quarta-feira, 9 de novembro de 2016

JONAS GERARD


TEMPOS TRUMPIANOS

A "verdade" é uma mercadoria produzida em escalas maiores e/ou menores, a depender dos veículos utilizados para tal. Entre estes, as redes sociais figuram como produção incontrolável de crenças morais, políticas, científicas, etc... O mundo gira em torno de informações/comunicações em velocidades que desfazem toda e qualquer possibilidade de crítica. Produção de retardos mentais acelerados .Ontem é hoje que já é amanhã que tornou-se ontem como bolha de sabão. As certezas metafísicas (quem sou?) são substituídas por fluxos eletrônicos e neurocabos conectados às imagens de uma imensa tela subjetiva. Sob tais condições, não há mais como dizer eu, pessoa, consciência, enunciar boas intenções humanísticas. Afinal, estamos todos imersos na mesma sopa mundial, cada vez mais unidos, cada vez mais beligerantes uns com os outros. Nem mais o Apocalipse inspira tanto terror...

A.M.
A ORDEM
(...)
E há uma decisão, em particular, em que ele não pode ser desafiado por ninguém: a ordem de um ataque nuclear, ou no imaginário popular, o carregar no botão vermelho. Este foi um dos temas da campanha, com a opositora democrata, Hillary Clinton, a questionar se alguém com um carácter tão impulsivo como o do Presidente-eleito deveria estar perto deste botão vermelho.

Na verdade não há um botão vermelho, mas sim uma pasta com uma série de códigos que um responsável com formação e treino especial traz sempre perto do Presidente. Se houver informação de um ataque nuclear em curso aos EUA, o Presidente tem oito minutos para decidir se retalia. Quando o fizer, não há margem para escapar, nem se for contra a opinião do conselheiro de segurança nacional, diz o site Politico: os executantes foram treinados para isso mesmo: obedecer a uma ordem do Presidente, mesmo que esta pareça inusitada. (No entanto, o site acrescenta que Donald Trump já falou várias vezes sobre armas nucleares, classificando-as como a maior ameaça existencial à humanidade.).
(...)

Maria João Guimarães, Uol, 09/11/2016, 11:40 hs

ROXANNE - Tango Nuevo


Se vai tentar 
siga em frente.

Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.


Charles Bukowski

NÃO HÁ VAGAS


Presos que aguardam desde a manhã de terça-feira (8) por vagas em presídios gaúchos foram algemados em uma lixeira, localizada em frente ao Palácio da Polícia de Porto Alegre, na manhã desta quarta-feira (9), do G1, RS.
PREVISÃO DO TEMPO

A eleição de Donald Trump é ruim para o clima da Terra. Estamos num momento crítico para evitar as piores consequências das mudanças climáticas. Não há dúvidas científicas relevantes sobre o impacto das emissões derivadas das atividades humanas no clima. Pesquisadores acreditam que é preciso manter o aquecimento num patamar entre 1,5 e 2 grau centígrado para que as mudanças (ainda grandes) sejam administráveis. Para isso, precisamos de medidas urgentes para mudar os rumos das grandes economias, trocando investimentos em combustíveis fósseis (como o gás de xisto dos EUA) por uma transição para fontes de energia limpas. O aquecimento está mostrando sua cara. Os anos de 2014 e 2015 bateram sucessivamente os recordes históricos de calor. O ano de 2016 está a caminho de bater de novo. Passamos por uma aceleração do aquecimento que pode nos jogar num novo patamar de clima.

O Acordo de Paris, costurado em dezembro passado, é uma colcha de retalhos de metas frouxas apresentadas pelos países. Estudos mostram que o acordo sozinho é insuficiente para controlar o aquecimento. Mas ele é um precioso início de caminho. É possível acelerar a implantação do acordo e puxar as metas para alvos mais ambiciosos. Isso começa a ser discutido agora numa conferência do clima em Marrakesh.

Mas Trump é o presidente errado na hora mais errada. Ao longo da campanha, ele disse que ia "cancelar" o Acordo de Paris. Também disse que ia cortar toda a ajuda a programas de mitigação às mudanças climáticas das Nações Unidas. Dentro dos EUA, Trump declarou apoio a desregulamentação para facilitar a expansão do gás de xisto e por novas explorações de petróleo. E é a favor da construção de um oleoduto polêmico ligando os EUA e o Canadá.

