quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 NEGRI E HARDT - O SECURITIZADO


Cada uma das quatro figuras da subjetividade move um afeto principal. O endividado sente-se culpado, o mediatizado está deslumbrado, o representado sempre desinteressado e o securitizado, amedrontado. O medo social generalizado produz o securitizado – sujeitos servis de uma sociedade prisional, que assumem ao mesmo tempo o papel de vigias e vigiados.

Olhe ao redor; veja as grades, os muros, as câmeras, os portões, as trancas, os cadeados, as lanças, os blindados, os cercos de arame farpado. Quando é que nós fomos encarcerados? Por onde passamos deixamos um rastro de medo. Nossa sociedade fareja muito bem o medo, ela vive deste sentimento.

“Passe pela segurança de um aeroporto, e seu corpo e sua bagagem serão lidos oticamente“. Usufrua de qualquer serviço (seja público ou privado) e todos os seus dados serão coletados e armazenados. Adquira algum bem e logo te empurrarão um seguro. “Por que você aceita ser tratado como um presidiário?“.

A questão é que já nem faz mais sentido falar em prisão quando a escola, o trabalho, a vida pública seguem a mesma lógica do sistema carcerário. Estamos todos internados e alistados num “regime difuso de segurança”. Vivemos em guerra pedindo por… paz? Não, vivemos com medo pedindo por mais segurança, muros mais altos, grades de mais alta tensão, arames mais farpados, senhas mais complexas. O securitizado abraça policiais militares em manifestações onde pede intervenção militar, sente seu coração disparar em cada esquina mal iluminada, anda rápido sem olhar para os lados e sempre dá duas voltas na fechadura.

(...)

Rafael  Lauro, do site Razão inadequada, acessado em 29/01/2026

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