sexta-feira, 1 de agosto de 2025

ESTUDO CLÍNICO SOBRE OS DELÍRIOS - II


A avaliação semiológica em psicopatologia é condição essencial para o diagnóstico de um delírio. Antes de tudo, deve ser posta a questão: "É delírio?". Em caso afirmativo, tal sintoma remete a hipótese de uma síndrome, ou mais de uma. Como foi dito, há várias síndromes que se expressam como delírio ou como delírios. Elas podem vir juntas, se associarem. A análise da vivência-delírio e não apenas do sintoma-delírio extrai dados clínicos de como o paciente sente o delírio e como este se insere no seu sistema de crenças. Há, por exemplo, pacientes que guardam alguma distância crítica em relação ao delírio, enquanto outros estão como que tomados pelo sintoma. Nos casos graves, "eles são o próprio delírio". Os aportes teóricos que ligam o delírio à questão da verdade são um tema que excede os limites desse texto. No entanto, o objeto aqui é a clínica no que ela põe a questão a ser respondida: "o que fazer com o paciente?" Isto induz a uma ação prática (talvez imediata),  foco da técnica psiquiátrica. Entre as síndromes delirantes, a histeria dissociativa se destaca.  O motivo é que a histeria costuma desconcertar a visão biomédica, mesmo hoje, mais de 100 anos após Freud, e daí, o paciente ser reduzido a uma pecha de não-doente, fingidor, simulador e outros epítetos depreciativos.


A.M.

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