Pior que isso. Trump diz que não acredita na ciência. Contrariando décadas de conclusões dos principais centros de pesquisa científica do mundo, ele disse em 2012 que o aquecimento global é um "mito". Em seu Twitter, ele disse que o conceito de aquecimento global foi criado por chineses para prejudicar a competitividade da indústria americana. Na campanha presidencial atual, Trump mudou um pouco. Dessa vez, disse que o aquecimento global é um fenônomeno natural, de novo indo contra o consenso científico.
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Alexandre Mansur, Época, 09/11/2016, 08:13 hs
A verdadeira dialética

aí os caçadores chegaram
mataram o lobo e abriram a barriga
e encontraram a vovozinha
toda mastigadinha
quanto a chapeuzinho vermelho
eles comeram



Sebastião Uchoa Leite

NOVA ORDEM


CONTÁGIOS

(...)
As participações, as núpcias anti-natureza, são a verdadeira Natureza que atravessa os reinos. A propagação por epidemia, por contágio, não tem nada a ver com a filiação por hereditariedade, mesmo que os dois temas se misturem e precisem um do outro. O vampiro não filiaciona, ele contagia. A diferença é que o contágio, a epidemia coloca em jogo termos inteiramente heterogêneos: por exemplo, um homem, um animal e uma bactéria, um vírus, uma molécula, um microorganismo. Ou, como para a trufa, uma árvore, uma mosca e um porco. Combinações que não são genéticas nem estruturais, inter-reinos, participações contra a natureza, mas a Natureza só procede assim, contra si mesma. Estamos longe da produção filiativa, da reprodução hereditária, que só retém como diferenças uma simples dualidade dos sexos no seio de uma mesma espécie, e pequenas modificações ao longo das gerações. Para nós, ao contrário, há tantos sexos quanto termos em simbiose, tantas diferenças quanto elementos intervindo num processo de contágio. Sabemos que entre um homem e uma mulher passam muitos seres, que vêm de outros mundos, trazidos pelo vento, que fazem rizoma em torno das raízes, e não se deixam compreender em termos de produção, mas apenas de devir. O Universo não funciona por filiação. Nós só dizemos, portanto, que os animais são matilhas, e que as matilhas se formam, se desenvolvem e se transformam por contágio.
(...)
G. Deleuze e F. Guattari in Mil platôs vol. 4

PSIQUIATRIA BIOLÓGICA


terça-feira, 8 de novembro de 2016

FUNDO DO POÇO PALCO DE SAMBA

Às vezes tem-se a impressão de que, no Brasil, o maior déficit dos governos situa-se entre as orelhas dos governantes. Sob Michel Temer, por exemplo, o governo decidiu transformar o fundo do poço em palco de samba. Num instante em que economiza até no auxílio-doença, o Planalto torrou mais de R$ 500 mil num show em homenagem ao centenário do samba. Coisa fina, seguida de coquetel para 600 convidados. Um espetáculo no qual o povo entrou com o bolso.

Diz-se que Júlio César desenvolveu um método engenhoso para se proteger de sua megalomania. O imperador mantinha do seu lado alguém para lhe cochichar ao pé do ouvido: “Lembra-te de que és mortal, César.” Depois que Temer declarou que não está preocupado com sua popularidade, imaginou-se que ele havia assumido o papel de cochichador de si mesmo, para conter seu deslumbramento. Engano. Temer dá sinais de que precisa de alguém que o proteja de Temer.

Do Blog do Josias de Souza, 08/11/2016,02:49 hs
A GOSMA DO COSMO

(...)
Não me venham com metafísicas
o corpo e a matéria em prosa
aqui e agora
nada de primeiros motores
nada de supremos valores
isso fica para os filhos da pátria.



Sebastião Uchoa Leite

LYGIA CLARK


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

OUTRA ÉTICA, OUTRA POLÍTICA

(...)
Analisar liturgia é colocar o dedo sobre uma imensa mudança em nossa maneira de representar a existência. No mundo antigo, a existência estava ali – algo presente.  Na liturgia cristã, o homem é o que ele deve ser e deve ser o que ele é. Hoje, não temos outra representação da realidade do que a operacional, o efetivo. Nós já não concebemos uma existência sem sentido. O que não é eficaz – viável, governável – não é real. A próxima tarefa da filosofia é pensar em uma política e uma ética que são liberados dos conceitos do dever e da eficácia.
(...)
G. Aganben,  in entrevista a Juliette Cerf, na Verso, 09/07/2014