terça-feira, 16 de junho de 2020

PIORANDO

A pandemia do coronavírus trouxe fortes reflexos para o mercado de trabalho brasileiro no mês de maio. Cerca de 17,7 milhões de pessoas não procuraram emprego na última semana do mês passado por receio de contrair a covid-19 ou por falta de vagas ―o que também pode estar ligado à crise sanitária, que já deixou mais de 45.000 mortos no país. Outras 10,9 milhões estavam desempregadas e, mesmo procurando, não conseguiram uma ocupação. Com isso, o país alcançou a marca de 28,6 milhões de pessoas que queriam um emprego, mas enfrentaram dificuldades para conseguir uma colocação no mercado. Os dados são os primeiros resultados da PNAD Covid-19 divulgada nesta terça-feira, 16, pelo IBGE. O levantamento é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada com apoio do Ministério da Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho e quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome gripal.
(...)

Heloisa Mendonça, El País, São Paulo, 16/06/2020, 19:42 hs

JOÃO BOSCO - Rio de Janeiro

PRÁTICAS DE GARIMPO

Em psicopatologia clínica a pesquisa dos afetos é essencial. É através deles que se dá o Encontro com o paciente segundo um critério ético. E não nos referimos a uma suposta "ética pura" atributo de um bom encontro, o que seria talvez uma espécie de elevação moral. Nada mais equívoco. Consideramos a ética como constitutiva da natureza das condutas. Sempre há uma ética, mesmo, por exemplo, a dos criminosos, facínoras, corruptos, etc. Desse modo a ética precede a técnica e as linhas práticas da clínica são produzidas no próprio território movediço dos afetos. Tal modo de pensar retira a psicopatologia do campo dos moralismos e a coloca numa dimensão trágica, ou seja, em contato direto com a crueza do dado psicopatológico. Tal crueza compõe-se de afetos estranhos, inumanos e inomináveis. É aí então onde começa o trabalho de garimpagem da diferença...no meio do caos do mundo.

A.M.

ABEL SALAZAR


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Guia prático dos sofredores anônimos

Hoje nós vamos sofrer.
Só por hoje vamos sofrer.
Sofrer tudo de uma vez.
Tudo o que há para sofrer.
Vamos sofrer calados.
Vamos sofrer cantando.
Tudo de uma só vez.
Do jeito que der para sofrer.
Sem ressalvas.
Sem reservas.
Sem esquemas.
Sofrer apenas.
Sofrer de olhos abertos.
Sofrer sem sentir pena.
Toda dor será bem-vinda.
Abriremos as feridas.
Toda chaga, toda mágoa.
Só por hoje vamos sofrer.
Sem saber onde.
Sem saber como.
Sem nem querer saber.
Sofrer de braços abertos.
Até não mais poder.
Sofrer sem dizer nada.
Tudo o que há para sofrer.


Bruno Brum

domingo, 14 de junho de 2020

Acreditar no mundo é o que mais nos falta; nós perdemos completamente o mundo, nos desapossaram dele.

Gilles Deleuze

sexta-feira, 12 de junho de 2020

A DIFERENÇA NA SAÚDE MENTAL - VIII

Conforme a diferença, o diagnóstico psiquiátrico é funcional e não essencial. Isto significa dizer que a pergunta-chave passa a ser: a quem ou para que serve tal diagnóstico? Ora, a psiquiatria tem ao seu dispor um manancial extensíssimo de diagnósticos. Eles compõem um sistema de registro de sintomas. Objetivam um controle sobre os corpos e as mentes. Tudo, claro, com respaldo jurídico e institucional.  Por outro lado, a diferença em saúde mental vai na contra-corrente. Não que traga uma verdade pronta para se opor à verdade da psiquiatria. Nada seria mais tosco. Ao contrario, a diferença não usa o conceito de verdade, e sim o de criação. Neste sentido a prática da diferença em psicopatologia se caracteriza pelo ato de experimentar o novo, inventar, arriscar. Adota o critério da ética pela vida e da estética dos corpos em relação. Em outros termos, a diferença na psicopatologia é a clinica da diferença! Ai a potência de cuidar do outro (e de si mesmo) se traduz numa ética de viver. E que o Encontro com o outro (não só a pessoa do paciente, mas o mundo) expresse um estilo singular de captar signos (mesmo os terríveis) e transformá-los em arte. A diferença é uma produção de arte.

A.M.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

OS ANJOS

Os anjos descobrem
a vulva
no mesmo instante

em que sabem
do pénis:

com
as pernas ligeiramente
abertas
e desviando as asas

São raríssimas as
asas
que não partem dos seios

a florir nos
ombros

Como um manso púbis
com os seus veios
de sombra

E o anjo
debaixo
ficou a acariciar o pénis
do anjo que voava
por cima

de manso procurando
o fundo
da vagina


Maria Tereza Horta


terça-feira, 9 de junho de 2020

Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las.

Nelson Rodrigues

GRAVÍSSIMO

O mexicano Julio Berdegué (Mazatlán, 1957) faz contas e se mostra preocupado. “A América Latina e o Caribe representam 8,5% da população mundial e temos 17% dos contagiados oficiais [pela covid-19] em 2 de junho. Dos mortos, quase 14%. Os números são superiores ao que gostaríamos de ver”, afirma o subdiretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com sede em Santiago. Em conversa por telefone —pois a capital chilena está sob quarentena total desde 15 de maio—, Berdegué avalia que “as consequências econômicas e sociais, com foco na alimentação, são muito graves”
(...)

Rocío Montes, El País, Santiago, 09/06/2020, 10:04 hs