domingo, 8 de setembro de 2013

ARTE

Falamos da arte como composição de linhas subjetivas que  buscam  expressar e criar um mundo. É possível captar essas forças no Encontro com o paciente. A psiquiatria capta outras forças, é bem verdade, as do organismo físico-químico adoecido pelas condições em que  vive. Isso significa fabricado por múltiplas determinações que escapam ao controle do eu. Escapam também ao enquadre linear causa-efeito. Contudo, o que o paciente diz sentir  é o que  importa. A arte, surge, então, como resistência às situações existenciais adversas. Nesse sentido  ela está  fora  da psiquiatria, não havendo encontro possível. A linguagem da arte é  inseparável da sensação,  pura sensação que constitui a subjetividade como semiótica a-significante. Ou seja, não sendo submetida à consciência (“eu, enquanto indivíduo”),a produção da arte é uma produção de singularidades que retira matéria viva do caos.Na psiquiatria biológica atual, no lugar da produção, o produto é capturado (e  imobilizado)  por exames de imagem. Frias.

A.M.

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