sábado, 29 de novembro de 2025

MÁSCARA


Passa o tempo da face

E o prazer de mostrá-la.

Vem o tempo do só,

A rua do desgosto,

O trilho interminável

Numa estrada sem casas.

O final do espetáculo,

A sala abandonada,

O palco desmantelado.


Do que foi uma face

Resta apenas a máscara,

O retrato, a verônica,

O fantasma do espelho,

O espantalho barbeado,

A face deslavada,

Mais sulcada, mais suja,

De beijada, cuspida,

Amarrotada

Como um jornal velho.

Máscara desbotada

De carnavais passados.

Esta é a nossa cara

Escaveirada.


Até que a terra

Com sua garra

Nos rasgue a máscara



Dante Milano

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