COMO FAZER UMA CLÍNICA DA DIFERENÇA?
Há o conceito de hiato organo-clínico ( Henri Hey, psiquiatra francês, 1900/1977 ). Isso significa que para uma avaliação diagnóstica em psiquiatria (ou na clínica médica) há dois eixos de análise: 1- História familiar, pessoal, escolaridade, nível sócio-econômico, sexualidade, vida amorosa, profissional, social, etc. - vetores psico-existenciais. 2-Estrutura anátomo-fisio-patológica, sistema imunológico, antecedente genético, história médica, etc - vetores físico-químicos. Os dois ítens preenchem o campo etiológico ( causas e mecanismos) das patologias. No primeiro caso está o "hiato", espécie de vazio, "espaço" de produção subjetiva. No segundo estão as determinações "objetivas", marcadas por um saber biomédico estabelecido como verdade. No plano 3 surge a clínica (psiquiátrica ou geral) como expressão dos sintomas e queixas do paciente. Importante é situar o paciente como processo de subjetivação sempre em curso (no tempo) e inserido em circunstâncias atuais concretas ( vetores causais). Tal base conceitual altera por completo o olhar da psiquiatria neuro-biológica em prol de uma concepção do paciente como singularidade. Ou diferença.
A.M.
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