sábado, 13 de setembro de 2025

A ERA DO ÓDIO


1-Existe o “bolsonarismo”, ou seja, o fascismo à brasileira. Para facilitar a compreensão do argumento a seguir, usaremos o termo.

2-O bolsonarismo é uma cepa tropical do fascismo, doença psicossocial e política iniciada em 1922 na Itália.

3-No Brasil esta cepa assumiu características semiológicas peculiares. Há portadores sintomáticos espalhados por todos os cantos. Para tentar compreendê-los, usamos a referência clínica da psicopatologia.

4-Ele, o fascista, se julga uma boa pessoa (talvez seja de fato) amante dos valores do humanismo tipo senso comum. Linhas cristãs e mesmices do homem médio lhe compõem.

5-A atividade cognitiva costuma estar preservada. Nada de lesão cerebral ou disfunção dos neurotransmissores. Definitivamente, os neurocientistas  não o alcançam. Trata-se de um cidadão  normal.

6-O perfil social é o de classe média, habituada e identificada ao ritmo do consumo internético, veloz e massacrante. Ele não se importa. Até goza.

7-Apresenta ideação deliróide (quase delírio) ou delirante (delírio primário) com forte teor paranóide. Em um caso como no outro, “há um complô planetário em marcha”.

8-O seu objeto persecutório favorito alterna formas abstratas ( o comunismo, o esquerdismo) com formas concretas ( STF – Alexandre de Moraes, o “Xandão”). Sofre por isso.

9-Apesar da atividade cognitiva preservada, equivoca-se quando reduz a esquerda ao partido dos trabalhadores. E pior, ao Lula. Inútil contestá-lo. Há uma espécie de ideação endurecida que se afirma como verdade. 

10- Ora, "isso não teria problema", não assustaria ninguém se ele não usasse como combustível um ódio profundo e visceral à transformação social.



A.M.

2 comentários:

  1. Sempre me impressiona a forma concisa e didática do seu texto. Tem a leveza de um ensaio( com bastante fundamentaçao e lógica) mas com mais objetividade sem perder a argumentação. E essa estética do texto deixa claro o perigo e o poder sorrateiro do fascínio que o fascismo exerce no cidadao que se pensa ser “do bem”

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