domingo, 9 de setembro de 2012

O USO DO DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO

O diagnóstico psiquiátrico não possui qualquer base científica. Sendo assim, trabalhar com ele (isso é inevitável pela força jurídica que encerra) implica em estabelecer estratégias micro-políticas.Elas irão considerar o contexto onde se insere o enunciado-diagnóstico. A clínica: em um serviço público? Ou serviço privado? Em um relatório médico? Com qual destinatário? etc...e assim por diante. Produzimos dois conceitos à respeito. Diagnóstico-função: quando ele funciona à favor do paciente (potência de singularização múltipla). Diagnóstico-essência: quando o enunciado cola no corpo e na existência, identificando-o a uma suposta entidade médica.

A.M.

FOUCAULT por ele mesmo - 4

MULTIPLICIDADES

(...) (...) Somente a categoria de multiplicidade, empregada como substantivo e superando tanto o múltiplo quanto o Um, superando a relação predicativa do Um e do múltiplo, é capaz de dar conta da produção desejante: a produção desejante é multiplicidade pura, isto é, afirmação irredutível à unidade.
(...)
G. Deleuze e F. Guattari - do livro O anti-édipo
Por não ser contaminada de contradições a linguagem dos pássaros só produz gorjeios.

M. de Barros

VAN GOGH

FAZER A DIFERENÇA - III

A busca da diferença é a mesma coisa que a "afirmação da diferença". No campo da saúde mental, essa busca vai além do que a psiquiatria pode oferecer.Isto significa dizer que o trabalho da clínica é essencialmente transdisciplinar. "Garantida" uma posição ética - a potência das multiplicidades, e uma posição estética - a arte como linha de criação, o diagnóstico  torna-se não mais que uma função à serviço das multiplicidades e da arte.O que muito dificulta esse empreendimento "libertário" é a codificação prévia a que é submetido o paciente. Trata-se de um sistema de poder miniaturizado em instituições tão mais poderosas quanto invisíveis.O EU,  por exemplo, vivendo às custas de ilusão da realidade, é uma delas.O combate virá das entranhas da loucura encarcerada.

A.M.

DIANA KRALL - Este Seu Olhar

LINHAS NIETZSCHIANAS

(...) (...) Conheço a minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo - de uma crise como jamais houve sobre a terra, da mais profunda colisão de consciências, de uma decisão conjurada contra tudo o que então foi acreditado, santificado, requerido.Eu não sou um homem, sou dinamite.E com tudo isso nada tenho de fundador de religião - religiões são assunto da plebe, eu sinto necessidade de lavar as mãos após o contato com pessoas religiosas...
(...)
F. Nietzsche - do livro Ecce homo

sábado, 8 de setembro de 2012

O PODER PSIQUIÁTRICO, segundo Foucault

FAZER A DIFERENÇA- II

(...) (...)No trabalho da clínica, a diferença se afirmará tanto mais à medida em que a identidade dos saberes e dos papéis profissionais se desfaça em prol de um regime transdisciplinar. Ela, a diferença, passa a ser, então, a transdisciplinaridade levada a efeito como prática ético-estética, antes de ser técnica.Traçar linhas que atravessem as fronteiras entre saberes e práticas heterogêneos é afirmar afetos e devires que vão além daquilo que "manda" ser médico, ser psicólogo,etc.Desatrelar os objetivos das grades disciplinares, fazer rizoma para todos os lados é praticar a diferença onde ela não se encontra, mas onde o "encontrar" com os signos faz a clínica como crítica.
(...)
A.M. - do livro Linhas da diferença em psicopatologia

PACO DE LUCIA - Entre dos aguas

FAZER A DIFERENÇA


A diferença na clínica psicopatológica se afirma, antes de tudo, como ética da potência de existir.Só que não há um pacote pronto a ser aplicado nas situações com o paciente. A ética terá que ser inventada segundo o critério que separa poder e potência. Será possível? Voltaremos ao assunto.


A.M.

HERÓI REAL

TEATRO DA CRUELDADE

(..) (...) O poder do teatro e da verdadeira ação revolucionária não é o de criar o futuro, mas o de agitar o presente, pelo seu avesso.
(...)
U. C. Arantes - do livro Artaud: teatro e cultura