quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

SOBRE O FIM DO ANO

Não há fim do ano. Tudo é processo, tudo está no meio e essa é a certeza para jogar bem, como diz Deleuze.

O fim do ano tornou-se uma forma social (instituição) criada pelo sistema do capital. O objetivo, como em outras áreas da atividade humana, é a produção de uma mercadoria (o Réveillon) e  seu consumo em multiplicações festeiras.

Este é um belo esquema teórico derivado de Marx. Contudo, não atinge a questão do processo de subjetivação do tempo como categoria essencial das subjetividades.

Na marcação do tempo o que está em jogo é a vida, expressa como existência social. Em tempos atuais é uma linha do desejo atrelada à formação capitalística planetária. Ela executa a cristalização do papel social do consumidor.

Ora, ser consumidor implica, graças às maravilhas técnico-científicas, em consumir a imagem de si mesmo no mundo de uma linguagem redundante: a internet.

Quanto ao "redundante", tal imagem funciona em repetição estéril e automática num vazio de criatividade. Naturalizada em loucas velocidades. 

E o tempo "pede" uma imagem física, orgânica, corpórea.

Sendo assim, o "fim do ano" é tão só mais um fluxo poderoso de imagens planetárias. O que as move é o pavor da morte coletivizado e  maquiado em mensagens de esperança. O tempo é fatiado, exposto e tornado visível: o ano novo costuma ser apresentado como um bebê...

Compreensiva a decepção das pessoas quando o relógio bate meia noite e um segundo, ao dizerem:  "oxi, nada mudou!"

Imediatamente pronta, recomeça a Confraternização Universal  dos Humanos em 1º de janeiro.


A.M.

 

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