domingo, 18 de dezembro de 2016

À noite 

todas as palavras são pretas 
todos os gatos são tardos 
todos os sonhos são póstumos 
todos os barcos são gélidos 
à noite são os passos todos trôpegos 
os músculos são sôfregos 
e a máscaras, anêmicas 
todos pálidos, os versos 
todos os medos são pânicos 
todas as frutas são pêssegos 
e são pássaros todos os planos 
todos os ritmos são lúbricos 
são tônicos todos os gritos 
todos os gozos são santos 


Antonio Carlos Secchin
O GÊNIO FORA DA GARRAFA

Todo mundo já ouviu meia dúzia de histórias de gênios que saem de garrafas. Duda Mendonça, mago da marquetagem política, parecia ser um caso raro de gênio que volta voluntariamente para dentro da garrafa. Pilhado no escândalo do mensalão recebendo uma valeriana de R$ 10,5 milhões numa conta secreta nas Bahamas, Duda confessou o mau passo numa CPI, pagou os impostos sonegados, safou-se no julgamento do mensalão, tomou distância do petismo, virou fumaça e sumiu.

Quando se imaginava que Duda estivesse abaixo do nível do gargalho, ele ressurge em cena na pele de um gênio reincidente. Em delação premiada, executivos da Odebrecht contaram à força tarefa da Lava Jato que parte dos R$ 6 milhões que Michel Temer mandou borrifar nas arcas eleitorais de Paulo Skaf, candidato derrotado do PMDB ao governo de São Paulo em 2014, foi destinada a Duda numa conta no exterior. A novidade foi relatada em notícia veiculada nas página de Veja.

No mensalão, Duda safara-se dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas porque conseguiu convencer o Supremo Tribunal Federal de que não sabia que o dinheiro que recebia de Marcos Valério era sujo. No petrolão, a lorota perdeu o prazo de validade. Depois de assistir à estadia de seis meses do ex-pupilo João Santana na hospedaria da PF’s Inn de Curitiba, Duda apressou-se em oferecer ao Ministério Público Federal o suor do seu dedo-duro. Por ora, não colou. A delação da Odebrecht chegou antes. E o gênio talvez tenha de passar uma temporada em local menos confortável do que a garrafa.

Do Blog do Josias de Souza, 18/12/2016, 02:49 hs

PSIQUIATRIA BIOLÓGICA


ADVOCACIA

Fiz tão bem o meu curso de Direito que, no dia seguinte em que me formei, processei a Faculdade, ganhei a causa e recuperei todas as mensalidades que havia pago.


Fred Allen
O ENCONTRO REAL

Quando se diz "relações interpessoais", está embutido o conceito de "pessoa humana" de origem intrinsecamente cristã. No entanto, ao se pensar o encontro entre duas pessoas, é possível agenciar o Encontro entre multiplicidades, aquele que remete ao movimento dos corpos (visíveis e invisíveis) enfiados no livre fluxo dos acontecimentos. Trata-se de uma torção do discurso, um desvio da fala banal em prol dos afetos e da potência de ser afetado. Silêncio! A chamada pessoa já não se sustenta, já não recolhe energia de uma suposta unidade de ação (o eu, a consciência...), exceto se estiver sob a égide dos códigos estabelecidos em dispositivos de controles tecno-burocráticos ou de despotismos morais. De todo modo, o Encontro real é composto por linhas de singularização que se ligam umas às outras, constroem territórios afetivos e ficam à espreita... Então, a coisa é assim: cada pessoa não é una, não é uniforme, mas múltipla, multiplicada e multiplicante por "n" mil. Seja o objeto de uma paixão. Não é o objeto o que importa ou o que faz funcionar o mundo e o universo, não é o que encanta e  faz renascer a realidade a cada segundo, mas os signos que são enviados por ele (sem cessar) para o amante. Tampouco este é "uma pessoa", mas uma multiplicidade de linhas afetivas movidas à alegria em viagens de perdição. É o segredo revelado no cerne do Encontro real entre o Amante e o Objeto da sua paixão. Ou melhor seria dizer: o encontro com a paixão por seu objeto. Tudo passa, pois, pelos signos e pela força de sua expressão livre nos cantos e encantos de uma natureza impassível e esplendorosa. É a arte do encontro, um alumbramento.

A.M.

P.S. – texto revisado e ampliado.

LUIZ LUNA MATIZ


OS DONOS DO BRASIL

A Odebrecht pagou propinas a deputados e senadores para a aprovação de medidas provisórias que concederam cerca de R$ 140 bilhões em descontos em impostos e outros benefícios a companhias nacionais, incluindo a própria empreiteira e suas subsidiárias, segundo a delação premiada do ex-diretor da empresa Cláudio Melo Filho. O depoimento dele cita mais de 20 políticos, entre eles a cúpula do PMDB.

