Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
quarta-feira, 8 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
Curso: Temas em psicopatologia clínica
Coordenador - Antonio Moura
Reunião com interessados – dia 25/03/2017 – sábado – 10:00 hs
Clínica Ethos – Bairro Recreio - Vitória da Conquista
Nesta reunião será colocada a proposta do curso.
Entrada franca.
Esboço de conteúdo:
1-A PSIQUIATRIA ATUAL
-A forma-psiquiatria
A psiquiatria considerada como “instituição” antes de ser uma especialidade médica
-Exame do paciente
O comportamento e as funções psíquicas; o Encontro no lugar do Exame
-Saber e poder
A psiquiatria “sabe” pouco, mas “pode” muito. Por que?
-O diagnóstico psiquiátrico
A palavra-de-ordem embutida no enunciado diagnóstico
-Função da loucura
Distinção conceitual “loucura” e “transtorno mental”
-Neurociências e psiquiatria
Importância e limites da pesquisa do cérebro para a psicopatologia
-O que é saúde mental?
Função da psiquiatria no campo da saúde mental
-Corpo e organismo
O “organismo” como produto da medicina e o corpo das intensidades
-A luta antimanicomial
Posição ético-política de uma psiquiatria materialista
2-OS DELÍRIOS (SÍNDROME OU SINTOMA)
-Conceito de delírio
O fulcro: a questão da verdade
-Etiologia
Origens multifatoriais
-Estudo sobre o pensamento
O rizoma como modelo
-Tipos clínicos
As síndromes e os sintomas
-Exame do delirante
O paciente que não “se sente doente”
-Tratamento
Só psicofármacos?
-Prognóstico
A cura como conceito
3-AS DEPRESSÕES (SÍNDROME OU SINTOMA)
-Conceito de depressão
Tristeza não é depressão
-Estudo sobre os afetos
A psiquiatria não dispõe de uma teoria dos afetos
-Etiologia
Origem multifatorial
-Exame do deprimido
O pseudo-deprimido
-Tipos clínicos
Mil depressões
-Tratamento
Limites dos psicofármacos
-Prognóstico
A cura como conceito
4-OS PSICOFÁRMACOS
-Quadro geral (tipos)
-Clínica psicofarmacológica
-Psicofarmacoterapia e psicoterapia: aliança ou conflito?
-Indicações, limitações e efeitos adversos
-Uma clínica sem psicofármacos?
CRIMES ESTRUTURAIS
Em meio à grande ofensiva que prepara contra pelo menos 170 políticos – entre deputados, senadores e ex-parlamentares – citados em mais de 900 depoimentos de 77 delatores da empreiteira Odebrecht, o procurador-geral da República Rodrigo Janot contabiliza em dois anos de Operação Lava Jato um acervo de 20 denúncias criminais no Supremo Tribunal Federal, além do pedido de abertura de 28 inquéritos envolvendo 55 investigados.
“A teia criminosa se divide em uma estrutura com vínculos horizontais, em modelo cooperativista, em que os integrantes agem em comunhão de esforços e objetivos, e em uma estrutura mais verticalizada e hierarquizada, com centros estratégicos, de comando, controle e de tomadas de decisões mais relevantes”, disse Janot, segundo informações divulgadas pela Assessoria de Comunicação Estratégica da Procuradoria-Geral da República.
(...)
Estadão Conteúdo, 06/03/2017, 11:51 hs
segunda-feira, 6 de março de 2017
domingo, 5 de março de 2017
sábado, 4 de março de 2017
A alegria
Ela não quer que fale dela
Ela não está no papel
Ela não tolera nenhum profeta
Ela derruba tudo o que está firme
Ela não mente
Ela se rebela
Apenas ela me justifica
Ela é minha razão
Ela não me pertence
Ela é alheia e persistente
Eu a escondo
como uma vergonha
Ela é fugaz
Ninguém pode compartilhá-la
Ninguém pode guardá-la para si
Não guardo nada
Compartilho tudo com ela
Ela irá embora
Outrem a esconderá
na sua fuga vitoriosa
através da noite muito longa
Hans Magnus Enzensberger
20/02/2013
A REPÚBLICA CONTAMINADA
A república continua a bordo do imponderável, refém de uma investigação policial, a Lava Jato, que tem sido uma história sem fim – uma espécie de trailer da eternidade.
O depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE, na quinta-feira, além de confirmar o que já se sabia – o financiamento criminoso da campanha de Dilma e Temer em 2014 -, inseriu mais um nome no rol dos infratores: a ex-presidente Dilma Roussef. Nos termos do que foi dito, ela não apenas sabia de tudo, como a tudo comandou.
Fará companhia a Lula e à falange de petistas que delinquiram na luta pela preservação do poder. Ela bem que avisara na campanha: “Para vencer as eleições, faremos o diabo”. Fizeram. Não pode se queixar de agora estar indo para o inferno.
Não apenas tinha conhecimento do dinheiro “contaminado” (expressão de Marcelo Odebrecht), como negociou diretamente com ele o repasse das propinas extorquidas da Petrobras, indicando sucessivamente seus intermediários para embolsá-las: Antonio Palocci e, depois, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Palocci já está preso, embora não por esse delito específico, que agravará seu contencioso penal. Mantega foi preso e depois solto, mas deve retornar em breve ao xadrez.
O delito não se resume ao dinheiro contaminado na origem, num total de R$ 150 milhões, mas também (e sobretudo) ao que remunerava: a medida provisória 470, editada em 2009, ainda na vigência do governo Lula, garantindo benefícios à Brasken, empresa do grupo Odebrecht, relativos ao crédito prêmio de IPI e IPI Zero. O texto da MP foi elaborado pela área jurídica da própria Odebrecht.
O pagamento pelo benefício ficou acertado para a campanha de 2014, a Dilma e sua equipe. Segundo as planilhas da Odebrecht, desse total, Lula teria embolsado R$ 23 milhões e Palocci R$ 8 milhões. Odebrecht confirmou também ter dado R$ 10 milhões ao então presidente do PMDB e candidato a vice, Michel Temer, que confirma a doação, mas alega ter sido legítima e registrada no TSE.
A defesa de Temer se empenha em separar as contas de campanha, dispondo-se a comprovar a diversidade de métodos e fontes. Ainda que o consiga, talvez não seja suficiente.
A jurisprudência, que já cassou chapas de governadores e prefeitos em situações análogas, é a de considerar as campanhas de presidente e vice como uma coisa só.
O impacto dessas revelações, cuja novidade está apenas no fato de agora estarem oficializadas, será potencializado com a divulgação das delações premiadas dos 77 executivos da mesma Odebrecht, prometida para já pelo procurador-geral Rodrigo Janot.
Pelo que já vazou, vem aí uma descarga de nitroglicerina, sem precedentes, que pegará meio Congresso, incluindo seus presidentes, Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício Oliveira (Senado), além de seus maiores figurões. Temer é também citado, assim como seu chefe da Casa Civil, Elizeu Padilha, alvo recente de acusação de recebimento de propina de R$ 4 milhões, feita por um ex-colaborador da Presidência e amigo íntimo de Temer, o advogado José Yunes.
Dentro do imponderável que governa o país, não se exclui a hipótese de cassação do mandato do presidente da república e da impossibilidade de sua linha sucessória parlamentar sucedê-lo, o que remeteria a transição à presidente do STF, Carmem Lúcia.
Ela teria de convocar eleições em 60 dias, por via indireta, pelo Congresso, cuja metade (ou quase isso) estará sob graves acusações de corrupção. Nessa hipótese, não se sabe o que fazer, nem mesmo como estará o país. Tudo é possível, menos nada.
Em contraste, a área econômica tem obtido bons resultados, ameaçados, no entanto, pelo terremoto na política. A percepção desses ganhos pelo público não é imediata e corre o risco de não se consumar antes mesmo de ser percebida. Em tal contexto, as chances de reformas polêmicas como a trabalhista e a previdenciária se reduzem significativamente. A república está contaminada.
Ruy Fabiano, Blog do Noblat, 04/03/2017, 01:25 hs
MATEMO-NOS UNS AOS OUTROS
(...)
