também contou sobre uma reunião com o senador Renan Calheiros. Na ocasião, em 2012, o parlamentar teria reclamado por não receber repasses de propina. O ex-diretor da empresa disse que não estava arrecadando propina e que não tinha como ajudar. Segundo ele, o senador ameaçou tirar o apoio político que o ajudava a manter o cargo.
(...)
Do G1 PR, com informações do Jornal do Globo, 12/012016,01:46 hs
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
O DESPERTAR DOS ECOS
DENTRO da gruta quieta
os ecos dormem na gruta.
A fonte é amiga e discreta.
A noite é persona grata.
Mas eis que um génio projeta
uma vingança insensata
e, mais veloz do que a seta,
a tempestade desata.
A tempestade vem bruta.
Estronda a noite maldita.
E ao ribombar que se escuta,
acordam, medonha grita!
dentes rangendo em desdita,
os ecos dentro da gruta.
Sosígenes Costa
TUDO IGUAL
Cerveró cita propina de US$ 100 milhões ao Governo FHC na venda da Pérez Companc
O papel apreendido é parte do resumo das informações que Cerveró prestou à PGR antes de fechar seu acordo de delação premiada
O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou que a venda da empresa petrolífera Pérez Companc envolveu uma propina ao Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) de US$ 100 milhões. As informações constam de documento apreendido no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT/MS), ex-líder do governo no Senado.
(...)
Do Globo.com,11/01/2016, 13:33 hs
O PARTO
Três dias de parto e o filho não saía:
— Tá preso. O negrinho tá preso — disse o homem.
Ele vinha de um rancho perdido nos campos,
E o medico foi até lá.
Maleta na mão, debaixo do sol do meio-dia, o médico andou até aquela longidão, aquela solidão, onde tudo parece coisa do destino feroz; e chegou e viu.
Depois, contou para Glória Galván:
— A mulher estava nas últimas, mas ainda arfava e suava e estava com os olhos muito abertos. Eu não tinha experiência nessas coisas. Eu tremia, estava sem nenhuma idéia. E nisso, quando levantei a coberta, vi um braço pequeninho aparecendo entre as pernas abertas da mulher.
O médico percebeu que o homem tinha estado puxando. O bracinho estava esfolado e sem vida, um penduricalho sujo de sangue seco, e o médico pensou: Não se pode fazer mais nada.
E mesmo assim, sabe-se lá por quê, acariciou o bracinho. Roçou com o dedo aquela coisa inerte e ao chegar à mãozinha, de repente a mãozinha se fechou e apertou seu dedo com força.
Então o médico pediu que alguém fervesse água, e arregaçou as mangas da camisa.
Eduardo Galeano
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