terça-feira, 4 de abril de 2017

Tento dizer: a tarde tem o tom
exato de outra tarde que conheço,
mas qual? (Mas neste instante escuto o som

de uma outra voz, que é minha e desconheço,
e o que ela diz é belo, é certo e é bom.
Mas o que digo assim não reconheço.

É como um deus de bolso, esta presença
que o próprio gesto de negar evoca.
A voz é dela, embora me pertença
a música. E mais a mão que a toca.)

Naturalmente, enquanto isso a tarde
se apaga, anêmica, despercebida,
e vem a noite, com seu negro alarde.
Desde o começo a causa era perdida.


Paulo Henriques Britto

EMIL NOLDE


TCC, A ESPARRELA

São, pelo menos, 10 questões quanto à terapia cognitivo-comportamental:  em primeiro lugar, ela usa o ego do paciente como referência para ações cotidianas; Em segundo, usa o ego do terapeuta para  mandos e comandos sobre essas ações cotidianas. Em terceiro, não considera os processos subjetivos enquanto multiplicidades, singularidades intensivas.Em quarto, é adaptativa às relações sociais estabelecidas pelo capitalismo reinante.Em quinto, adota únicamente o paradigma científico (teórico-experimental), desprezando a contribuição do pensamento filosófico e do pensamento artístico. Em sexto, ignora a pulsação desejante a  qual "sustenta" os sistemas de crenças das estruturas cognitivas. Em sétimo, faz conexão político-acadêmica com a psiquiatria biológica e farmacológica. Em oitavo, usa os próprios transtornos codificados pela psiquiatria neuro-biológica, tais com Toc, T. do pânico, T. alimentares, T do humor, entre outros, para referendar  seus resultados terapêuticos. Em nono, considera a priori (em seus trabalhos prático-conceituais) a realidade social como Eterna: uma verdade "inoculada" no paciente. Em décimo, auto-intitula-se de breve ( há até pacotes de 60, 90 dias...) e assim espero que seja no devir-histórico das escolas de psicoterapia.

A.M.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

domingo, 2 de abril de 2017

68 PASSOU

(...)
P. Em resumo, seu filme é uma crítica aos que aqui em Paris, no Brasil ou em qualquer lugar tentam viver de uma visão que você considera não realista de 1968.

R. Eu acho que a história anda, a fila anda. A nostalgia mata. Por que buscar em maio de 1968 as energias? Tem tanta coisa importante acontecendo hoje em dia, tantas lutas importantes. Por que buscar exemplos de um tempo que foi deslumbrante? A sociedade era diferente, a sociedade. O (um dos principais líderes de Maio de 1968, Daniel) Conh-Bendit diz isso muito bem e é considerado um canalha por muita gente. O Conh-Bendit diz que 68 acabou, e isso não quer dizer que não teve importância capital. Assim como a Revolução Francesa foi uma revolução capital, mas ninguém sai na rua pensando em Robespierre. Sai pensando nas questões contemporâneas. Tem um apego desmesurado com algo que começou tantos anos atrás que impede, às vezes, de: número 1, enfrentar fatos da história; e, número 2, perceber que há de novo forças neste momento que exigem outro tipo de enfrentamento, outro tipo de luta. O apego é conservador, como todo o apego ao passado é conservador. Vou repetir isso quantas vezes me perguntarem: isso não é sinônimo de que não acho que, naquele momento, aquela luta foi deslumbrante, generosa, libertária, mudou a sociedade, mas passou. 68 não está vivo. Negar a história é o primeiro caminho para a ilusão.
(...)

Flávia Marreiro, El País, Paris, entrevista com João Moreira Sales, 02/04/2017, 12:29 hs

PSIQUIATRIA BIOLÓGICA


RISCO DE CRIAR

O Encontro se dá num plano pré-verbal, inconsciente, alumiado pela percepção das intensidades livres, sutis, delicadas, e em vias de expressão. Nada a ver com a Pessoa, conceito cristão-decadente. O Encontro é outra coisa, encontro de corpos que se compõem numa parceria atônita e extraordinária. Ele se insurge contra os sistemas do pensamento único e eterno. Não existe ainda, está por criar, por inventar.

A.M.
Não entendo o porque das pessoas pensarem sempre no pior, e não no mais provável, que é pior ainda.

George Carlin

SILVA CANTA MARISA


As notas musicais são como a água – elas tomam a forma de quem as está usando. O seu Dó pode fazer alguém chorar, mas o Dó de outra pessoa pode fazer alguém rir. Esta é a beleza da criação: não temos que seguir a mesma linha para conseguir o mesmo resultado.

Ornette Coleman
MAL MENOR

(...)
O desemprego bateu novo recorde. Está na casa de 13,2%. Há na praça 13,5 milhões de brasileiros sem um contracheque. Todos parecem sujeitos a perder o emprego, exceto os ministros de Temer investigados na Lava Jato. Esse contraste tira de Temer a autoridade para exigir da sociedade os sacrifícios embutidos em reformas como a da Previdência. As manifestações do último final de semana evidenciaram o esvaziamento das ruas. Mas o Ibope informa que o descontentamento permanece em casa. Só não chega ao meio fio porque não enxerga uma alternativa ao mal menor que Temer passou a representar.

Do blog do Josias de Souza, 01/04/2017, 02:54 hs

sábado, 1 de abril de 2017

ODILON REDON


A CAMINHO

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso no Paraná, e o operador Lúcio Funaro, preso em Brasília, negam com veemência que farão delação premiada. Trata-se de um despiste. Eles coordenam os esforços para as colaborações, sendo que as chances aumentam todas as vezes em que recebem uma decisão ruim da Justiça. Se avançarem, deverão falar sobre irregularidades em empresas de outros setores, como bancos e empresas da área de saúde.

Murilo Ramos, Época, 31/03/2017, 21:54 hs