sábado, 8 de novembro de 2025

O ASSINALADO


Tu és o louco da imortal loucura;

O louco da loucura mais suprema.

A terra é sempre a tua negra algema,

Prende-te nela a extrema desventura.


Mas essa mesma algema de amargura,

Mas essa mesma desventura extrema;

Faz que tu'alma suplicando gema

E rebente em estrelas de ternura.


Tu és o poeta, o grande assinalado;

Que povoas o mundo despovoado

De belezas eternas, pouco á pouco.


Na natureza prodigiosa e rica,

Toda a audácia dos nervos justifica,

Os teus espasmos imortais de louco.


Cruz e Sousa

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