terça-feira, 20 de agosto de 2013

Barbosa ainda não cogita se desculpar com Lewandowski

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, pretende retomar na quarta-feira o julgamento dos recursos dos réus condenados no processo do mensalão sem fazer qualquer menção ao episódio em que acusou o colega Ricardo Lewandowski de fazer “chicana”.

Ao fim da sessão de quinta-feira, Lewandowski exigiu uma retratação do presidente. Não foi atendido. Barbosa foi procurado pelos ministros Celso de Mello e Luiz Fux, interessados em resolver o problema entre o relator e o ex-revisor do processo. Mas Barbosa se recusa a hastear bandeira branca. Argumenta que não se arrependeu das palavras ditas. Isso porque entendeu no comportamento de Lewandowski uma tentativa de retardar o julgamento.
(...)
Fonte: Carolina Brígido, O Globo,19/08/2013

ARTHUR DAVIS BROUGHTON


NA CONTRA-CORRENTE

(...) Legiões de psiquiatrizados de toda parte ajoelham-se no altar  dos  psicofármacos e dos   cérebros à mão. Tudo conspira a favor do consumo  de pacotes cientificamente autorizados para ações lucrativas. No entanto, mesmo desbotada e segregada nos grilhões cidológicos, a diferença  resiste.  A ética da potência de viver afirma-se como  ética  de poetas   itinerantes.
O discurso e a prática da  diferença  exploram o avesso da ordem  do estado  capitalístico.Quem se interessa  em criar,  fazer nascer? Pergunta  insana, na medida em que os poderes investem na repetição do Mesmo e no rigor mortis do pensamento. Por isso, uma clínica da diferença considera as  determinações sócio-políticas como sendo a sua superfície de ação mais concreta. A clínica do Encontro sem o travo humanista. Em suas pesquisas, não  encontra  respostas  exatas, mas problemáticas instigantes.
(...)
A.M.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

TIRA-TEIMA

Tire a faca do peito
e o medo dos olhos
Ponha uns óculos escuros
e saia por aí. Dando bandeira

Tire o nó da garganta
que a palavra corre fácil
sem desculpas nem contornos
Direta: do diafragma ao céu da boca

Tire o trinco da porta
liberte a corrente de ar
Deixe os bons ventos levantarem a poeira
levando o cisco ao olho grande

Tire a sorte na esquina
na primeira cigana ou no velho realejo
Leia o horóscopo e olhe o céu
lembre-se das estrelas e da estrada
Tire o corpo da reta
e o cu da seringa
que malandro é você, rapaz
o lado bom da faca é o cabo

Tire a mulher mais bonita
pra dançar e dance
Dance olhando dentro dos olhos
até que ela morra de vergonha

Tire o revólver e atire
a primeira pedra
a última palavra
a praga e a sorte
a peste, ou o vírus?

Bernardo Vilhena

A FISSURA INVISÍVEL

A vida é toda um processo de demolição. Existem golpes que vêm de dentro, que só se sentem quando é demasiado tarde para fazer seja o que for, e é quando nos apercebemos definitivamente de que em certa medida nunca mais seremos os mesmos.

Scott Fitzgerald

LUIZ MELODIA e CÁSSIA ELLER - Juventude


domingo, 18 de agosto de 2013

Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.

Charles Bukowski
a  mídia afia  suas  horas
estende  suas  garras
alarga  suas  bordas
para  o abate  das  almas

A.M.

MARÍLIA CHARTUNE


NEUROTUDO

(...) O biologismo tem duas correntes, que eu chamo de neuromania e darwinite. A neuromania se baseia na crença de que a consciência humana é idêntica à atividade cerebral. Existem, é claro, correlações entre a atividade cerebral e aspectos da consciência. Estas podem ser demonstradas observando-se que partes do cérebro se “acendem” quando os sujeitos relatam determinadas experiências. No entanto, isso não quer dizer que a atividade neural é uma causa suficiente desses aspectos da consciência: que, por exemplo, os eventos vistos no córtex orbito frontal quando vemos um objeto bonito sejam toda a causa de nossa experiência da beleza, e ainda menos que eles sejam nossa experiência da beleza.
Na verdade, não há uma explicação neural concebível de muitos aspectos da consciência humana. Um registro de impulsos neurais não pode explicar a simultaneidade e multiplicidade de um momento. Estou consciente, por exemplo, da tela do computador à minha frente, das letras que se espalham por ela, da luz do sol lá fora e de pássaros cantando. Essas coisas são experimentadas separadamente, e no entanto como pertencentes a um único momento presente. Este muitos-em-um é uma noz muito mais dura de quebrar do que o mistério da Trindade.
(...)
Raymond Tallis in Macacando a Humanidade: Neuromania, dawrinite e a representação errônea da humanidade, 2011

CARLA BLEY TRIO - Utviklningssang - Cully Jazz Festival


POEMA de ANTONIN ARTAUD 

Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto

Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.

Este Artaud, mas, por falta do que fazer…

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.

A. Artaud

BARUCH SPINOZA

Deus é o Mundo

HUMOR

A alegria subverte a clínica. E não é maníaca, tampouco faz o par alternante com a depressão. A alegria é o combustível da produção desejante de territórios existenciais. Ela se espraia para além de duas pessoas  que se olham sob uma linha de verticalidade hierárquica. Nada a ver com a alegria fluoxetínica pois ela, a Alegria,  além de padecer da falta nos circuitos explorados, não se reduz à adequação do paciente ao meio social. Não se sustenta em nada.
(...)
A.M.