MICRO-GUERRILHAS
(...) É verdade que a filosofia é inseparável de uma cólera contra a época, mas também de uma serenidade que ela nos assegura. Contudo, a filosofia não é um Poder. As religiões, os Estados, o capitalismo, a ciência, o direito, a opinião, a televisão são poderes, mas não a filosofia. A filosofia pode ter grande batalhas interiores (idealismo — realismo etc.), mas são batalhas risíveis. Não sendo um poder, a filosofia não pode empreender uma batalha contra os poderes; em compensação, trava contra eles uma guerra sem batalha, uma guerra de guerrilha. Não pode falar com eles, nada tem a lhes dizer, nada a comunicar, e apenas mantém conversações. Como os poderes não se contentam em ser exteriores, mas também passam por cada um de nós, é cada um de nós que, graças à filosofia, encontra-se incessantemente em conversações e em guerrilha consigo mesmo.
(...)
G. Deleuze in Conversações
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