sexta-feira, 2 de maio de 2014

CONSCIÊNCIA PESADA

O conceito biomédico de "consciência" trabalha com a hipótese do funcionamento das estruturas neuro-cerebrais.  São considerados dois polos clínicos de referência: a vigília (consciência plena) e o coma (consciência abolida). Entre esses extemos haveriam graus, matizes, de alteração (turvação, obnubilação, etc) da consciência. Ora,em casos de psicoes graves, em histerias, e em outras situações clínicas,às vezes dramáticas, a consciência mantém-se íntegra e funcional.. Isto evidencia o fato da grande limitação teórica e  clínica da psiquiatria calcada na visão organicista.  Ao contrário, intervir com sabedoria consiste em desvalorizar o conceito de consciência em prol da "hipótese necessária e legítima" do Inconsciente, vigente há mais de 120 anos. Infelizmente,a notícia ainda não chegou às hostes médicas. Veio de Nietzsche e Freud, entre outros e é instrumento indispensável à intervenção prática, mormente se concerbermos o inconsciente como Fábrica e não como Teatro, este, o  modo edipianizante e mortificante da psicanálise. Uma clínica outra, a que busca o Encontro com o paciente, trabalha com o Inconsciente-fábrica, sem desfazer, contudo, a existência da consciência ao jeito médico (e tosco) de encarar o problema.

A.M. 

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