sábado, 23 de maio de 2026

A  MEDICALIZAÇÃO  SEM  FIM


Fenômeno típico da sociedade industrial capitalística "avançada", a medicalização corresponde a expressão da medicina no campo social.

Tal afirmação soa rasa e superficial se se limitar à medicina como ramo da ciência atrelado aos ideais iluministas ( a razão científica) e humanistas ( o homem como medida  das coisas).

Ao contrário, a medicalização da vida social é uma instituição. E como toda instituição,  só funciona em conexão com outras instituições, no caso, o Estado, a Ciência, a Mídia, a Política, a Economia, etc.

Desse modo ela desenvolve a função de ocultar  (ou maquiar) a divisão de classes. Isso é constitutivo do Capitalismo Mundial integrado (F. Guattari, 1981) e alavanca seus valores e códigos às custas de uma subjetividade-do-capital atualizada via internet.

Mas não se trata aqui de uma afirmação idealista calcada no pensamento de Marx, e sim de uma percepção do real em si mesmo, o que existe.

O que existe são imagens de imagens de imagens circulando enlouquecidas rumo a um lucro capitalístico infinito. Então, para que serve o real se ele foi "anexado" à loucura como o fim último da produção?

Não existe mais o "social", a socialidade. O capital abarcou tudo, engoliu tudo. 

Assim, de volta à medicalização da vida social que é a "vida do capital": ela é esse "infinito"  expresso na luta entre os virus e as vacinas, entre as bactérias e os antibióticos, entre a doença e a saúde, entre a morte e a vida... tudo pela expansão metastática do lucro.


A.M.


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