Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
SIGNOS EM ROTAÇÃO
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Em que sentido esta sincronização das emoções coloca a democracia em perigo?
A democracia é a reflexão comum e não o reflexo condicionado. Não existe opinião política sem uma reflexão comum. Mas hoje predomina não a reflexão, mas o reflexo. O próprio da instantaneidade consiste em anular a reflexão em proveito do reflexo. Quando me convidam para um debate na televisão, me dizem: “Que bom, você trabalha desde 1977 nos fenômenos da velocidade. Tem um minuto para explicar-me tudo isso”. Não é possível. Estamos diante de um fenômeno reflexo, mas a democracia reflexa é uma impossibilidade, não existe. A mesma coisa acontece com a confiança. As Bolsas estão em crise porque há uma crise da confiança. E por que há uma crise de confiança? Porque a confiança não pode ser instantânea. A confiança em um sistema político ou financeiro não é automática. A opinião também não pode ser instantânea. Então, os sistemas administrados pelos políticos, inclusive o sistema financeiro, são fenômenos que tendem para o automatismo. A automatização é o contrário da democratização.
Trecho de entrevista com Paul Virilio em 20/11/2010, concedida a Eduardo Febbro e publicada no site Instituto Humanitas Unisinos, acesso em 02/02/2026.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
ANJO MURITIBANO
sim, uma vez
vi um anjo
nada dos anjos
católicos
gabriéis
armados e vingativos
nada dos anjos
de Rilke
alemães terríveis
meu anjo
sem asa
e sem palavra
não foi visto num castelo
em Duíno
mas numa casa
chã e rasa
em Muritiba
era um anjo
pequenino
morto morto
placidamente morto
estava numa
caixa de sapatos
Carlos Machado
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
O OLHO DA DIFERENÇA - 1
O olho da diferença remete ao "olhar para a diferença". É um olhar cego: não vê coisas - formas estáveis - mas fluxos, intensidades, vibrações.
Enxerga só o movimento, linhas invisíveis e dobras da alma. Atravessa o labirinto, lugar dos encontros.
Para isso a camuflagem dos afetos se torna arte, função zen.
A.M.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
NEGRI E HARDT - O SECURITIZADO
Cada uma das quatro figuras da subjetividade move um afeto principal. O endividado sente-se culpado, o mediatizado está deslumbrado, o representado sempre desinteressado e o securitizado, amedrontado. O medo social generalizado produz o securitizado – sujeitos servis de uma sociedade prisional, que assumem ao mesmo tempo o papel de vigias e vigiados.
Olhe ao redor; veja as grades, os muros, as câmeras, os portões, as trancas, os cadeados, as lanças, os blindados, os cercos de arame farpado. Quando é que nós fomos encarcerados? Por onde passamos deixamos um rastro de medo. Nossa sociedade fareja muito bem o medo, ela vive deste sentimento.
“Passe pela segurança de um aeroporto, e seu corpo e sua bagagem serão lidos oticamente“. Usufrua de qualquer serviço (seja público ou privado) e todos os seus dados serão coletados e armazenados. Adquira algum bem e logo te empurrarão um seguro. “Por que você aceita ser tratado como um presidiário?“.
A questão é que já nem faz mais sentido falar em prisão quando a escola, o trabalho, a vida pública seguem a mesma lógica do sistema carcerário. Estamos todos internados e alistados num “regime difuso de segurança”. Vivemos em guerra pedindo por… paz? Não, vivemos com medo pedindo por mais segurança, muros mais altos, grades de mais alta tensão, arames mais farpados, senhas mais complexas. O securitizado abraça policiais militares em manifestações onde pede intervenção militar, sente seu coração disparar em cada esquina mal iluminada, anda rápido sem olhar para os lados e sempre dá duas voltas na fechadura.
(...)
Rafael Lauro, do site Razão inadequada, acessado em 29/01/2026
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
O TEMPO RASO
A perda da história significa que a imediatidade do presente tem primazia sobre o passado e sobre o futuro. Emerge assim a possibilidade de uma história “presentificada” que se denomina atualidade ou news. Encontra-se aqui a importância considerável da revolução das transmissões e do poder dos media. A história só se faz no presente..
O homem está inscrito nas três dimensões do tempo cronológico, o passado, o presente e o futuro. É evidente que a emancipação do presente – o tempo real ou o tempo mundial – corre o risco de nos fazer perder o passado e o futuro em benefício de uma presentificação, que é uma amputação do volume do tempo. O tempo é volume. Ele não é somente espaço-tempo no sentido da relatividade. É volume e profundidade de sentido, e a chegada de um tempo mundial único que vem liquidar a multiplicidade dos tempos locais é uma perda considerável da geografia e da história.
(...)