O Brasil ostenta hoje, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o triste e vergonhoso título de 11º país no ranking de homicídios do mundo – 32,4 assassinatos por 100 mil habitantes – e o primeiro lugar em números absolutos. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2014 foram mortas 59,6 mil pessoas no Brasil, média de 164 homicídios por dia, ou seja, a cada doze minutos um brasileiro é assassinado. Deste total, 76% foram vítimas de armas de fogo – mesmo proibidas, as armas de fogo tiraram a vida de 45 mil pessoas. E o cenário poderia mostrar-se ainda muito pior: sem o Estatuto do Desarmamento, segundo a pesquisa, o número de homicídios seria 41% maior, o que equivale, portanto, a 22,8 mil vidas poupadas apenas naquele ano.
(,,,)
Luiz Ruffato, El País,09/02/2017,09:51 hs
sexta-feira, 3 de março de 2017
quinta-feira, 2 de março de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
O INEXPLICÁVEL
(...)
A Nigéria é, hoje em dia, a maior economia da África e um país dividido em dois. O Sul é cristão, ocidentalizado em suas áreas urbanas e com recursos naturais e industriais. O Norte é muçulmano, a lei vigente é a sharia, a lei islámica, solo desértico sem recursos e taxas de pobreza, analfabetismo e desemprego à altura das regiões mais pobres da África. Um dos Estados mais castigados é Borno. E foi em Borno que nasceu o Boko Haram, que pode ser traduzido como “A educação ocidental é pecado”.
Foi no ano de 2002 em Maiduguri, sua capital, uma cidade de um milhão de habitantes de ruas sem asfalto, crianças descalças mendigando e mercados abarrotados ao lado de desmanches improvisados onde se amontoam caminhões e carros abandonados. Maiduguri é cinza e negra, coberta de areia e pó.
A maior parte do território do Estado de Borno encontra-se hoje sob o controle de Boko Haram. Só as 28 principais cidades e povoados do Estado permanecem dominadas pelo Exército
Originalmente, o Boko Haram foi um movimento islâmico radical dedicado à assistência social, doutrinamento e protestos constantes contra o Governo central, que era criticado pela corrupção, abandono e os desmandos do Exército. “Em cidades de Borno como Gowle, 80% dos moradores há poucos anos se mostravam partidários do Boko Haram. Em Maiduguri quase um terço simpatizava”. Quem conta é o chefe de segurança de uma ONG presente na região.
Ustaz Mohammed Yusuf era o líder à época e em 2009 decidiu pegar em armas contra o Governo. Terminaria esse ano executado pela polícia em um beco de Maiduguri. O cetro foi herdado por Abubakar Shekau, atual líder e quem, em 2011, mudou o rumo do grupo em direção ao inexplicável. Em direção à violência extrema. A guerra começou.
Durante o conflito, o Boko Haram jurou lealdade ao grupo terrorista Al Qaeda e se tornou mundialmente conhecido em 2014 pelo sequestro de 200 meninas em uma escola de Chibok (povoado de Borno a 100 quilômetros de Maiduguri) que ocasionou o #bringbackourgirls (a maioria daquelas meninas jamais voltou e representa uma ínfima parte das 10.000 mulheres e garotas que, de acordo com o Governo nigeriano, foram sequestradas pelo Boko Haram desde o começo da guerra). Por fim, em 2015, o grupo se declarou filial do Estado Islâmico.
Desde que Shekau tomou o controle e o conflito começou, o Boko Haram deixou de prestar assistência, de doutrinar e de protestar contra o Governo. As ações se reduzem agora a manterem-se ativos na batalha: atacam aldeias e povoados para conseguir víveres, sequestram homens para torná-los combatentes e mulheres para escravizar, atacam comboios militares para conseguir armas e matam todo aquele que não segue sua forma de pensar. Seu objetivo final é instaurar um califado.
O conflito está midiaticamente ofuscado pela tragédia da Síria, mas continua duro e sem trégua no norte da Nigéria. Afeta também os outros países da bacia do lago Chade: Níger, Chade e Camarões, onde os ataques ocorrem.
(...)
Nacho Carretero, EL PAÍS, 28/02/2017, 20:31 hs
Assinar:
Postagens (Atom)



