onde anda a política
que muda?
onde anda a muda
que floresce?
A.M.
Este blog busca problematizar a Realidade mediante a expressão de linhas múltiplas e signos dispersos.
DIAGNÓSTICOS LUCRATIVOS
A psicopatologia é uma ferramenta importante da psiquiatria clínica.Ou, pelo menos, deveria ser. No entanto, em neurotempos atuais ocorre o inverso. Não se fala e não se pesquisa psicopatologia. Só há transtornos mentais orgânicos, mesmo não sendo, e suas descrições encaixotadas e encaixotantes. A psicopatologia tornou-se a neuromania dos crâneos. Ela funciona acoplada á máquina do capital. Produção/consumo/produção. Olhe em torno: eis a vitrine macabra dos transtornos mentais. Há um vazio epistemológico deixado e preenchido pela vontade de controle da psiquiatria biológica. Tal vontade opera no cadastramento dos desvios de conduta, do mau comportamento social, do irracionalismo do eu-individual, enfim, no aniquilamento da alma das pessoas. Isto se traduz como diagnóstico-verdade. Em tal contexto, a loucura se alastra por toda parte, não como experiência de abertura a novas semióticas ("loucura" de viver a vida), a novas terras aqui-mesmo, ao novo, mas, ao contrário, como esvaziamento do sentido da existência, fim de mundo, apocalipse, noite eterna, buraco negro. Confira a alta cotação das religiões no mercado espiritual do medo. A ideação suicida, o próprio suicídio, ou a auto-flagelação de jovens são apenas rostos da angústia inominável do tecido social em decomposição. Desse modo, uma psiquiatria sem pesquisa psicopatológica não só cauciona o sofrimento psíquico como o produz e dele retira lucro, poder, prestígio, reverência e status social. Ela se tornou uma mega-agência de controle social e fábrica de diagnósticos on-line. Via You Tube é uma simples amostra.
A.M.
O EXTERMÍNIO DA ALMA - I
Fenômeno modelar das sociedades industriais modernas (plugadas na ideia de progresso ), ele opera nas dobras invisíveis da alma, expondo-a à venda. Tal é o reino da mercadoria. A instituição -ciência comparece com o selo de garantia da verdade. Um culto à morte se instala naturalmente. Verifique as guerras.
A.M.
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
Necropsiquiatria - esboço de conceito: parte 4
Se a psiquiatria atual não dispõe de uma teoria dos afetos, o dado clinico essencial é o de que o paciente não é escutado.
Trata-se de um truísmo.
No entanto, para além ou aquém do diagnóstico, há linhas de diferença afetiva que se somam, se chocam e se expressam numa dada semiologia. Isso está fora da grade sintomática estabelecida pela Necro.
Assim, o objetivo maior de um tratamento "mental", que seria o de afirmação da vida, é invertido.
O modelo da morte (por. exemplo, depressões profundas, catatonias, etc) o substitui. Não que a psiquiatria adote esse modelo.
Ela é o próprio modelo.
A.M.
PAGANISMO
Prática religiosa ligada à natureza
O paganismo, palavra que tem origem no latim “paganus” (pagão), era a religião daqueles que moravam nos campos, ou seja, uma doutrina de devoção aos elementos da natureza.
A termologia “pagão” é utilizada para caracterizar as pessoas que não seguem os conceitos das religiões tradicionais. No cristianismo, todos aqueles que não são batizados são definidos como pagãos. Em outras religiões é ligado ao ateísmo – vertente que não acredita na presença de deuses.
Nascimento do Paganismo
O paganismo tem sua origem em Roma, quando a humanidade vivia em função da agricultura e pastoreio (domesticação de animais). Por isso, mantinham uma intensa ligação com a natureza, cultuando os elementos que garantiam a fertilidade da terra e boas colheitas.
Com o nascimento das cidades, as formas de adoração passaram a ser de acordo com a funcionalidade e característica de cada região. As doutrinas foram modificadas para representar a nova vida nos centros urbanos.
Aspectos do Paganismo
Os seguidores do paganismo normalmente são politeístas (cultuam vários deuses), porém, somente um é escolhido para ser a divindade suprema. Apesar das correntes do neopaganismo, certas propriedades da religião foram preservadas.
