terça-feira, 3 de setembro de 2013

EXAME


O paciente não é o do  psiquiatra e sim do mundo. Sem médico ou: não se sente paciente. Está fora. Não entra em compilações clínicas, não é atendido, não precisa, não está para isso.Um vazio toma conta da sala. Risos imotivados  tem um motivo e  uma interpretação. A psiquiatria a tira por entre ampolas da sala. Quem  fala? Ouve-se um ruído de imagens heréticas. Elas chegam ao cérebro.Vêm de longe, logo ali. São  feitas  da matéria. Esta  é invisível. O paciente é uma imagem, tudo é imagem. Daí, a sua presença marcar um grito  que extrapola os limites da clínica. Uma queixa, um comportamento, um sintoma-signo. Quem fala  coisas fora dos trilhos? Qualquer um pode, desde que a existência brilhe.  A irreversibilidade do fato biológico ou de qualquer fato comprova o silêncio que banha a hora do desencontro. Sem que se perceba, é preciso inverter a ordem. Nada mais faz sentido senão a produção do sentido, mesmo o sem-sentido. O paciente  está desnorteado ante os  fluxos de verdade  da saúde  mental.  No entanto, seu corpo é um projétil que se desloca à velocidade do pensamento: não se dobra, mas se desdobra em  imagens atuais. Você não sabe do que  falo, mas  sabe  do que  sinto em relação a essas  experiências  sem  dono.

A.M.

Um comentário:

  1. "...o corpo se desdobra em imagens atuais." Q bom se o paciente visse essas imagens. Ou vê?

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