Ser de esquerda - 3 ( em 10 linhas)
1-Considerar a "irreversibilidade do tempo" um conceito chave para compreender e fazer surgir a novidade; o tempo é criação ou não é nada ( Bergson ).
2-Nas práticas político-institucionais (igrejas, escolas, empresas, prisões, etc) usar a camuflagem como função guerreira. Não viver na sombra , mas "ser a sombra".
3-Deixar-se levar por uma poética em mil fluxos emaranhados na linguagem (banal) do cotidiano.
4-Escrever, escrever, escrever tal como enfiar um dedo na garganta; de onde pode sair uma gosma, um vômito, ou mesmo uma flor .
5-Observar linhas ínfimas na forma de uma pessoa, de modo que não seja mais uma pessoa, senão acontecimentos; o verbo no infinitivo: "amar" ao invés de "amor".
6-Não discutir com fascistas, neofascistas ou extremistas de direita. Usar o silêncio como estrondo.
7-Recusar qualquer sentimento de idolatria, mesmo em relação a figuras humanas de muitíssimo valor e produtividade coletiva.
8-Execrar e expulsar a sentimentalidade burguesa atuante nos estratos capitalísticos e principalmente em nós mesmos.
9-Abandonar o uso dos termos "direita" e "esquerda", ainda que os guarde como tijolos para o ato de pensar.
10 -Experimentar modos empáticos em subjetividades ditas "estranhas" : indígenas, transsexuais, paranormais, místicos,"freaks", autistas, esquizos...
A.M.
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