Paul Virilio, 2000
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
DO QUE SE TRATA
A psicofarmacoterapia é uma opção - muito válida - de tratamento em saúde mental. " Válida" no sentido de atenuar sintomas graves, bem como o de criar condições práticas para a autonomia do paciente.
O que não é válido, ao contrário, invalidante, é quando a psicofarmacoterapia é usada sem critérios diagnósticos precisos e desconsidera o vínculo médico/paciente como base da relação terapêutica.
Não falamos de psicoterapia, mas de psiquiatria clínica.
Outra psiquiatria, uma psiquiatria menor.
A.M.
domingo, 25 de janeiro de 2026
PENSAR O DELÍRIO
1 Se a questão da verdade é fundamental no delírio, todo delírio remete a uma crença ou a um conjunto de crenças (sistema).
2- Na formação subjetiva de cada indivíduo, a primeira crença é a do eu. Quem eu sou? Tal crença vem de fora. O cérebro, como base empírica da mente, processa as informações que lhe chegam. Sem elas ele não existiria.
3- Assim, a verdade é produzida por signos da família, da religião, da escola, do estado, do exercito, etc...
4- Todo delírio vem de fora; a sua forma de expressão vivencial, social, existencial, clinica, e tantas outras, vai depender das condições empíricas do organismo, incluindo-se nele um órgão singular: o cérebro.
5- Nas práticas sociais, obviamente expressas pela linguagem, é onde o delírio vai se afirmar como discurso e corpo; mais profundamente, o corpo como discurso, pois o corpo já é um discurso.
A.M.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
SI VIS PACEM PARA BELLUM
Si vis pacem, para bellum é um provérbio em latim. Pode ser traduzido como "se quer paz, prepare-se para a guerra" (geralmente interpretado como querendo dizer paz através da força — uma sociedade forte sendo menos apta a ser atacada por inimigos). A frase é atribuída ao autor romano do quarto ou quinto século, Flávio Vegécio.
Qualquer que seja a fonte, o provérbio se tornou um item de vocabulário que vive por si mesmo, utilizado na produção de ideias diferentes em vários idiomas. As palavras do próprio Vegécio nem sequer são reconhecidas por um grande número de escritores, que atribuem o ditado diretamente a ele.
Esta frase também foi usada como mote pelo fabricante alemão de armas Deutsche Waffen und Munitionsfabriken (DWM) para designar a sua pistola, Parabellum.
A parte final da frase, "para bellum" serve de título para o filme John Wick: Chapter 3 – Parabellum, de 2019, o terceiro da tetralogia.[4] O diretor da franquia, Chad Stahelski,mencionou em entrevista que é um grande fã de latim, e que como o personagem John Wick usa muitas línguas, ele declara guerra ao mundo inteiro: se você quer paz, prepare-se para a guerra.
No Brasil, a frase foi utilizada como verso da música "Hora do Mergulho", do álbum Simples de Coração, da banda Engenheiros do Hawaii.
Da Wikipédia, acessado em 21/01/2026.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
O EXTERMÍNIO DA ALMA
A alma não é o eu nem o cérebro. Este é objeto de neurocientistas, neuro-cirurgiões finos, neuro-clínicos, alvo e vítima da necro-psiquiatria. Mas a alma também não é a das religiões. Ela pertence à natureza: trata-se da sua expressão ampliada sem fim, "linha de fuga do vôo da bruxa" (D/G). Isso assusta as caixas individuais subjetivas em linhas de montagem da indústria planetária. Assim as máquinas sociais da modernidade (visíveis ou não) fizeram da alma uma coisa manipulável. Segundo Marx isso atinge requintes de micro-tortura coletiva: o destino da humanidade. Uma Terra sem alma, globalizada, controlada, inteiramente livre para odiar.
A.M.
domingo, 18 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
O LIMITE DA MEDICINA
A visão médica da realidade é inseparável da percepção clínica de objetos sólidos, visíveis e palpáveis.
Tecnologias da imagem (tomografia, ressonância magnética, etc) refinaram tal percepção.
Essa é a Verdade e a "prova dos nove" da medicina.
Tal visão atravessa o pensamento atual da Saúde, na qual a medicina (por razões histórico-políticas complexas) é hegemônica.
Não é um erro. Trata-se de uma linha metodológica e epistemológica em produção contínua com evidentes benefícios à humanidade.
Contudo, sendo dadas estas condições, a medicina e, por extensão, os saberes que a seguem como matriz teórica, não reconhecem a alma, ou seja, o mundo das invisibilidades pulsantes.
Corpo e desejo ficam de fora.
A.M.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Aquilo que sobra
gosto daquilo que sobra.
daquilo que as pessoas desprezam.
na feira, recolho entre os dejetos
a semente da abóbora, a folha da mandioca.
no empório, compro o farelo do trigo, do arroz.
gosto de me alimentar de coisas nutritivas.
pessoas principalmente.
mas nossa cultura, assim como os grãos, refina
as pessoas.
tira delas o mais nutritivo e deixa apenas o miolo
sem sustância.
por isso gosto do que sobra.
das pessoas desprezadas como eu.
