Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
domingo, 6 de novembro de 2016
CRIMES NATURAIS
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O halo protetor do Supremo não se limita aos bandidos do Congresso, mas aos seus jagunços e cúmplices regionais. A Lava-Jato não é infalível. Está sujeita a críticas como todas as atividades de governo. Não se deve usar o êxito da Lava-Jato com intenções corporativas, inclusive num momento de crise econômica como a nossa. Até aí, tudo bem. Mas negar à PF o direito de entrar no Senado quando o crime está sendo cometido pela própria polícia parlamentar, isso me parece um absurdo. O foro privilegiado tem sido uma espécie de escudo para os bandidos eleitos. Se o espaço onde atuam torna-se também um santuário para todos os que trabalham lá, teremos não só a impunidade de indivíduos mas a liberação de espaços especiais para o crime.
Nas campanhas que fiz contra Renan, desenhamos um cartaz dizendo: “se entrega, Corisco”. Isso foi há muito tempo. Seus crimes não foram punidos na época. Ainda me lembro das imagens das boiadas se deslocando no sertão para fingir Renan que era um grande criador. Os crimes não apenas deixaram de ser punidos. Aumentaram exponencialmente ao longo dos anos, ancorando-se inclusive na pilhagem da Petrobras.
Eduardo Cunha foi preso. Não tinha mais mandato. Se Renan continuar solto, é apenas porque tem um. É justo cometer crimes em série, sob o escudo de um mandato parlamentar? Renan está nervoso porque percebe o crepúsculo de um sistema de impunidade tecido pela audácia dos coronéis e a inoperância do Supremo. A evolução do país o levou a perder a cabeça, algo raro no passado. Espero que não chegue a arrancar os cabelos e ouça o meu conselho de anos atrás: se entrega, Corisco
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Fernando Gabeira, 30/10/2016
sábado, 5 de novembro de 2016
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
HETEROGÊNEOS
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Enfim, devir não é uma evolução, ao menos uma evolução por
dependência e filiação. O devir nada produz por filiação; toda filiação seria
imaginária. O devir é sempre de uma ordem outra que a da filiação. Ele é da
ordem da aliança. Se a evolução comporta verdadeiros devires, é no vasto
domínio das simbioses que coloca em jogo seres de escalas e reinos
inteiramente diferentes, sem qualquer filiação possível. Há um bloco de
devir que toma a vespa e a orquídea, mas do qual nenhuma vespa-orquídea
pode descender. Há um bloco de devir que toma o gato e o babuíno, e cuja
aliança é operada por um vírus C. Há um bloco de devir entre raízes jovens e
certos microorganismos, as matérias orgânicas sintetizadas nas folhas
operando a aliança (rizosfera). Se o neo-evolucionismo afirmou sua
originalidade, é em parte em relação a esses fenômenos nos quais a evolução
não vai de um menos diferenciado a um mais diferenciado, e cessa de ser
uma evolução filiativa hereditária para tornar-se antes comunicativa ou
contagiosa. Preferimos então chamar de "involução" essa forma de evolução
que se faz entre heterogêneos, sobretudo com a condição de que não se
confunda a involução com uma regressão. O devir é involutivo, a involução
é criadora. Regredir é ir em direção ao menos diferenciado. Mas involuir é
formar um bloco que corre seguindo sua própria linha, "entre" os termos
postos em jogo, e sob as relações assinaláveis.
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G. Deleuze e F. Guattari in Mil platôs, vol. 4
VÍTIMAS DO BOKO HARAM
Mulheres e meninas que sobreviveram aos horrores da guerra causada pelo Boko Haram na Nigéria foram estupradas por funcionários do governo em campos de refugiados no norte do país, denunciou a Human Rights Watch (HRW). Segundo a organização internacional, dezenas de vítimas denunciaram os abusos durante a realização do estudo, em julho deste ano.
No relatório divulgado pela HRW, foram documentados relatos de 43 mulheres e meninas vítimas de abusos de policiais, soldados, vigilantes e líderes de sete campos para deslocados em Maiduguri, no Estado nigeriano de Borno. Oito vítimas contaram que haviam sido raptadas pelos terroristas do Boko Haram e forçadas a se casarem antes de conseguirem fugir para o campo, onde sofreram novos abusos.
Entre as vítimas que fizeram as denúncias estavam 4 mulheres que foram drogadas e estupradas, enquanto outras 37 foram forçadas a manter relações sexuais por promessas falsas de casamento e assistência material ou financeira. Muitas das mulheres disseram que foram abandonadas pelos seus abusadores após engravidarem e sofreram discriminação e violência por parte de outros moradores do campo.
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Veja.com, 03/11/2016, 17:35 hs
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Ontologia sumaríssima
Umas quatro ou cinco coisas,
no máximo, são reais.
A primeira é só um gás
que provoca a sensação
de que existe no mundo
uma profusão de coisas.
A segunda é comprida,
aguda, dura e sem cor.
Sua única serventia
é instaurar a dor.
A terceira é redondinha,
macia, lisa, translúcida,
e mais frágil do que espuma.
Não serve para coisa alguma.
A quarta é escura e viscosa,
como uma tinta. Ela ocupa
todo e qualquer espaço
onde não se encontre a quinta
(se é que existe mesmo a quinta),
a qual é uma vaga suspeita
de que as quatro acima arroladas
sejam tudo o que resta
de alguma coisa malfeita
torta e mal-ajambrada
que há muito já apodreceu.
Fora essas quatro ou cinco
não há nada,
nem tu, leitor,
nem eu.
Paulo Henriques Britto
ENEM: OUTRA DATA?
O procurador da República Oscar Costa Filho ajuizou nesta quarta-feira (2) uma ação civil pública com o pedido para suspender a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcada para este final de semana. A ação foi distribuída para a 8ª Vara da Justiça Federal no Ceará, sob o número 0814124-64.2016.4.05.8100. Costa Filho sustenta que não podem ser aplicadas provas de redação com temas diferentes para cada data do exame. O Ministério da Educação anunciou que a prova será realizada em duas etapas em razão da ocupação por estudantes de 304 locais de prova.
O Enem deste ano tem 8.627.195 inscritos em todos o país. Para 97,78% desse total, o exame está confirmado para os dias 5 e 6 de novembro. Para 191.494 estudantes, o exame foi remarcado para os dias 3 e 4 de dezembro, por causa das ocupações.
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Murilo Ramos, Época, 02/11/2016, 16:33 hs
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
terça-feira, 1 de novembro de 2016
A VINGANÇA FASCISTA
Os termos "Esquerda" e "Direita" tornaram-se anacrônicos, mas não as posições políticas a que eles remetem. Posições políticas são sempres atuais. Elas remetem a um presente que não passa e passa. Uma abertura ao porvir. Em meio ao funeral petista, é possível ver as cenas abomináveis daqueles que nunca aceitaram a mais simples hipótese de tudo mudar, entendendo "tudo" como o real-social em expressões concretas como a fome, a divisão de classes, o desemprego, a violência...entre outros horrores menos votados. Portanto, existe sim, e resurgindo das trevas, uma Direita Fascista habilmente dissimulada pelos quatro cantos do país. Ela se expõe em máscaras discursivas. Quem reconhece?
A.M.
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