• Ideia de que a essência divina faz parte da natureza;
• Religiosidade representada pela imagem feminina (Deusa Mãe);
• Não existe bem x mal, céu x inferno ou corpo x espírito;
• Não existe as concepções de pecado ou a crença na existência do diabo;
• Liberdade para cultuar os elementos da natureza de diversas formas;
• Repetição dos rituais de origem independente da época;
• Festejos nos momentos de mudança dos ciclos da natureza (estações do ano, solstícios e equinócios);
• Não existe a crença de vida após a morte, apenas de mudança para outro mundo.
Além dessas principais características, o paganismo não segue princípios morais, reverencia santos ou utensílios de conexão com o divino (cruz, terço, livros, entre outros).
Vertentes Religiosas do Paganismo
O paganismo engloba uma série de movimentos religiosos. Algumas doutrinas africanas, indígenas e chinesas, por exemplo, aplicam teorias pagãs em seus ensinamentos.
A vertente mais moderna é a do neopaganismo - grupos que fazem uma releitura dos conceitos pagãos já existentes. Entre as correntes religiosas que utilizam novas culturas pagãs estão a wicca, o neodruidismo, o discordianismo e neopaganismo germânico e eslavo.
Wicca
A maior religião neopagã é a wicca. Ela é uma nova interpretação das antigas práticas pagãs da Grã-Bretanha. Criada pelo inglês Gerald Gardner, prega a crença em dois deuses: a Deusa Mãe e Cernunnos.
A Deusa Mãe simboliza as fases da vida feminina: donzela (virgindade), mãe (plenitude) e anciã (conhecimento). Como caracteriza os ciclos da vida, é representada pela lua, que também tem três fases: crescente, cheia e minguante.
Já o outro deus é uma figura masculina chamada de Cernunnos. Ele é marido da Deusa Mãe e retrata a virilidade, as estações do ano e a vitalidade das plantas. É uma divindade que nasce, morre e ressuscita, algo parecido com os processos da vida humana.
Os cultos wicca são realizados nos tempos de solstícios (verão e inverno) e equinócios. Feitos em grupos ou de forma individual, os adeptos invocam as forças da natureza e das divindades através de círculos mágicos. Além dos círculos, geralmente os rituais giram em tornos de altares. Eles precisam ser purificados com folhas e arrumados com velas, cálices, facas (precisam ser cegas), varinhas mágicas e um caldeirão.
Com o final do percurso de adoração, o círculo deve ser desfeito e as pessoas saem de algum tipo de transe. As sensações e sentimentos durante as invocações são anotadas no Livro das Sombras.
Neodruidismo
O neodruidismo é a modernização das ideias druidistas nascidas ainda na civilização Celta. As interações com a natureza, a crença em seu potencial criador e a convicção de que as energias movimentam as fases da vida são os alicerces dos ensinamentos neodruidistas.
Diferentemente da wicca, que tenta dominar as forças naturais, essa corrente busca apenas compreendê-las. Em seus rituais também são utilizados círculos mágicos para a convocação dos quatro elementos (fogo, terra, água e ar).
Neopaganismo germânico
O neopaganismo germânico baseia-se na veneração da natureza, da ancestralidade, das divindades e em componentes não humanos, como plantas, animais ou utensílios místicos. Existem variadas divisões religiosas dentro do neopaganismo germânico, organizadas de acordo com a funcionalidade e localização. Entre os principais movimentos estão o theodismo, o odinismo, a ariosofia, o armanismo e o wotanismo.
Paganismo no Brasil
O paganismo no Brasil começou a se estabelecer a partir da década de 1990. Entretanto, já existia uma corrente do druidismo no país, o colégio Druídico das Gáleas. Apesar de possuir maior número de adeptos no mundo pagão, as primeiras tradições da wicca se desenvolveram dez anos depois (em 2000) e seguiam os modelos da vertente estadunidense. Além do druidismo e da wicca, firmaram-se outras correntes do neopaganismo no Brasil: o heathenismo, o hellenismos, o neoxamanismo, a espiritualidade feminina e o piaganismo.
Thamires Santos, 05/12/2018, atualizado em 21/07/2020