Chacal
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
COMANDOS DE VOZ
Vamos repetir: a esquizofrenia (como entidade clínica) é uma construção imaginária da psiquiatria. Não existe. O que existe é a experiência psicótica encarnada em variadíssimas formas de expressão subjetiva (singularidades), as quais não são mais que sintomas... dos tempos atuais. Aniquiladas como desejo, tornam-se meras sombras do zumbi moderno. Neurociências: na sinapse das almas aflitas, a psiquiatria opera a varredura do cérebro, extrai delírios dopaminados. O chamado paciente, lançado sem retorno na cloaca dos insanos, nem mais precisa dos velhos manicômios. A ação de hoje é extramuros, à luz do sol, à flor da pele. Medicalizar tudo e todos. O circuito da razão suficiente realimenta seus comandos: "seja neuroticamente saudável."
A.M.
domingo, 11 de janeiro de 2026
sábado, 10 de janeiro de 2026
O HORROR DOS ESTADOS
A geopolítica é o pensamento do Estado. Aniquila ou busca aniquilar a diferença, as singularidades móveis e os corpos livres. A visão liberal do mundo construiu a figura do indivíduo tornado "massa", "rebanho", sujeito às mil manipulações e aos controles: delícia dos poderes estabelecidos. Mas o "indivíduo" nem mais precisa ser controlado por fora porque é controlado "por dentro" como produto dos poderes. Ilusões do desejo. Ninguém é livre. "Liberdade" é "conceito-fóssil". O organismo individual ( chamado corpo humano ao jeito médico) também é produto de máquinas técnicas. Basta contemplar a medicina atual, suas ações e boas intenções do Bem para o bem dos seus clientes. Todo esse acervo técnico-científico está à serviço da geopolítica ou da política do Estado-nação. Quantos mortos nas 59 guerras (no momento) na Terra? Cf Global Peace Index 2025. O Estado-nação, por sua própria natureza, costuma esconder o que controla a humanidade: fluxos impessoais, incessantes e correntes invisíveis do capital financeiro em apoio às megamáquinas industriais. Apregoar a "Nação" e os nacionalismos é mais um disfarce do capital. Portanto, ardil e armadilha. Saia dessa.
A.M.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
domingo, 4 de janeiro de 2026
IMPÉRIO
Império é a primeira grande cartografia do terceiro milênio”
– Peter Pal Pelbart, Vida Capital, p. 81
Antonio Negri e Michael Hardt apresentam o conceito de Império. Como entender as relações de poder, dominação, capitalistas em nosso tempo? Como fazer uma análise do mundo pós-moderno e pós 11 de setembro? Para responder a estas perguntas Negri e Hardt nos dão apenas uma palavra: Império. Um poder transcendente, sem centro, uma força globalmente opressora, sem líderes, acima de qualquer instituição e estado nação. O Império funciona capilarmente, horizontalmente. Todos são seus servos.
Diferentemente do Imperialismo, mais simples, localizável, o império é um não-lugar, é o poder difuso. Não se trata mais apenas da concentração de outro, de moeda, de riquezas materiais. A concentração, a desigualdade, também acontecem subjetivamente. O Império explora mentes, subjetividades, criatividades, conhecimentos, relações, penetra a própria vida das pessoas, molda os desejos, articula afetividades. O fluxo de capital não é apenas dos países de terceiro mundo para os de primeiro e não se trata mais apenas de fluxo de capital, o Império realiza fluxos ininterruptos dos mais simples aos mais complicados. O poder imperial não tem lado de fora.
O Império está se materializando diante de nossos olhos”
– Hardt e Negri, Império, p. 11
Nesta nova constituição, os estados nação são subordinados ao império, ele engloba, axiomatiza, fagocita lentamente o mundo inteiro, expandindo suas barreiras até não haver mais lado de fora. A soberania dos estados nação está em crise. O mundo não é mais governado pelos países e nem por uma estrutura centralizada de poder. Presidentes se curvam ao FMI, ao G8 à OMC, o poder atravessa fronteiras. As bandeiras nacionais têm hoje e cada vez mais um poder simbólico. Não há fronteiras, globalização é sinônimo de regulação global. É um mundo controlável, manejável, tudo pode ser articulado para melhor seduzir e criar a servidão. Todo o território é administrado. Não só um mundo é criado, mas as próprias pessoas que habitam este mundo.
