segunda-feira, 2 de novembro de 2026

AFETOS : CONCEITO DE TRANSFERÊNCIA


Os afetos são o que move as relações humanas e inumanas. No campo técnico-profissional (saúde) eles adquirem um valor singular. É que a saúde se mostra como um campo existencial onde se explicitam códigos sociais vinculados a experiências-limite.  A dor física, a angústia, o desamparo, a doença, a morte, a perda da autonomia, etc. são situações que se movem e se expressam por afetos. O técnico em saúde é, pois,  afetado pela experiència-limite do paciente porque ela pode também  acontecer consigo mesmo. Ele, o técnico, está implicado como humano, está no mesmo universo de sentido, mesmo que  "ache" que não esteja. Impossível negar esta realidade que constitui o trabalho em saúde. Os afetos precedem a técnica e estabelecem uma consistência vivencial ao ato de ajuda (terapêutico). Isso é válido num espectro de gravidade que vai das situações clínicas emergenciais complexas aos atendimentos mais simples. São níveis de intensidade vivencial: atingem o técnico como subjetivação em ato. Neste sentido o conceito de transferência (de Freud) nos é útil. O real que circunda e constitui a relação com o paciente pode ser percebido como 1- um mundo imaginário de formas sociais, códigos  estáveis,  significações prévias como por ex. "ver" o paciente como alguém da família, ou como 2- um mundo caótico de forças (portanto invisível) que flui sem cessar entre criação/destruição. São territórios que vêm misturados, entrelaçados e só critérios éticos e técnicos são capazes de discernir.


A.M.

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