sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza.
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Charles Bukowski

MARC CARY - Who Used to Dance

VERGONHA PETISTA

Determinado a chegar ao segundo turno explorando o discurso de que é o “homem do Lula”, o ex-ministro Fernando Haddad concluiu sua campanha na TV ontem ignorando dois ícones do petismo. Repetindo a cada programa o nome de seu padrinho, Haddad deixou de fora da sua propaganda a figura da ex-presidente Dilma Rousseff, que deixou o governo rejeitada pela maioria da população, e a simbólica estrela do PT, marca da crescente onda antipetista nesta campanha.
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Amanda Almeida, Época, 05/10/2018, 13:19 hs

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Poesia não é para compreender mas para incorporar
Entender é parede: procure ser árvore.

Manoel de Barros

quarta-feira, 3 de outubro de 2018


O PT e o PSDB (que nunca foi oposição ao PT) fabricaram Jair Bolsonaro.
Não reclamem.

A.M.
ORDEM MÉDICA

Jair Bolsonaro tem do seu lado um artigo insuperável como prevenção aos desastres em debates presidenciais: seus médicos. Ao proibir o capitão de comparecer ao debate da TV Globo, nesta quinta-feira, a equipe do hospital Albert Einstein prestou dois inestimáveis favores ao paciente. A pretexto de zelar pela integridade física, os doutores protegeram a saúde política do candidato.

A ordem médica impôs aos rivais de Bolsonaro uma concorrência desleal. A liderança em todas as pesquisas transformará o ausente em protagonista do programa. Arrisca-se a ficar mal com a audiência quem atacar um adversário que se recupera de duas cirurgias graves. Poupado do contraditório, Bolsonaro evita uma nova exposição dos seus pés de barro.

A ausência produzirá um outro efeito colateral: o vice-líder petista Fernando Haddad será automaticamente convertido em alvo preferencial de candidatos que ainda sonham com uma improvável virada —Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, por exemplo. Haddad tende a apanhar em dobro.

Aliados de Bolsonaro se empenharam em espalhar a versão segundo a qual o candidato estava sinceramente interessado em comparecer ao último debate presidencial do primeiro turno. Conversa mole. Hoje, a melhor estratégia para Bolsonaro num debate é a fuga. A retirada se torna perfeita quando aquele que escapa dispõe de um álibi médico.
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Do Blog do Josias de Souza, 03/10/2018, 15:21 hs

MICHAEL FLOHR


As coisas

As coisas não têm culpa.
São apenas testemunhas
de nossas comédias.

As coisas não abraçam causas.
É inútil acusá-las
de qualquer inclinação,
lealdade ou felonia.

Substantivos neutros,
são apenas coisas:
este botão descosturado de tua blusa
este chinelo ao pé da cama
um folha de papel em branco 
- e nenhum drama.

As coisas não guardam segredos
nem remorsos.
Assistem caladas
e resistem
vestidas de cal e silêncio.

As coisas não têm quereres
nem poderes.

Mas, desassombradas, 
exibem sempre
o semblante estoico da pedra.

Nisso as coisas são todas iguais

— todas indiferentes. 


Carlos Machado

ASCENÇÃO DE HITLER

terça-feira, 2 de outubro de 2018

BOLSONARO COMO SINTOMA (*)

Petistas e tucanos desenvolveram um método suicida para livrar seus cardeais de complicações criminais. Ao protelar o andamento dos processos, enfiaram os escândalos dentro da campanha eleitoral de 2018. Num processo contra Lula, Sergio Moro acaba de levantar o sigilo da delação-companheira de Antonio Palocci. Vieram novamente à tona os podres de Lula num instante em que o líder-presidiário transfere eleitores para o seu poste.

Em São Paulo, dias atrás, o Ministério Público formalizara denúncias contra os presidenciáveis Fernando Haddad e Geraldo Alckmin. Noutras praças, realizaram-se prisões ou batidas policiais de busca e apreensão contra três réus tucanos: Beto Richa, no Paraná; Reinaldo Azambuja, no Mato Grosso do Sul; e Marconi Perillo, em Goiás. Em vez de se defender, os acusados atacam magistrados e investigadores, acusando-os de persegui-los politicamente para influir nas eleições.

Quase tudo mudou na política brasileira, menos a mania do PT e do PSDB de reagir aos escândalos acionando a tática da blidangem dos seus suspeitos. No gogó, todos pregam o rigor e a transparência nas investigações. Na prática, querem rigor para os adversários e transparência de vidro fumê para o eleitor. Petistas e tucanos deveriam refletir sobre os efeitos da política de acobertamento. O resultado mais visível se chama Jair Bolsonaro.(**)

Do Blog do Josias de Souza, 02/10/2018, 01:22 hs

(*) Título nosso
(**) Grifos nossos

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

TRAGÉDIA NA INDONÉSIA

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, começou nesta segunda-feira (1º) a coordenar uma possível ajuda internacional para os sobreviventes do terremoto e do tsunami que sacudiram a ilha de Sulawesi e devastaram as cidades de Palu e Donggala. O país enfrenta - e não pune - saques aos mercados e também enterra seus mortos em valas comuns.

"O presidente Jokowi nos autorizou a aceitar ajuda internacional para a urgente resposta e assistência após o desastre. Estou coordenando a ajuda do setor privado", disse o chefe do conselho para os investimentos do governo, Tom Lembong, nas redes sociais.

Lembong acrescentou que as Forças Armadas, o Ministério de Exteriores e outras instituições ajudam a coordenar o setor público.

Neste momento alimentos são prioridades para os sobreviventes da catástrofe, que deixou 844 mortos, segundo o último balanço oficial. O desastre também deixou 540 feridos e 16.732 deslocados. O número de vítimas, no entanto, ainda não é definitivo e pode aumentar.
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G1. Por agencia EFE, 01/10/2018, 04:04 hs

domingo, 30 de setembro de 2018

Matar o patrão? Mais difícil é matar o escravo dentro de nós.


Mia Couto 

Xeque-mate

Quando menos se espera, já são horas.
A dama de espadas perde o gume
e o pássaro pousado vai embora. 

Quando menos se espera, o que se anuncia
não é a sorte grande, a estrela Aldebarã
ou a sagração da primavera.
São tempos de abutre
e o coração, músculo bélico, fraqueja. 

De repente, já é sábado,
há uns assuntos desagradáveis para resolver
e, sobre a pele confusa da alma,
uma densa crosta de óxido e desalento.

Quando menos se espera, o rei está em xeque,
e é dezembro.
Há uma complicação de trânsito
na avenida
uma artéria que não dá passagem.
Quando menos se espera, já é tarde.


Carlos Machado.