O valor é o resultado da soma das renúncias fiscais de quatro MPs citadas pelo ex-executivo e que, mais tarde, acabaram virando leis ainda vigentes. Para calcular o montante, o UOL utilizou dados disponibilizados pela Receita Federal e estimativas de renúncias fiscais enviadas pelo governo ao Congresso na época da edição das medidas. A renúncia total leva em conta a correção monetária baseada na inflação oficial (IPCA) em cada ano em que as MPs surtiram efeito.

A título de comparação, os R$ 140 bilhões superam o orçamento anual do Ministério da Saúde, que em 2017 deve chegar aos R$ 115,4 bilhões.

Melo Filho afirmou ao MPF (Ministério Público Federal) que a Odebrecht agiu para influenciar na tramitação de sete medidas provisórias entre 2005 e 2014. Dessas, quatro ainda estão valendo e beneficiaram diretamente companhias nacionais: MP 449/08, MP 472/09, MP 563/2012, MP 651/2014 (leia mais sobre cada caso abaixo).

De acordo com a delação, na tramitação de todas elas, a Odebrecht pagou congressistas ou fez doações a campanhas eleitorais para garantir que as quatro MPs fossem aprovadas ou que emendas do interesse da empresa fossem incluídas nas propostas.
(...)

Flavio Costa e Vinicius Konchinski, do UOL em São Paulo e no Rio, 18/12/2016, 05:00 hs

sábado, 17 de dezembro de 2016

PARA CHEGAR A 2018
(...)
Existem forças poderosas tentando deter ou deturpar a Lava Jato. Elas se aproveitam da confusão, dos impasses. É uma tática que existe nos mínimos detalhes, como a atuação dos advogados de Lula, discursos no Parlamento, notícias inventadas.
Digam o que quiserem das ruas. Não houve violência nas manifestações contra a corrupção. Elas cumprem o seu papel. No fundo, acreditam nas instituições e na possibilidade de que encontrem uma saída.
Algumas instituições entraram em férias. Durante o recesso poderiam pensar no ano que entra. É possível fazer melhor e mais rápido.
É uma ilusão supor que o Brasil não mudou, que será governável com as mesmas práticas do passado. Hoje será menos doloroso avançar do que recuar no projeto de fortalecer a economia e dar à política uma chance de reconciliação com a sociedade. No meio de tanta confusão, na qual estou também envolvido, é assim que vejo o caminho imediato e os dois objetivos principais.
Deve haver centenas de outras visões. Seria salutar discutir como chegar a 2018, e não apenas o clássico quem comprou quem, quem é a bola da vez… A bola da vez é a ameaça de caos.

Fernando Gabeira, 16/12/2016
Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase, dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde leva sua dança.

Rumi

CANAL ÁREA 51 - O futuro da humanidade está fora do planeta Terra


SOS ALEPPO

Um novo acordo entre o governo sírio e grupos rebeldes está sendo negociado para completar a evacuação de áreas rebeldes a leste de Aleppo, segunda maior cidade da Síria. Na sexta-feira (16/12), as negociações foram suspensas após as forças do ditador Bashar Al-Assad exigirem que pessoas também fossem removidas de outras duas aldeias xiitas sitiadas por insurgentes.

Fontes disseram que as negociações ainda estão em andamento porque ainda não se chegou a um consenso de como as evacuações aconteceriam e quantas pessoas iriam embora. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que milhares de pessoas assustadas e feridas ainda estão no leste de Aleppo esperando para sair da cidade.

Veja.com, /Mundo/ da Redação,17/12/2016, 13:35 hs
A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.


Nelson Rodrigues

PHILIP GLASS- Escape


NOVOS MUNDOS

A subjetividade moderna é atravessada e determinada pelos mil fluxos eletrônicos que chegam de fora. Dizer "eu sinto", "eu penso", "eu percebo", etc, são funções subjetivas não atreladas ao nível da consciência ou intencionalidade da mesma. Este dado constitutivo do real atual atesta o momento histórico de aniquilamento do sentido da existência. Olhe para todos os lados, todos os cantos, todas as terras, todos os países e constate a dissolução profunda de valores e crenças. No entanto, ao invés de apelar para a salvação religiosa (mesmo a ciência tornou-se uma religião...), por que não considerar que a experiência de erosão do sentido da existência pode ser o desejo do novo?  Por que não criar novos modos de viver? Por que não?

A.M.
APOCALIPSE NOW

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhará para a homologação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki as 77 delações de ex-executivos da Odebrecht, incluindo a de Marcelo Odebrecht, nas próximas semanas. Os procuradores se juntaram numa força-tarefa para ouvi-los num curto prazo de tempo. Os anexos recheados de informações ajudaram a acelerar os trabalhos.

Murilo Ramos, Época, 16/12/2016, 09:57 hs