O Império só pode ser concebido como uma república universal, uma rede de poderes e contrapoderes estruturada numa arquitetura ilimitada e inclusiva”
– Negri e Hardt, Império, p. 185
O Império não reprime, produz; não pune, controla. Entramos na sociedade biopolítica de Foucault e de controle que Deleuze tão bem definiu. Tudo sobreposto, produção e reprodução integral da vida: tornar todos escravos e opressores. Produção de subjetividades em série. O poder interpreta a vida por nós. Teoria da conspiração? Não, as formações de subjetividade acontecem antes mesmo de nascer. Não há mais linha a ser cruzada, a sociedade de controle age antes mesmo que você possa visualizar uma linha que separa a liberdade da servidão.
– Feast of Kings, 1913, Pavel Filinov
O conceito proposto por Negri e Hardt procura dar conta de explicar uma máquina universal de integração, um apetite infinito e engole tudo à sua frente. O domínio Imperial envolve, perigosamente, aproveitar estas diferenças, não exclui-las. No nível jurídico, teoricamente, não há diferença; no nível cultural, as diferenças são aceitas e hierarquizadas. Trata-se de um triplo imperativo: diferenciar, incorporar e administrar.
Diferenciar, causar a diferença, permitir que a diferença se manifeste (até porque ela inevitavelmente se manifesta), a diferença sempre escapa às redes de controle, vigilância e disciplina, o Império sabe disso; tendo em vista que é impossível controlar tudo e todos, o Império age incorporando as diferenças (é, por exemplo, a camiseta do Che Guevara que você comprou no Shopping); desta forma o Império pode administrar aquilo que lhe escapa e que eventualmente o destruiria. Deleuze e Guattari chamam de reterritorialização e axiomatização.
O império é o parasita que constantemente se alimenta da criatividade e da vitalidade da Multidão. A criatividade do Império é a reterritorialização da criatividade que emergem de milhões de linhas de fuga. Há um constante desejo de desterritorialização das multidões. Quem vive sob o Império quer fugir, todo desejo quer tornar-se nômade, e o capital precisa constantemente conter as linhas que escapam da forma fechada.
A soberania imperial depende não só do consentimento como da produtividade social dos governados. Os circuitos de produtores sociais constituem o sangue que corre nas veias do Império, e se eles viessem a recusar a relação de poder, esquivando-se dela, ele simplesmente desmoronaria sem vida” – Hardt e Negri, Multidão, p. 419
O Império é um vampiro, é ele que transforma o “alternativo” em “mainstream”, o hippie em hipster. Em cima e embaixo, por todos os lados, ele vampiriza a produção da Multidão. O Império vive como um parasita que suga o sangue da Multidão, ou pelo menos sua capacidade de produção e consumo. Como armas de luta, os autores propõe o êxodo, deixar de obedecer. A verdadeira força produtiva do mundo não vem do Império, por isso o poder se dá sobre a vida.
O poder político soberano nunca pode realmente chegar à pura produção de morte, pois não se pode permitir eliminar a vida de seus súditos” – Hardt e Negri, Multidão, p. 4
Mas as saídas estão dentro das brechas que se abrem em toda forma de controle e disciplina. Encontrar os momentos de indisciplina nos intervalos do controle. Fazer da luta uma flor que cresce no asfalto. Se a forma Imperial que Negri e Hardt definiram se alimenta constantemente da produção da Multidão, esta, por sua vez, é potencialmente autônoma, ou seja não precisa dos mecanismos imperiais para existir.
O Império pretende ser senhor do mundo e caso isso não seja possível, ameaça destrui-lo, nós queremos o mundo porque somente nós o criamos. O objetivo não é tomar o Império, porque a própria estrutura do Império está afundando, não queremos tomar o timão do barco, queremos abandoná-lo o mais rápido possível e pensar em alternativas que sejam não substitutivas, mas melhores. É preciso atravessar o Império para sair do outro lado. Melhor que resistir à globalização é acelerar o processo.
A ordem imperial se apresenta como eterna, necessária e permanente. O Império se utiliza dos estados-nação como um canal de dominação. E desta reprodução ad aeternum brotam todas as teorias que enfatizam como as coisas são e devem ser: a inércia da vida presa no Império é fonte de suas próprias teorias conservadores: “as coisas são assim” traz implícito um “as coisas devem ser assim”. As figuras de subjetividade em crise nascem desta dominação: o representado, o mediatizado, o securizado; o endividado.
Mas sabemos que o império, enquanto faz da multidão seu próprio instrumento, ele está constantemente ruindo. A corrupção do Império é a fonte de onde jorra a água de uma nova democracia. A própria pós-modernidade, sabemos, é definida pela crise constante, onde é constantemente necessário o estado de exceção. Mas guerra do opressor nunca é igual à guerra do oprimido. Da lama do Império vemos a flor de lótus da multidão que se eleva em direção ao Sol.
Rafael Trindade, do site Razão Inadequada, acessado em 03/01/2026

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