O ATO DE CRIAÇÃO
(...)
Qual é o conteúdo da filosofia?
Muito simples: a filosofia é uma disciplina tão criativa, tão
inventiva quanto qualquer outra disciplina, e ela consiste em criar ou
inventar conceitos. E os conceitos não existem prontos e acabados numa
espécie de céu em que aguardariam que uma filosofia os apanhasse. Os
conceitos, é preciso fabricá-los. É claro que os conceitos não se fabricam
assim, num piscar de olhos. Não nos dizemos, um belo dia: “Ei, vou
inventar um conceito!”, assim como um pintor não se diz: “Ei, vou pintar
um quadro!”, ou um cineasta: “Ei, vou fazer um filme!”.
É preciso que haja uma necessidade, tanto em filosofia quanto nas
outras áreas, do contrário não há nada. Um criador não é um ser que
trabalha pelo prazer. Um criador só faz aquilo de que tem absoluta
necessidade. Essa necessidade — que é uma coisa bastante complexa, caso
ela exista — faz com que um filósofo (aqui pelo menos eu sei do que ele se
ocupa) se proponha a inventar, a criar conceitos, e não a ocupar-se em
refletir, mesmo sobre o cinema.
Eu digo que faço filosofia, ou seja, que tento inventar conceitos. E
vocês que fazem cinema, o que vocês fazem?
(...)
Gilles Deleuze, palestra em 17/03 1987, na Fundação Européia dea Imagem e do Som
Nenhum comentário:
Postar um comentário