domingo, 2 de junho de 2013

PERFEITO, CARLITOS!

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. 
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

Charles Chaplin

ANA CAÑAS - Metamorfose Ambulante


Canção


O peso do mundo 
         é o amor. 
Sob o fardo 
       da solidão, 
sob o fardo 
      da insatisfação 


       o peso 
o peso que carregamos 
        é o amor. 


Quem poderia negá-lo? 
          Em sonhos 
nos toca 
      o corpo, 
em pensamentos 
        constrói 
um milagre, 
         na imaginação 
aflige-se 
         até tornar-se 
humano - 


sai para fora do coração 
         ardendo de pureza - 


pois o fardo da vida 
          é o amor, 


mas nós carregamos o peso 
           cansados 
e assim temos que descansar 
nos braços do amor 
          finalmente 
temos que descansar nos braços 
           do amor. 


Nenhum descanso 
        sem amor, 
nenhum sono 
        sem sonhos 
de amor - 
           quer esteja eu louco ou frio, 
obcecado por anjos 
           ou por máquinas, 
o último desejo 
          é o amor 
- não pode ser amargo 
         não pode ser negado 
não pode ser contigo 
           quando negado: 


o peso é demasiado 
          - deve dar-se 
sem nada de volta 
         assim como o pensamento 
é dado 
         na solidão 
em toda a excelência 
         do seu excesso. 


Os corpos quentes 
          brilham juntos 
na escuridão, 
          a mão se move 
para o centro 
        da carne, 
a pele treme 
          na felicidade 
e a alma sobe 
         feliz até o olho - 


sim, sim, 
           é isso que 
eu queria, 
          eu sempre quis, 
eu sempre quis 
         voltar 
ao corpo 
         em que nasci.


Allen Ginsberg

QUINCAS BERRO D´ÁGUA - direção de Sérgio Machado


PARADOXO DO TEMPO

"A idade não é a realidade salva no mundo físico.
A essência de um ser humano resiste ao passar do tempo.
As nossas vidas são eternas, o que significa que os nossos espíritos continuam a ser tão jovens e vigorosos como quando éramos jovens. Pensa no amor como um estado de graça...não é um meio para nada, mas sim o alfa e o ômega.
Um fim em si mesmo."

Gabriel Garcia Marquez
"Enquanto a sociedade for baseada no dinheiro, nunca desistiremos".

Folheto, greve em Paris, dezembro de 1995

JEAN MICHEL JARRE - Souvenir da China


sábado, 1 de junho de 2013

DEVIR-OUTRO

(...) O Encontro é uma política. Ele não se dirige ao paciente como ser  individual e empírico,  mas como processo subjetivo inserido na trama das instituições. Essa trama é a mesma da qual faz parte o técnico que o atende. Não se trata de refletir sobre o papel político do profissional, mas de tornar as relações de forças a própria consistência dessa “etapa” do  Encontro. 
(...)
A.M.

DESEJAR...


ÓDIO À DIFERENÇA

"Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos."

Charles Bukowski
"Pensávamos estar morrendo pela pátria. Logo percebemos que era pelas caixas-fortes dos bancos".

Anatole France

ODILON REDON


CUIDADO! HOSPITAL...

Já constitui uma espécie de subgênero de autoajuda o relato de experiências com doenças e hospitais — quando, bem entendido, se sobrevive para contar. Rubem Braga falou do pulmão que perdeu para o câncer: “Quem quiser que se fume.”

Veríssimo contou como foi parar numa emergência com uma infecção generalizada. João Ubaldo descreveu como escapou por milagre de uma pancreatite. Eu mesmo publiquei aqui há tempos a crônica “Com o autor na UTI”, onde lembrava como em menos de uma semana fora parar duas vezes na Unidade de Tratamento Intensivo da Casa de Saúde São José, com direito ao susto de uma septicemia, por causa de uma pedrinha no rim.

A lição era: “para qualquer sinal de alteração no organismo, o melhor remédio é procurar um médico correndo. Nada de automedicação ou de protelação, de deixar para amanhã.”

Agora, foi a vez do colega Denis Cavalcante, de Belém do Pará, com o texto “Sírio & Libanês 1211”, relatando suas peripécias durante o mês em que esteve hospitalizado. Sua pressão chegou a 6 x 3, ficou doze dias em jejum, as “dores atrozes” só passavam com morfina e emagreceu doze quilos, mas tudo bem: “Quanto mais excesso de bagagem, mais curta a viagem.”

Ele seguiu à risca o princípio de que um cronista pode perder até parte do estômago, parte do intestino, mas não pode perder o humor. A exemplo de um companheiro de corredor, com quem travou o seguinte diálogo:

— Você sabia que esse andar é o dos pacientes desenganados? Qual foi a sua cirurgia?

— Operei o intestino — respondeu Denis.

— Fala sério! Isso é fichinha. O intestino eu fiz no Natal. Agora retirei o baço, um pedaço do pâncreas e outro do fígado.

“Tudo num hospital de grande porte”, ele escreveu, “se resume a uma abominável palavra: protocolo. Um simples cotonete pode demorar horas para chegar. Um picolé de abacaxi nem se fala! Em contrapartida, recebia regularmente um catatau de antibióticos e medicamentos de última geração, a fim de evitar uma infecção que, naquele momento, poderia ser fatal.”

Denis termina sua crônica pra cima. “Uma coisa é certa: em momento algum ousei desistir. Grande parte da cura é o desejo de ser curado.” Quem já passou por experiência parecida sabe o quanto isso é verdadeiro. A vontade pode não resolver tudo, mas ajuda muito.

Zuenir Ventura - de O Globo

JOÃO GILBERTO - Corcovado


Aninha e suas pedras 

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina